GASTRITES e EROSÕES DO ESTÔMAGO
Gastrite crónica auto-imune: também designada por gastrite A ou gastrite da Anemia Perniciosa. É pouco frequente em Portugal. Na Anemia Perniciosa há uma atrofia da mucosa gástrica em que desaparecem as células que produzem o factor intrínseco.
O factor intrínseco é indispensável para que a absorção de vitamina B12 se faça no intestino delgado. A estes doentes, uma vez que não produzem factor intrínseco e por isso não absorvem Vitamina B12 esta vitamina terá que ser injectada, assim como aos doentes a quem foi retirado todo o estômago ( submetidos a gastrectomia total ). Geralmente faz-se uma injecção mensal de pelo menos 200 µg de Vitamina B12. A Anemia Perniciosa leva a lesões neurológicas graves.
Gastrite crónica dos anti-inflamatórios e do refluxo biliar – gastrite química. O uso continuado de medicamentos anti-inflamatórios e a bílis do refluxo biliar do duodeno para o estômago ou do refluxo biliar após cirurgia do estômago ( gastrectomia parcial ) podem ser causa de gastrite crónica.
Gastrites muito raras: Há outras gastrites crónicas muito raras:
» Gastrite granulomatosa: da doença de Crohn, da tuberculose, da sífilis, da sarcoidose etc.
» Gastrite a eosinófilos: entidade muito rara. Os doentes com esta gastrite devem ser seguidos na consulta de alergologia.
» Gastrite linfocítica: muitas vezes associada às pápulas umbilicadas e denominada gastropatia papulosa, por vezes também denominada gastrite varioliforme por causa do aspecto. Esta gastrite parece não causar sintomas e, não se conhece nenhum tratamento eficaz. É uma afecção anódina.
» Doença de Ménétrier também chamada gastropatia hipertrófica ou gastrite de pregas gigantes: situação rara caracterizada por pregas gigantes no corpo do estômago associada a náuseas, diarreia e a perdas de proteínas, podendo dar origem a um edema generalizado. A causa é desconhecida.
DUODENITES E EROSÕES DO DUODENO
A inflamação da mucosa do duodeno pode aparecer associada à gastrite causada pelo H. pylori. Essa mucosa inflamada do bulbo duodenal pode ser substituída por mucosa do estômago e ser colonizada pelo H. pylori. Admitem alguns peritos que esse será o mecanismo inicial para o aparecimento da úlcera do duodeno.
Também alguns vírus, bactérias e parasitas podem invadir o duodeno e ser causa de duodenite, mas são situações raras.
Por vezes a mucosa do duodeno tem aspecto nodular e, alguns chamam-lhe mesmo duodenite nodular. Ao exame microscópico nalguns casos observa-se uma duodenite, noutros observa-se mucosa gastrica e noutros hiperplasia das glândulas do duodeno ( glândulas de Brunner ). Não se sabe se estas alterações têm significado clínico.
GASTRENTEROLOGIA
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