Trânsito intestinal – cheio como um balão
QUANDO SUSPEITAR DE OBSTIPAÇÃO?
Podemos identificar a obstipação através de alguns sinais de alerta do nosso organismo, entre os quais a dificuldade exagerada no ato de defecar ou a sensação de evacuação incompleta, o aspeto das fezes ressequido e irregular ou acompanhado de sangue.
O sintoma mais comum é a diminuição da frequência habitual de defecação, que pode chegar até aos 3 dias de intervalo entre evacuações. No entanto, cada pessoa tem um organismo diferente e a frequência de dejeção não é igual para todos.
Não é obrigatório ter uma evacuação diária para ser considerado normal. O intervalo usual varia entre 3 vezes por dia a 3 vezes por semana. Assim, cada caso deve ser avaliado individualmente em relação à frequência normal do próprio.
A obstipação é condição (e não doença!) que pode incidir em pessoas de qualquer idade, sendo mais frequente entre grávidas, devido a alterações hormonais, e em bebés que iniciam a sua alimentação com alguns leites de transição.
A obstipação é também muito frequente acima dos 65 anos, atingindo 34% das mulheres e 26% dos homens nestas idades. Pode igualmente estar presente em pessoas que utilizem determinados medicamentos, como alguns anti-hipertensores, antidepressivos, analgésicos opióides, suplementos de cálcio ou ferro e alguns antiácidos.
A obstipação, vulgarmente conhecida como prisão de ventre, caracteriza-se por uma maior dificuldade em expulsar as fezes do intestino, provocando desconforto abdominal e, por vezes, dor e dificuldade crescente em evacuar. Sucede quando o intestino produz resíduos mais sólidos do que o habitual, ou quando as contrações musculares são insuficientes para fazer deslocar as fezes. E quanto maior o tempo de permanência no intestino, mais difícil se torna a sua expulsão.
Durante o processo digestivo, o intestino é responsável pela absorção de nutrientes e água provenientes da alimentação diária através das suas vilosidades intestinais, passando estes para a corrente sanguínea.
A parte proveniente da alimentação que não é absorvida é eliminada pelo nosso organismo, transformando-se em fezes que vão percorrendo o intestino grosso. Para ajudar neste percurso o nosso intestino faz alguns movimentos involuntários, chamados movimentos intestinais, também conhecidos por peristaltismo.
Quando existe obstipação, os movimentos peristálticos tornam-se habitualmente mais irregulares e menos frequentes, tornando as fezes mais duras e secas pelo tempo de permanência no interior do intestino. Também o consumo insuficiente de líquidos faz com que as fezes se tornem mais duras e secas, porque o organismo vai absorver a água de que necessita a nível no intestino grosso.
A maioria das pessoas tem obstipação pelo menos durante algum período da sua vida. A obstipação não é um problema grave, mas pode conduzir ao desenvolvimento de complicações, como por exemplo as hemorróidas, entre outras.
A obstipação pode ser pontual e passageira, mas quando os sintomas decorrem por períodos superiores a 3 semanas deve procurar-se o aconselhamento médico, porque pode tratar-se de um caso de obstipação crónica ou ser um sinal de doenças mais complexas.
E atenção, pois as pessoas que têm maior probabilidade de sofrer desta condição são as que têm uma vida sedentária, pessoas com muito stress e/ou ansiedade, ou que não ingerem quantidades suficientes de água e fibras na sua alimentação diária.
Por vezes, a simples alteração dos hábitos alimentares e do estilo de vida é suficiente para regular de novo o trânsito intestinal. No entanto, poderá haver casos em que é necessária uma solução mais imediata, e pode haver necessidade de recorrer a laxantes. Estes devem ser utilizados apenas em situações pontuais e sempre com o aconselhamento do seu farmacêutico, porque há várias alternativas com modos de atuação diferentes, sendo importante escolher o mais adequado a cada situação. Deve procurar privilegiar-se os laxantes mais “suaves”, que não sejam agressivos e que não provoquem habituação. A habituação surge devido ao uso continuado de alguns laxantes que faz com que o intestino se habitue à presença do laxante, ficando mais “preguiçoso”, agravando a prisão de ventre.
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