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Incontinência Urinária Feminina

Já lhe aconteceu provavelmente sentir uma vontade imperiosa de ir à casa de banho e pensar que não vai chegar a tempo ou perder urina quando tosse, espirra, pratica dança ou desporto.

A incontinência urinária A incontinêcia urinária significa que não consegue controlar o momento de esvaziar a sua bexiga. Se já se confrontou com esses sintomas e os confidenciou a uma amiga ou familiar talvez a tenham consolado dizendo-lhe que isso é uma condição normal de ser mãe.

A perda de urina involuntária é comum nas mulheres e em menor grau nos homens, mas não é em caso algum normal: quatro em dez mulheres com idades superiores a quarenta e cinco anos podem sofrer de algum tipo de incontinência.

Os sintomas surgem gradualmente agravando-se com o decorrer dos anos se nada for feito. Este valor poderá contudo ser considerado conservador uma vez que a extensão do problema não é correctamente conhecida.

De facto, muitas mulheres por vergonha ou embaraço ou mesmo ignorância não recorrem a cuidados médicos: num estudo realizado no Hospital de S. João, no Porto, constatou-se que somente 14% das mulheres com problemas de incontinência urinária procuraram ajuda médica.

A incontinência, nas suas diversas formas, provoca na mulher efeitos físicos e psicológicos devastadores, dado que o receio de perda de urina em público leva a mulher a isolar-se, com prejuízo da sua qualidade de vida, podendo levar nos casos mais graves a depressões profundas.

Esta condição tem também um elevado impacto nas famílias tanto no aspecto psicossocial como económico. Os custos associados à incontinência podem ser muito elevados, representando um peso significativo tanto no orçamento familiar, como nos sistemas de segurança social e de seguros.

Na verdade, este problema terá mesmo tendência a agravar-se no futuro, uma vez que estudos prospectivos efectuados em Centros da União Europeia revelam que a população com mais de 65 anos irá aumentar 20% até 2010, relativamente a 1995, o que conduzirá a um aumento automático de 10% do orçamento global com a saúde, quatro quintos dos quais referentes a cuidados médicos de pessoas com mais de 75 anos.

A imprensa e os media em geral têm um papel fundamental na pedagogia das populações no sentido de eliminar receios e tabus na procura de ajuda médica.

Os ganhos são duplos: quer para a mulher que após tratamento renova a alegria de viver, quer para a sociedade em geral, que através de uma gestão eficiente desta patologia e da promoção e disseminação de boas práticas, conduz não só a uma redução de custos, que pode atingir 20%, como ainda poupa recursos escassos para combater outras doenças mais graves.

A incontinência, na sua condição mais prevalente, está geralmente associada a um enfraquecimento dos músculos do pavimento pélvico, sendo conhecida como incontinência de esforço, por se revelar quando é feito um esforço (tossir, fazer desporto).

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Pode contudo estar associada a outros sintomas como a urgência, que criam um estado de ansiedade tal, que nos casos mais graves, faz com que a mulher não consiga sair de casa com medo do embaraço, que a perda de controle possa provocar em público. Deste modo um problema inicial, fácil de controlar, transforma-se para muitas mulheres num pesadelo em que normalmente a família acaba por ser envolvida.

Deverá a mulher resignar-se a esta situação? Claro que não. Os avanços da medicina na área que se ocupa do seu diagnóstico e tratamento, a uroginecologia, permitem a cura da maior parte dos casos.

O conhecimento do modo de funcionamento da cavidade pélvica da mulher é importante para melhor compreender como se vai processar o tratamento das suas disfunções. Trata-se de matéria complexa, que o seu médico domina, no entanto é importante ter uma ideia, ainda que simplificada, dos mecanismos que estão na base dos seus problemas.

A cavidade pélvica é constituída por vários órgãos: a bexiga, a uretra, a vagina, o útero e o recto. Os órgãos são formados por diversos tecidos, músculos e nervos. Aqueles órgãos adquirem forma e funcionam correctamente pelo facto de estarem apoiados numa espécie de rede de suporte, que são os músculos do pavimento pélvico (parte inferior da cavidade abdominal junto à vagina e ânus) e por outros tecidos, chamados ligamentos que se vão fixar aos ossos da bacia.

Os órgãos estão em parte suspensos, em parte apoiados nos músculos pélvicos como acontece numa ponte suspensa por cabos. Se, por exemplo, um dos cabos ou viga da ponte se romper, altera-se o equilíbrio e a sua resistência, alterando-se, assim, o seu funcionamento, que no limite, pode conduzir à sua queda.

Na cavidade pélvica da mulher passa-se algo de semelhante: os músculos do pavimento pélvico ou os ligamentos sofrem danos e enfraquecem, podendo ocorrer vários efeitos: a bexiga deixa de ter um apoio adequado, alterando-se o modo como a uretra fecha ou abre, de modo a controlar o momento certo para proceder ao seu esvaziamento e assim, surgir a incontinência urinária; noutros casos, os órgãos afundam-se provocando o aparecimento de prolapsos.

Este termo não é comum mas traduz a “queda” das paredes da vagina ou do útero através do intróito vaginal ou abertura da vagina; nos casos mais graves o útero pode sair totalmente para o exterior. O prolapso genital provoca complicações diversas, conforme o seu grau, que vão desde desconforto, até dificultar as relações sexuais ou agravar os problemas de incontinência urinária.

O enfraquecimento dos músculos do pavimento pélvico e ligamentos pode ter causas muito diversas que vão desde alterações hormonais provocados pela gravidez ou idade, danos mecânicos provocados pelo parto ou mesmo factores genéticos. Deve-se ainda referir o papel do sistema nervoso, que actua como uma central de comando de todos os movimentos dos órgãos e músculos.

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O tratamento dos sintomas de incontinência urinária e prolapso que o seu médico lhe vai prescrever tem como objectivo:

– Controlar a sua bexiga´

– Reforçar os músculos e ligamentos.

No primeiro caso receitar-lhe-á medicamentos, que podem ser de diversos tipos. Actualmente existem novos fármacos com uma melhor eficácia. No segundo caso pode recomendar técnicas de fisioterapia e exercícios simples musculares que vão reforçar os músculos que suportam a bexiga e a vagina, quando os sintomas de incontinência urinária estão no início.

Nos casos mais graves de incontinência e de prolapsos é necessário recorrer a cirurgias que actualmente podem ser feitas com próteses diversas, que são redes em material sintético ou orgânico que vão reforçar os músculos ou corrigir a suspensão dos órgãos (como se faz numa ponte ao substituir um cabo ou reforçar a estrutura).

De facto, na área cirúrgica ocorreram nos últimos anos grandes avanços: as cirurgias minimamente invasivas, já usadas em Portugal, podem ser feitas em regime de internamento hospitalar de um ou dois dias, ou em regime de ambulatório, isto é, sem necessidade de recorrer a internamento hospitalar, ou mesmo em regime de consultório com injecções periuretrais.

De salientar, que estas cirurgias minimamente invasivas vieram revolucionar os procedimentos cirúrgicos, ao constituírem-se como técnicas mais simples, mais seguras e fiáveis, permitindo uma recuperação mais rápida e com excelentes resultados.

Uma palavra de esperança para finalizar: tanto a incontinência urinária como os prolapsos têm cura na maior parte dos casos. Não guarde para si um segredo que a torna infeliz; ao partilhá-lo com o seu médico irá certamente encontrar a solução mais adequada para o seu caso.

 

A incontinência, na sua condição mais prevalente, está geralmente associada a um enfraquecimento dos músculos do pavimento pélvico, sendo conhecida como incontinência de esforço, por se revelar quando é feito um esforço (tossir, fazer desporto).

A perda de urina involuntária é comum nas mulheres e em menor grau nos homens, mas não é em caso algum normal: quatro em dez mulheres com idades superiores a quarenta e cinco anos podem sofrer de algum tipo de incontinência.

 

Dra. Teresa Mascarenhas,
Presidente da Secção de Uroginecologia da Sociedade Portuguesa de Ginecologia,
Chefe de Serviço de Ginecologia do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia e Responsável da Unidade de Uroginecologia do Hospital de S. João – Porto,
Professora da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP)

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