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Qualidade do sono dos portugueses

21 Março, 2011 0

Marta Gonçalves, presidente da APS, psiquiatra e especialista em sono, explica que a maioria das pessoas já está alerta para algumas das causas de acidentes de viação – excesso de velocidade, manobras perigosas, álcool, drogas e más condições atmosféricas. “No entanto, não há uma consciencialização para a sonolência como causa de cerca de 20% dos acidentes de viação. Muito menos há o alerta de que o sono é uma das principais causas de acidentes rodoviários fatais em auto-estradas, sendo que são os jovens com menos de 25 anos os mais afectados. É exactamente neste cenário que surge a campanha da APS, onde temos a responsabilidade de alertar para o perigo de conduzir com sono. É fundamental alertar para o facto de não ser apenas a vida do condutor que está em causa, mas a de todos aqueles que andam na estrada”.

O desenvolvimento da campanha contou com o apoio e patrocínio de empresas e entidades como: Ministério da Administração Interna, Governo Civil de Lisboa, Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, Volkswagen, Colunex, Praxair, Linde, Lundbeck, Gasin, Servier, Vital Aire, Fischer + Bus, RTP, Antena 1, ACP e Brisa.

No último ano, 23% dos condutores portugueses experienciou, pelo menos uma vez, uma situação de sonolência ao volante e 3% chegaram mesmo a enquanto conduziam. Estes caracterizam-se por serem mais homens, com idades entre os 25 e os 34, pertencentes a status sociais mais elevados, residentes na grande Lisboa, com alto risco de apneia e com uma má qualidade de sono.

A Dra. Marta Gonçalves, Presidente da Associação Portuguesa do Sono, psiquiatra e especialista em sono, explica que “os resultados apurados estão em linha com o que é verificado noutros países europeus. A APS definiu o tema da sonolência ao volante como prioritário este ano porque estimativas internacionais apontam para que a sonolência esteja relacionada com cerca de 20% do total de acidentes rodoviários.”

Devido à sonolência ao volante, 2.3% dos condutores portugueses teve um acidente ou quase teve um acidente. Em termos absolutos 19 condutores inquiridos quase tiveram um acidente e 6 condutores tiveram pelo menos um acidente no último ano devido ao sono.

Dos condutores que quase tiveram, ou tiveram, acidente, existe uma maior tendência para que sejam homens, com idades entre os 18 e os 24 anos, pertencentes ao status social médio alto e médio, residentes na Grande Lisboa, com alto risco de apneia no sono, com uma má qualidade de sono e obesos. Estes condutores bebem em média 3 cafés por dia, o que está acima da média da população.

Dos portugueses que no último conduziram sonolentos ou adormeceram ao volante, 10% teve ou quase teve um acidente. Em termos de perfil podemos, a título meramente indicativo, dizer que são mais os homens, com idades entre os 18 e os 34 anos, pertencentes ao status social médio alto e médio, residentes na Grande Lisboa, com alto risco de apneia no sono, com uma má qualidade de sono e obesos, que apresentam uma maior propensão a estar numa situação de quase acidente ou acidente devido à sonolência na condução.

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