Quem ressona não se apercebe. E quem partilha o leito sofre com o barulho ensurdecedor assustador e deprimente. Ressonar é uma disfunção individual que pode ter sérias complicações na vida do casal.
A negação é uma reacção comum quando se é confrontado com o ressonar, mas as perturbações que provoca no sono podem ser gravosas. A roncopatia, tecnicamente falando, afecta mais os homens, sobretudo os que apresentam excesso de peso, porque aumenta o perímetro do pescoço – quanto maior for o pescoço, maior é a probabilidade de este pressionar as vias respiratórias. O som, alto e arrastado, que rasga o silêncio da noite resulta de uma obstrução no fluxo normal do ar através da parede posterior da boca e no nariz. É aí que a língua e a porção superior da garganta encontram o palato mole e a úvula. Quando estas se tocam e vibram durante a respiração, geram o ronco.
Os porquês
As constipações, sinusite, alergia nasal e asma podem fazer ressonar, porque envolvem um estreitamento das vias respiratórias superiores e obrigam a respirar pela boca, em vez do nariz.
Os anti-histamínicos usados para aliviar as alergias e os sintomas da constipação podem também contribuir para o ressonar devido ao seu efeito sedativo, que muitas vezes faz relaxar os músculos da língua e da garganta, tornando-os hipotónicos e parcialmente impeditivos da passagem do ar. O consumo excessivo de álcool, ao sedar, pode igualmente gerar o mesmo efeito.
Mas há ainda causas estruturais, como o desvio do septo nasal ou língua, amígdalas ou adenóides grandes. Nas mulheres, o ressonar é comum no último mês da gravidez, quando as vias respiratórias tendem a estreitar.
Podemos estar também perante um sintoma de apneia obstrutiva do sono, uma doença grave em que a pessoa adormecida cessa a respiração durante vários segundos de cada vez.
[Continua na página seguinte]
Diagnosticar e prevenir
Basta ter alguém na mesma casa (nem é preciso ser no mesmo quarto) para diagnosticar a roncopatia.
Já as causas terão de ser determinadas por um médico, depois de realizados exames e analisada a história clínica. Muitas vezes é prescrita uma polissonografia, em que o doente dorme uma noite monitorizado, com um aparelho que mede a frequência cardíaca, a actividade cerebral, os níveis de oxigénio, a frequência respiratória e a pressão arterial.
A determinação do grau de roncopatia é essencial para adequar o tratamento: o mais ligeiro significa que o ressonar mal se ouve, tornando-se apenas nítido quando se aproxima o ouvido de quem ressona; o segundo implica que o ressonar se ouve no quarto; no terceiro grau, ouve-se fora do quarto com a porta aberta e, no quatro e último, os sons são audíveis fora do quarto mesmo com a porta fechada.
Quanto a medidas de prevenção, manter um peso certo e evitar excessos no consumo de álcool são elementares. Da mesma forma se devem evitar medicamentos com efeitos sedativos, excepto se necessários.
As alterações de estilo de vida contribuem para mitigar o ressonar. E nas situações mais graves, existem procedimentos cirúrgicos que podem ajudar a aliviar a doença.
Se o ressonar é habitual e incomoda os outros, uma outra opção é a uvulopalatoplastia por laser (UPPL).
Neste procedimento, é usado um laser para seccionar a úvula e uma porção do palato numa série de uma a cinco pequenas intervenções feitas com um intervalo de quatro a oito semanas.
Dessa forma, a úvula é encurtada, eliminando a obstrução que contribui para o ressonar.
[Continua na página seguinte]
Dicas
1. Durma de lado, em vez de dormir de costas, porque nessa posição é menos provável que a garganta obstrua a respiração.
2. U se uma almofada alta ou duas almofadas, porque reduz a pressão das vias respiratórias.
3. Aplicação de pensos nasais, colocados sobre o dorso do nariz, ajuda a manter as cavidades nasais abertas. Ao tornar mais fácil a respiração pelo nariz, as faixas ajudam a evitar a respiração pela boca durante o sono.
4. Beba com moderação.
5. Regule o peso.
Risco de apneia
O estreitamento das vias respiratórias traduz-se no ressonar. Só que, por vezes, a passagem do ar fica completamente obstruída, originando pequenas quebras na respiração. São poucos segundos que se reflectem num sono intercalar, sem a qualidade e eficácia associada ao repouso.
A fadiga e sonolência diurnas, dores de cabeça matinais, quebra na concentração e na atenção são sintomas de apneia do sono, uma doença grave, porque as paragens respiratórias nocturnas podem originar um colapso respiratório que, em última instância, pode provocar a morte. Este pode ser também o desfecho de um acidente causado por alguém que adormece ao volante: calcula-se mesmo que, em Portugal, cerca de 30% dos acidentes rodoviários tenham origem na apneia do sono.
[Continua na página seguinte]
As crianças também ressonam
Muitas crianças têm episódios esporádicos, mas algumas ressonam todas as noites. Um nariz congestionado, uma alergia ou uma infecção respiratória podem ser as causas, mas também pode ser um sintoma de apneia do sono.
A exemplo do que sucede nos adultos, a obesidade é um factor de risco, tal como alergias, asma, refluxo gastro-esofágico. É importante vigiar a respiração nocturna das crianças, porque a apneia do sono não diagnosticada ou tratada incorrectamente pode dar origem a sonolência diurna, dificuldades de concentração e, em consequência, problemas no desempenho escolar. Depois de uma noite mal dormida, as crianças podem desenvolver sintomas de hiperactividade e défice de atenção.
Uma criança com apneia do sono pode ressonar regularmente, fazer pausas na respiração, mostrar instabilidade e colocar-se em posições invulgares para dormir, suar em abundância. Já durante o dia, pode revelar alterações no comportamento, como maior irritabilidade, ter dificuldade em acordar e andar sonolenta, sentir dores de cabeça matinais, falar com uma voz nasalada e respirar com frequência pela boca.
Em caso de suspeita, é preciso consultar um médico.
A negação é uma reacção comum quando se é confrontado com o ressonar, mas as perturbações que provoca no sono podem ser gravosas. A roncopatia, tecnicamente falando, afecta mais os homens, sobretudo os que apresentam excesso de peso, porque aumenta o perímetro do pescoço – quanto maior for o pescoço, maior é a probabilidade de este pressionar as vias respiratórias. O som, alto e arrastado, que rasga o silêncio da noite resulta de uma obstrução no fluxo normal do ar através da parede posterior da boca e no nariz. É aí que a língua e a porção superior da garganta encontram o palato mole e a úvula. Quando estas se tocam e vibram durante a respiração, geram o ronco.
Os porquês
As constipações, sinusite, alergia nasal e asma podem fazer ressonar, porque envolvem um estreitamento das vias respiratórias superiores e obrigam a respirar pela boca, em vez do nariz.
Os anti-histamínicos usados para aliviar as alergias e os sintomas da constipação podem também contribuir para o ressonar devido ao seu efeito sedativo, que muitas vezes faz relaxar os músculos da língua e da garganta, tornando-os hipotónicos e parcialmente impeditivos da passagem do ar. O consumo excessivo de álcool, ao sedar, pode igualmente gerar o mesmo efeito.
Mas há ainda causas estruturais, como o desvio do septo nasal ou língua, amígdalas ou adenóides grandes. Nas mulheres, o ressonar é comum no último mês da gravidez, quando as vias respiratórias tendem a estreitar.
Podemos estar também perante um sintoma de apneia obstrutiva do sono, uma doença grave em que a pessoa adormecida cessa a respiração durante vários segundos de cada vez.
[Continua na página seguinte]
Diagnosticar e prevenir
Basta ter alguém na mesma casa (nem é preciso ser no mesmo quarto) para diagnosticar a roncopatia.
Já as causas terão de ser determinadas por um médico, depois de realizados exames e analisada a história clínica. Muitas vezes é prescrita uma polissonografia, em que o doente dorme uma noite monitorizado, com um aparelho que mede a frequência cardíaca, a actividade cerebral, os níveis de oxigénio, a frequência respiratória e a pressão arterial.
A determinação do grau de roncopatia é essencial para adequar o tratamento: o mais ligeiro significa que o ressonar mal se ouve, tornando-se apenas nítido quando se aproxima o ouvido de quem ressona; o segundo implica que o ressonar se ouve no quarto; no terceiro grau, ouve-se fora do quarto com a porta aberta e, no quatro e último, os sons são audíveis fora do quarto mesmo com a porta fechada.
Quanto a medidas de prevenção, manter um peso certo e evitar excessos no consumo de álcool são elementares. Da mesma forma se devem evitar medicamentos com efeitos sedativos, excepto se necessários.
As alterações de estilo de vida contribuem para mitigar o ressonar. E nas situações mais graves, existem procedimentos cirúrgicos que podem ajudar a aliviar a doença.
Se o ressonar é habitual e incomoda os outros, uma outra opção é a uvulopalatoplastia por laser (UPPL).
Neste procedimento, é usado um laser para seccionar a úvula e uma porção do palato numa série de uma a cinco pequenas intervenções feitas com um intervalo de quatro a oito semanas.
Dessa forma, a úvula é encurtada, eliminando a obstrução que contribui para o ressonar.
[Continua na página seguinte]
Dicas
1. Durma de lado, em vez de dormir de costas, porque nessa posição é menos provável que a garganta obstrua a respiração.
2. U se uma almofada alta ou duas almofadas, porque reduz a pressão das vias respiratórias.
3. Aplicação de pensos nasais, colocados sobre o dorso do nariz, ajuda a manter as cavidades nasais abertas. Ao tornar mais fácil a respiração pelo nariz, as faixas ajudam a evitar a respiração pela boca durante o sono.
4. Beba com moderação.
5. Regule o peso.
Risco de apneia
O estreitamento das vias respiratórias traduz-se no ressonar. Só que, por vezes, a passagem do ar fica completamente obstruída, originando pequenas quebras na respiração. São poucos segundos que se reflectem num sono intercalar, sem a qualidade e eficácia associada ao repouso.
A fadiga e sonolência diurnas, dores de cabeça matinais, quebra na concentração e na atenção são sintomas de apneia do sono, uma doença grave, porque as paragens respiratórias nocturnas podem originar um colapso respiratório que, em última instância, pode provocar a morte. Este pode ser também o desfecho de um acidente causado por alguém que adormece ao volante: calcula-se mesmo que, em Portugal, cerca de 30% dos acidentes rodoviários tenham origem na apneia do sono.
[Continua na página seguinte]
As crianças também ressonam
Muitas crianças têm episódios esporádicos, mas algumas ressonam todas as noites. Um nariz congestionado, uma alergia ou uma infecção respiratória podem ser as causas, mas também pode ser um sintoma de apneia do sono.
A exemplo do que sucede nos adultos, a obesidade é um factor de risco, tal como alergias, asma, refluxo gastro-esofágico. É importante vigiar a respiração nocturna das crianças, porque a apneia do sono não diagnosticada ou tratada incorrectamente pode dar origem a sonolência diurna, dificuldades de concentração e, em consequência, problemas no desempenho escolar. Depois de uma noite mal dormida, as crianças podem desenvolver sintomas de hiperactividade e défice de atenção.
Uma criança com apneia do sono pode ressonar regularmente, fazer pausas na respiração, mostrar instabilidade e colocar-se em posições invulgares para dormir, suar em abundância. Já durante o dia, pode revelar alterações no comportamento, como maior irritabilidade, ter dificuldade em acordar e andar sonolenta, sentir dores de cabeça matinais, falar com uma voz nasalada e respirar com frequência pela boca.
Em caso de suspeita, é preciso consultar um médico.