Sol dentro de portas
Pergunta & Resposta
Dr. Rui Tavares Bello
Médico Dermatologista
Hospital Militar de Belém
Quais os perigos da ida aos solários?
Como qualquer agente tóxico, a radiação ultravioleta emitida pelos solários tem efeitos agudos queimaduras e securas da pele, prurido fototoxias, fotoalergia, irritação ocular e conjuntivites) e efeitos crónicos (envelhecimento da pele, cancro cutâneo, alterações oculares (cataratas) e imunosupressão.
O principal problema é, de facto, o CANCRO CUTÂNEO, em particular o Melanoma Maligno. A evidência ligando a utilização dos solários ao desenvolvimento deste terrível tumor é sólida, assente em estudos epidemiológicos e biológicos.
Há alguma diferença entre a exposição ao sol e nos solários?
Os solários emitem radiação ultravioleta (RUV) fundamentalmente nos UVA (responsáveis pelo envelhecimento da pele), mas incluem pequenas contaminações de UVB (responsáveis pelo cancro na pele). A motivação básica dos utentes dos solários é obter um “bronze natural”, alegado atributo de status social, de saúde e de beleza.
O objectivo é induzir uma pigmentação “natural” com radiação “natural” “sem riscos”. Nada mais errado! A radiação dos solários é um agente carcinogénico completo, uma verdadeira “bomba com retardador” que induz cancros cutâneos, envelhecimento acentuado da pele e alterações na função imunológica.
Há alguns dados sobre o número de pessoas que têm problemas de pele devido à exposição aos solários?
Os dados provêm do Reino Unido, Canadá e EUA. Cerca de 8 a 10 % da população do RU recorre usualmente aos solários. A idade dos utentes está a diminuir, o que aumenta o risco de carcinogenicidade! O problema assume uma dimensão tão preocupante que alguns health officials de áreas do Reino Unido baniram mesmo o seu uso.
Associações como a Organização Mundial de Saúde, a American Joint Comittee on Cancer, a American Medical Association e a British Association of Dermatologists vêm juntando esforços no sentido de informar o público e as autoridades de saúde para limitar o uso destes sistemas, atendendo à sua periculosidade.
“O solário vicia”. A afirmação é de Marta Viegas, 34 anos, que não dispensa um look bronzeado ao longo de todo o ano. “Dá-nos um ar saudável e aumenta a nossa auto-estima”, justifica ao Saúde Semanário. A farmacêutica é uma das muitas pessoas que não dispensam uma ida regular ao solário, faça chuva ou faça sol. Conhece os riscos? “Sim, mas quando as coisas são feitas com conta peso e medida não há problema”, remata.
Ana Maria Gonzalez, do Estúdio Solar, partilha da mesma opinião. “Existem regras e cumprimos a lei”, explica. E acrescenta: “há muita gente a dizer que os solários fazem mal, mas também temos cá pessoas a fazer programas estabelecidos por médicos e dermatologistas”.
Para todas as idades
São várias as pessoas que procuram este tipo de bronzeamento, avança a especialista. “Temos clientes dos 18 aos 60 anos, das mais diferentes áreas: médicos, comerciantes, empregados de escritório, estudante”, conta. Tal como Marta Viegas, a maioria dos clientes quer estar bronzeado o ano inteiro. “Muitos querem preparar a pele antes de ir de férias para os trópicos, para evitar escaldões, outros gostam de estar bronzeados o ano inteiro e procuram-nos durante o Inverno”, esclarece Ana Maria Gonzalez.
A Estúdio Solar está no nosso país desde 1997 e segundo a gerente a procura tem aumentado de ano para ano. No entanto, a “crise económica que afecta o país também já chegou a esta área”, ressalva.
Actividade regulamentada
A actividade foi regulamentada em Novembro do ano passado, com a entrada em vigor do decreto-lei n.º 205/2005, que acolhe as recomendações da Organização Mundial de Saúde. Até aqui, qualquer ginásio ou gabinete de estética possuía uma máquina de bronzeamento e exercia o negócio sem qualquer tipo de controle.
Segundo a legislação, os trabalhadores dos solários são obrigados a fazer cursos profissionais até Junho deste ano. A falta de qualificação implica uma coima entre 2490 e 3490 euros para as pessoas singulares e entre 24.940 e 44.890 para as pessoas colectivas. Além da formação dos funcionários, a legislação fixa as categorias dos aparelhos que devem ser utilizados, estipula os limites das radiações ultravioletas e obriga ao fornecimento de óculos de protecção.
O consumidor deve ser amplamente informado das características das máquinas, as quais devem constar de um letreiro colocado em local bem acessível do solário. cada cliente deve ter uma ficha pessoal e consentir, por escrito, que pretende utilizar as máquinas. Estas devem ser fiscalizadas anualmente.

