O seu sono é de qualidade?
Também o Dr. Miguel Ferreira defende que “a cirurgia ocupa um lugar muito importante no tratamento destas patologias. É sabido que o factor isolado mais importante para o menor sucesso destas cirurgias é o excesso de peso/índice de massa corporal. Pelo que, se tem excesso de peso, terá forçosamente de o perder para resolver a sua roncopatia/ ou a sua SAOS”. O mesmo especialista explica quais são as alternativas quando a cirurgia não está indicada a determinado paciente. “Existem aparelhos que provocam o aumento da pressão de ar inspirado, para que este vença a resistência da obstrução. O aparelho mais utilizado é o CPAP (pressão positiva contínua na via aérea)”. Dicas para um sono de qualidade Por Dra. Rosa Cruz, pneumologista – Acordar e deitar a horas certas garante a estabilização do ciclo sono-vigília. – Dormir nem de mais, nem de menos. Os adultos necessitam de sete a oito horas de descanso / dia e os idosos, cinco a seis horas. Dormir de mais pode fragmentar o sono e piorar a qualidade. – Se sofre de insónias, não deve dormir a sesta. – Praticar exercício físico preferencialmente de manhã ou de tarde. – Evitar refeições pesadas antes de adormecer. Não deve consumir regularmente, principalmente à noite, substâncias excitantes, como o álcool, chá, café ou coca-cola. – Ter bom ambiente no quarto (escuridão, silêncio, boa temperatura e conforto) é fundamental.
Mas para que isso aconteça é necessário dormir bem e evitar as típicas perturbações do sono. Tudo se complica se o(a) nosso(a) parceiro(a) sofre de roncopatia ou de apneia do sono, “duas patologias distintas dentro dos distúrbios respiratórios durante o sono”. Este foi um dos temas debatidos em entrevista ao Dr. Miguel Ferreira, otorrinolaringologista do Hospital Ordem do Carmo, à Dra. Rosa Cruz, pneumologista do mesmo hospital e ao Dr. António Manuel Paiva, médico otorrinolaringologista dos Hospitais da Universidade de Coimbra e presidente da Sociedade Portuguesa de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (SPORL).
Está ainda convidado a conhecer as principais recomendações para ter um sono de qualidade e a medir o seu grau de sonolência durante o dia, através da Escala de Sonolência de Epworth.
“O sono é fundamental no repouso e na sensação de bem-estar que o ser humano necessita diariamente. Qualquer perturbação do ciclo do sono terá consequências na saúde”, afirma a Dra. Rosa Cruz.
Para o presidente da SPORL, “sob o ponto de vista da otorrinolaringologia, o sono influencia a fisiologia das vias aéreas superiores, na medida em que contribui de forma significativa à resistência oferecida pelas suas estruturas à passagem do ar: assim, o nariz e as fossas nasais, a faringe, laringe, traqueia e a caixa torácica são as diferentes zonas de resistência, sendo a nasal a mais importante”.
O mesmo especialista afirma que “durante o sono, há uma diminuição do tonus dos músculos”. A roncopatia e a apneia obstrutiva do sono são duas patologias mais frequentes dentro dos distúrbios respiratórios durante o sono.
Ressonar pode levar ao divórcio
A roncopatia é o vulgo ressonar e o síndroma da apneia obstrutiva do sono (SAOS) acontece quando um indivíduo pára de respirar enquanto dorme. “Crianças e adultos podem ser afectados pelo SAOS, contudo a sua prevalência é maior nos adultos do sexo masculino, entre os 30 e os 50 anos. A prevalência da SAOS sintomática na população adulta é de 4 por cento nos homens e 2 por cento nas mulheres”, afirma a pneumologista.
Por outro lado, “em cada cem pessoas, vinte sofrem de roncopatia e uma tem SAOS”, diz o Dr. Miguel Ferreira. Muitas pessoas consideram a roncopatia normal. No entanto, “é uma doença que deve ser estudada e tratada. Normalmente, o roncopata puro sem outros distúrbios respiratórios durante o sono não tem quaisquer queixas, excepto alguma secura da boca nas situações em que há obstrução nasal permanente. Nestas situações, a respiração nocturna faz-se predominantemente pela boca”, acrescenta o otorrinolaringologista.

