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Incontinência urinária: Contra mitos e tabus

17 Março, 2009 0

Incontinência por imperiosidade
Como o próprio nome indica, resulta da vontade súbita e incontrolável de urinar. Este tipo de incontinência pode estar relacionado com o envelhecimento e o avanço da idade, mas também surge em idades mais jovens, associado a doenças neurológicas ou muitas vezes sem causas identificáveis.

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Diagnóstico ao alcance do médico de família

O diagnóstico da incontinência urinária tem início no historial clínico do doente, que descreve em que condições sofre perdas de urina.

Para que se possa optar pelo tratamento mais adequado tem de se fazer um diagnóstico assertivo dos mecanismos e circunstâncias que promovem a incontinência urinária.

Após a caracterização dos sintomas, um exame físico dirigido com pequenas manobras que tentam mimetizar a perda de urina, dá uma orientação de diagnóstico já bastante preciso.

Os exames complementares passam por uma ecografia, análises gerais e uma análise à urina. Estes actos estão perfeitamente ao alcance do médico de família que, como em todos os grandes problemas de Saúde Pública, tem aqui um papel primordial. Para desencadear o tratamento da esmagadora maioria dos doentes não são necessários outros exames. O médico de família pode, nesta fase, orientar para terapêutica oral e fisioterapia as situações de incontinência urinária de imperiosidade. Na incontinência de esforço a orientação pode ser feita para fisioterapia ou, nos casos mais graves, cirurgia.

 

Em busca da cura

A percentagem de doentes que recorre ao médico por problemas de incontinência comparada com a percentagem dos que se auto-medicam ou auto-protegem é inferior a 10%, o que é grave, visto que hoje dispomos de armas terapêuticas capazes de curar ou controlar a maior parte das situações. Por este motivo, os doentes devem procurar ajuda e perceber que a incontinência urinária corresponde a uma situação clínica com tratamento, sobretudo se abordada na fase inicial.
O tratamento cirúrgico desempenha um papel preponderante na incontinência urinária de esforço, tanto na mulher, como no homem. A cura da incontinência urinária de esforço é possível em cerca de 90% dos casos.

Na incontinência urinária por imperiosidade a taxa de sucesso dos antimuscarínicos (tratamento de primeira linha, cuja acção estabiliza o músculo vesical – o detrusor – inibindo a sua contracção involuntária) situa-se nos 80%.

As alterações comportamentais necessárias, principalmente na incontinência por imperiosidade, passam por um controlo da ingestão de líquidos, a exclusão de alimentos excitantes para a bexiga, como por exemplo a cafeína, a micção temporizada ou a micção diferida, consoante a gravidade da doença e a autonomia do doente.

 

Retrato da incontinência urinária em Portugal

Em Portugal estima-se que 8 a 10% da população masculina e 21% da população feminina seja afectada por este problema.

Entre os 45 e os 65 anos a proporção de casos de I.U. é de 3 mulheres para cada homem.

Calcula-se que apenas 10% das mulheres com I.U. de esforço procura o médico para a resolução do seu problema e faz tratamento medicamentoso.

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