A negação é uma reacção comum quando se é confrontado com o ressonar, mas a verdade é que são muitas as noites perturbadas por este problema que afecta mais os homens e mais ainda os que sofrem de excesso de peso.
A roncopatia – assim se chama o acto de ressonar – tem má fama. Tão má fama que dela se diz que é capaz de pôr casamentos em risco, tal a intensidade com que perturba o descanso nocturno. Em jeito de ironia, pode dizer-se que não há harmonia que resista quando na outra metade da cama dorme alguém que ressona tão sonoramente que não deixa o outro pregar olho…
O assunto não é para brincadeiras, não só pelas consequências que o ressonar pode ter nos relacionamentos, mas sobretudo porque pode esconder um problema de saúde.
É, pois, para levar a sério, mesmo quando, confrontada, a pessoa que ressona teime em negar. Não é motivo para ter vergonha, até porque acontece por razões tão simples como a posição em que se adormece – dormir de barriga para cima é, para muitas pessoas, um convite a que se escapem os famosos roncos…
Pode acontecer a todos, se bem que os homens pareçam ressonar mais – ou, pelo menos, mais ruidosamente – do que as mulheres. Quem bebe à noite também tem mais probabilidade de ressonar: é que o álcool faz com que os músculos da boca e da garganta se relaxem. Já o tabaco provoca o efeito contrário nos músculos do nariz: faz com que se contraiam, e provoca congestão nasal, mas o resultado é o mesmo tornando a passagem de ar mais sonora.
Nesta balança de razões para ressonar também pesa, e muito, o excesso de peso. A gordura concentra-se na zona do pescoço, apertando as vias respiratórias e constituindo um obstáculo à passagem do ar, dado que os músculos não têm tónus suficiente para manter abertas as vias aéreas.
Há que contar ainda com o efeito da idade sobre os músculos da garganta: com o passar dos anos vão-se relaxando, o que faz com que o ressonar seja mais frequente à medida que se envelhece.
A probabilidade de ressonar também aumenta quando se está constipado ou com gripe ou ainda quando as vias respiratórias estão inflamadas devido a alergias. Certas características do corpo também contribuem para este problema: assim acontece quando se tem a úvula (conhecida como “campainha”) demasiado alongada, quando os adenóides ou as amígdalas são muito grandes ou quando se tem pólipos nasais ou um desvio do septo nasal – são sempre obstáculos no caminho do ar que sobe da garganta e que acaba por se escapar de uma forma ruidosa.
Ressonar é…
Causas à parte, a roncopatia ocorre quando se está na transição para o sono mais profundo. Os músculos do palato (o chamado “céu da boca”), da língua e da garganta ficam mais relaxados, a garganta estreita-se ligeiramente e as suas paredes vão vibrando à medida que se respira.
São essas vibrações que dão origem aos sons típicos do ressonar: é que o ar acaba por ter mais dificuldade em passar e quanto maior essa dificuldade mais sonora a respiração. Logo, mais audíveis são os roncos e maior a probabilidade de acordarem quem dorme ao lado…
Mas esta está longe de ser a pior consequência da roncopatia. É que há o risco de quem ressona desenvolver apneia do sono, uma disfunção que ocorre quando as vias respiratórias se estreitam de tal forma que impedem a passagem do ar. O resultado são pequenas quebras na respiração, cerca de dez segundos de silêncio no meio do ressonar, vezes sem conta durante toda a noite. Quem assim dorme acaba por não descansar e sofrer de sonolência diurna, uma causa bem conhecida de acidentes de viação e com máquinas. Além de que as múltiplas paragens respiratórias nocturnas podem conduzir a um colapso respiratório e, até, à morte.
[Continua na página seguinte]
Dado o risco, é conveniente dar ouvidos quando se é confrontado com o ressonar frequente. E isso significa ir ao médico, que, numa primeira abordagem, pode ser o médico de família que, se necessário, encaminhará para um especialista (otorrinolaringologista).
Para o diagnóstico, entram em linha de conta a história clínica da pessoa, um exame físico e, por vezes, uma polissonografia – o doente dorme uma noite monitorizado, com um aparelho que mede a frequência cardíaca, a actividade cerebral, os níveis de oxigénio, a frequência respiratória e a pressão arterial.
É o grau de roncopatia que vai determinar o tipo de tratamento. Assim, consideram-se quatro estádios de gravidade: o mais ligeiro significa que o ressonar mal se ouve, tornando-se apenas nítido quando se aproxima o ouvido de quem ressona; o segundo implica que o ressonar se ouve no quarto; no terceiro grau, ouve-se fora do quarto com a porta aberta e, no quarto e último, os sons são audíveis fora do quarto mesmo com a porta fechada. Mas é o número de vezes que existe apneia ou redução do débito aéreo por hora, dá o grau de gravidade do problema.
Mudar hábitos, o primeiro passo
Há pessoas que ressonam mas acordam descansadas. Significa que a roncopatia é ligeira, não escondendo um problema de saúde mais grave. Mas ainda assim é útil mudar alguns hábitos, nem que seja em nome de quem tenta dormir na outra metade da cama.
O primeiro dos gestos é uma simples alteração na posição de dormir: nunca de barriga para cima, mas, de preferência, de lado. De seguida, devem evitar-se todos os produtos que possam aumentar a flexibilidade dos músculos da bocae da garganta, como o álcool e medicamentos sedativos ou anti-histamínicos.
Estabelecer um padrão de sono também ajuda à tranquilidade nocturna, o que significa tentar deitar-se sempre à mesma hora.
E perder peso é essencial. Por todas as razões de saúde e por mais esta. Para quem sofre de roncopatia moderada ou grave, estes gestos podem não ser suficientes. Existem faixas adesivas que se aplicam no nariz e dispositivos dentários: o objectivo é o mesmo, facilitar a passagem de ar – no primeiro caso, alargando as vias nasais e, no segundo, ajustando a posição da língua e do palato por forma a haver mais espaço e menos risco de vibração e obstrução. Por vezes, a cirurgia é o recurso mais adequado, sendo aplicadasnos hospitais portugueses várias técnicas.
Quem ressona não deve ignorar as queixas de quem dorme ao lado. A roncopatia é uma causa frequente de instabilidade familiar e de riscos de saúde para o próprio.
Desnecessariamente, porque é possível tratá-la e devolver a tranquilidade às noites domésticas.
A roncopatia – assim se chama o acto de ressonar – tem má fama. Tão má fama que dela se diz que é capaz de pôr casamentos em risco, tal a intensidade com que perturba o descanso nocturno. Em jeito de ironia, pode dizer-se que não há harmonia que resista quando na outra metade da cama dorme alguém que ressona tão sonoramente que não deixa o outro pregar olho…
O assunto não é para brincadeiras, não só pelas consequências que o ressonar pode ter nos relacionamentos, mas sobretudo porque pode esconder um problema de saúde.
É, pois, para levar a sério, mesmo quando, confrontada, a pessoa que ressona teime em negar. Não é motivo para ter vergonha, até porque acontece por razões tão simples como a posição em que se adormece – dormir de barriga para cima é, para muitas pessoas, um convite a que se escapem os famosos roncos…
Pode acontecer a todos, se bem que os homens pareçam ressonar mais – ou, pelo menos, mais ruidosamente – do que as mulheres. Quem bebe à noite também tem mais probabilidade de ressonar: é que o álcool faz com que os músculos da boca e da garganta se relaxem. Já o tabaco provoca o efeito contrário nos músculos do nariz: faz com que se contraiam, e provoca congestão nasal, mas o resultado é o mesmo tornando a passagem de ar mais sonora.
Nesta balança de razões para ressonar também pesa, e muito, o excesso de peso. A gordura concentra-se na zona do pescoço, apertando as vias respiratórias e constituindo um obstáculo à passagem do ar, dado que os músculos não têm tónus suficiente para manter abertas as vias aéreas.
Há que contar ainda com o efeito da idade sobre os músculos da garganta: com o passar dos anos vão-se relaxando, o que faz com que o ressonar seja mais frequente à medida que se envelhece.
A probabilidade de ressonar também aumenta quando se está constipado ou com gripe ou ainda quando as vias respiratórias estão inflamadas devido a alergias. Certas características do corpo também contribuem para este problema: assim acontece quando se tem a úvula (conhecida como “campainha”) demasiado alongada, quando os adenóides ou as amígdalas são muito grandes ou quando se tem pólipos nasais ou um desvio do septo nasal – são sempre obstáculos no caminho do ar que sobe da garganta e que acaba por se escapar de uma forma ruidosa.
Ressonar é…
Causas à parte, a roncopatia ocorre quando se está na transição para o sono mais profundo. Os músculos do palato (o chamado “céu da boca”), da língua e da garganta ficam mais relaxados, a garganta estreita-se ligeiramente e as suas paredes vão vibrando à medida que se respira.
São essas vibrações que dão origem aos sons típicos do ressonar: é que o ar acaba por ter mais dificuldade em passar e quanto maior essa dificuldade mais sonora a respiração. Logo, mais audíveis são os roncos e maior a probabilidade de acordarem quem dorme ao lado…
Mas esta está longe de ser a pior consequência da roncopatia. É que há o risco de quem ressona desenvolver apneia do sono, uma disfunção que ocorre quando as vias respiratórias se estreitam de tal forma que impedem a passagem do ar. O resultado são pequenas quebras na respiração, cerca de dez segundos de silêncio no meio do ressonar, vezes sem conta durante toda a noite. Quem assim dorme acaba por não descansar e sofrer de sonolência diurna, uma causa bem conhecida de acidentes de viação e com máquinas. Além de que as múltiplas paragens respiratórias nocturnas podem conduzir a um colapso respiratório e, até, à morte.
[Continua na página seguinte]
Dado o risco, é conveniente dar ouvidos quando se é confrontado com o ressonar frequente. E isso significa ir ao médico, que, numa primeira abordagem, pode ser o médico de família que, se necessário, encaminhará para um especialista (otorrinolaringologista).
Para o diagnóstico, entram em linha de conta a história clínica da pessoa, um exame físico e, por vezes, uma polissonografia – o doente dorme uma noite monitorizado, com um aparelho que mede a frequência cardíaca, a actividade cerebral, os níveis de oxigénio, a frequência respiratória e a pressão arterial.
É o grau de roncopatia que vai determinar o tipo de tratamento. Assim, consideram-se quatro estádios de gravidade: o mais ligeiro significa que o ressonar mal se ouve, tornando-se apenas nítido quando se aproxima o ouvido de quem ressona; o segundo implica que o ressonar se ouve no quarto; no terceiro grau, ouve-se fora do quarto com a porta aberta e, no quarto e último, os sons são audíveis fora do quarto mesmo com a porta fechada. Mas é o número de vezes que existe apneia ou redução do débito aéreo por hora, dá o grau de gravidade do problema.
Mudar hábitos, o primeiro passo
Há pessoas que ressonam mas acordam descansadas. Significa que a roncopatia é ligeira, não escondendo um problema de saúde mais grave. Mas ainda assim é útil mudar alguns hábitos, nem que seja em nome de quem tenta dormir na outra metade da cama.
O primeiro dos gestos é uma simples alteração na posição de dormir: nunca de barriga para cima, mas, de preferência, de lado. De seguida, devem evitar-se todos os produtos que possam aumentar a flexibilidade dos músculos da bocae da garganta, como o álcool e medicamentos sedativos ou anti-histamínicos.
Estabelecer um padrão de sono também ajuda à tranquilidade nocturna, o que significa tentar deitar-se sempre à mesma hora.
E perder peso é essencial. Por todas as razões de saúde e por mais esta. Para quem sofre de roncopatia moderada ou grave, estes gestos podem não ser suficientes. Existem faixas adesivas que se aplicam no nariz e dispositivos dentários: o objectivo é o mesmo, facilitar a passagem de ar – no primeiro caso, alargando as vias nasais e, no segundo, ajustando a posição da língua e do palato por forma a haver mais espaço e menos risco de vibração e obstrução. Por vezes, a cirurgia é o recurso mais adequado, sendo aplicadasnos hospitais portugueses várias técnicas.
Quem ressona não deve ignorar as queixas de quem dorme ao lado. A roncopatia é uma causa frequente de instabilidade familiar e de riscos de saúde para o próprio.
Desnecessariamente, porque é possível tratá-la e devolver a tranquilidade às noites domésticas.