Sol dentro de portas
Portugueses contra a lei
A responsável do Estúdio Solar, que tem seis estabelecimentos no país, diz estar em fase de adaptação à lei. Ainda assim, sublinha que muitas da medidas contempladas na legislação já era práticas deste estabelecimento. “A diferença é que antes recomendávamos, agora impomos e é regra”, esclarece, frisando que “já costumávamos aconselhar o uso de batons e óculos”. Estar dentro da legalidade já trouxe até alguns dissabores para esta cadeia de solários. “Muitas pessoas ficam chateadas quando dizemos que não podem fazer mais do que uma vez por dia”, conta Ana Maria Gonzalez, acrescentando que “muitos dizem que vão embora para outros sítios e que o corpo é deles”.
Destaques:
“Muitos clientes recusam-se a usar protector genital e óculos”
Inquéritos realizados na União Europeia indicam que 16% das pessoas utilizam centros de bronzeamento artificiais, 30% dos quais são adolescentes e jovens residentes nas cidades.
Em Portugal, há uma média de 800 de novos casos de cancro da pele por ano, segundo o Registo Nacional Oncológico. Esta patologia tem uma taxa de cura de 90% quando é diagnosticada precocemente.
O que diz a lei?
• É obrigatório qualificação profissional
• É obrigatório existir livro de reclamações
• É obrigatório fornecer óculos e protector genital
• É proibido a grávidas
• É proibido a menores de 18 anos
Pergunta & Resposta
Dr. Rui Tavares Bello
Médico Dermatologista
Hospital Militar de Belém
Quais os perigos da ida aos solários?
Como qualquer agente tóxico, a radiação ultravioleta emitida pelos solários tem efeitos agudos queimaduras e securas da pele, prurido fototoxias, fotoalergia, irritação ocular e conjuntivites) e efeitos crónicos (envelhecimento da pele, cancro cutâneo, alterações oculares (cataratas) e imunosupressão.
O principal problema é, de facto, o CANCRO CUTÂNEO, em particular o Melanoma Maligno. A evidência ligando a utilização dos solários ao desenvolvimento deste terrível tumor é sólida, assente em estudos epidemiológicos e biológicos.
Há alguma diferença entre a exposição ao sol e nos solários?
Os solários emitem radiação ultravioleta (RUV) fundamentalmente nos UVA (responsáveis pelo envelhecimento da pele), mas incluem pequenas contaminações de UVB (responsáveis pelo cancro na pele). A motivação básica dos utentes dos solários é obter um “bronze natural”, alegado atributo de status social, de saúde e de beleza.
O objectivo é induzir uma pigmentação “natural” com radiação “natural” “sem riscos”. Nada mais errado! A radiação dos solários é um agente carcinogénico completo, uma verdadeira “bomba com retardador” que induz cancros cutâneos, envelhecimento acentuado da pele e alterações na função imunológica.
Há alguns dados sobre o número de pessoas que têm problemas de pele devido à exposição aos solários?
Os dados provêm do Reino Unido, Canadá e EUA. Cerca de 8 a 10 % da população do RU recorre usualmente aos solários. A idade dos utentes está a diminuir, o que aumenta o risco de carcinogenicidade! O problema assume uma dimensão tão preocupante que alguns health officials de áreas do Reino Unido baniram mesmo o seu uso.
Associações como a Organização Mundial de Saúde, a American Joint Comittee on Cancer, a American Medical Association e a British Association of Dermatologists vêm juntando esforços no sentido de informar o público e as autoridades de saúde para limitar o uso destes sistemas, atendendo à sua periculosidade.

