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O alívio que vem do escuro

É no escuro e no silêncio que os doentes que sofrem de enxaquecas buscam alívio. Trata-se de uma dor de cabeça mas não igual às outras, é mais forte e latejante e afecta sobretudo mulheres e na idade activa: é a influência das hormonas e do stress…

Quando a dor persiste por horas ou mesmo dias, quando se declara apenas num dos lados da cabeça, intensa e latejante, provocando intolerância à luz e ao som e sendo, com frequência, acompanhada de náuseas e vómitos está-se perante uma enxaqueca. É uma dor de cabeça, mas não é uma dor qualquer: é que as crises são recorrentes e crónicas, o que significa que apenas se consegue alívio mas não cura.

Distingue-se ainda das demais dores de cabeça por se agravar com o esforço físico e por interferir com as actividades do quotidiano, ao ponto de ser considerada pela Organização Mundial de Saúde como uma das vinte doenças mais incapacitantes.

Afinal, uma enxaqueca típica pode prolongar-se por 72 horas ou mais. E pode surgir várias vezes por mês, afectando claramente a capacidade dos doentes para desempenharem as suas tarefas profissionais.

Para algumas pessoas a enxaqueca vai para além dos sintomas comuns: podem sofrer alterações na visão, vendo luzes cintilantes, linhas oscilantes ou manchas, podem sentir formigueiro ou adormecimento de um braço ou perna, e podem até registar alterações na fala. É assim que se manifesta a chamada aura, um conjunto de sinais neurológicos que precede ou acompanha a enxaqueca e que ocorre em apenas cerca de 20 por cento dos doentes.

Com ou sem aura, a enxaqueca pode ser anunciada algumas horas ou até um dia antes de se instalar: há quem sinta uma sensação de intensa energia ou, pelo contrário, de fadiga, um desejo invulgar por determinados alimentos, entre eles doces, sede acrescida, tonturas, irritabilidade, ansiedade ou depressão. É a fase premonitória da enxaqueca.

Não se sabe exactamente o que desencadeia esta dor de cabeça tão específica, mas as explicações apontam para uma combinação da genética e do ambiente. Tudo indica que haja também influência de neurotransmissores (caso da serotonina – um químico existente no sistema nervoso que ajuda a regular a dor e intervém nos processos de bem-estar físico e emocional).

Sabe-se que os níveis de serotonina baixam durante uma crise de enxaqueca, o que pode levar o sistema de gestão da dor a libertar substâncias que, ao atingirem as meninges (as membranas que revestem o cérebro), causam a dor. Também se defende que a influência de péptidos vasoactivos e inflamação de vasos sanguíneos podem estar envolvidos. A toma de pílula contraceptiva nalgumas mulheres agrava, noutras melhora e há as que não sentem qualquer efeito.

Causas à parte, são conhecidos alguns factores de risco para a enxaqueca. O primeiro deles são as hormonas femininas, mais precisamente os estrogénios e as suas flutuações em momentos como a menstruação, a gravidez e a menopausa. Daí que as enxaquecas possam surgir imediatamente antes ou depois do período menstrual ou que sejam mais frequentes nas mulheres que tomam a pílula contraceptiva.

Também o consumo de certos alimentos parece atrair as enxaquecas: assim acontece com o álcool, sobretudo cerveja e vinho tinto, com o queijo, em particular curado, o chocolate e o aspartame (adoçante), bem como com a cafeína, os produtos salgados. Saltar refeições ou fazer jejum é igualmente nefasto.

[Continua na página seguinte]

Nesta balança pesam ainda o stress, o que justifica que a maioria dos doentes esteja na idade activa, e mudanças nos padrões de sono – dormir pouco ou demasiado é desaconselhado para quem sofre de enxaquecas, sendo também de evitar o jet lag, a diferença de fusos horários própria das viagens para outras latitudes.

Há ainda que contar com alguns estímulos sensoriais, como as luzes muito brilhantes e a luz do sol ou os sons demasiado elevados. Odores invulgares, sejam agradáveis como os do perfume ou desagradáveis como os da tinta, têm o mesmo efeito.

Qualquer pessoa pode ter enxaquecas, mas a probabilidade aumenta quando se é mulher, quando se sofre alterações hormonais significativas, quando se tem até 40, no máximo 50 anos, e quando se é muito susceptível ao stress.

 

Sem cura mas tratamento

Certo é que as enxaquecas não têm cura. Têm, no entanto, tratamento, ainda que a grande maioria dos doentes não o procure. E o tratamento pode envolver duas vertentes: o alívio dos sintomas ou a prevenção.

No primeiro caso pode envolver medicamentos como os analgésicos ou anti-inflamatórios não esteróides, mais adequados nas crises ligeiras, ou fármacos específicos anti-enxaqueca quando a dor é moderada a severa. Em complemento, podem ser recomendados medicamentos anti-náusea.

O importante é que sejam tomados mal os sintomas despontam, de modo a obter uma maior eficácia. Deve permanecer-se em repouso, podendo ser útil o recolhimento num espaço escuro e tranquilo. Afinal, as enxaquecas agravam-se com o esforço e com luzes e sons intensos – trata-se, assim, de contrariar estes factores.

Outra alternativa terapêutica envolve uma abordagem profiláctica, passando pela toma de medicamentos que ajudam a prevenir as crises. É particularmente útil quando as enxaquecas são muito frequentes e suficientemente severas para interferirem com a actividade normal dos doentes.

Estes fármacos contribuem para reduzir a frequência, duração e intensidade das dores, potenciando ainda a acção dos medicamentos para alívio dos sintomas. Entre eles, encontram-se os beta-bloqueadores, vocacionados para as doenças cardiovasculares, os antidepressivos e os anti-epilépticos.

Nas mãos dos doentes está ainda evitar, sempre que possível, os factores desencadeantes das enxaquecas, nomeadamente os alimentos de risco e a exposição a luzes e sons demasiado intensos. Manter hábitos de sono regulares, fazer exercício físico moderado, repousar e relaxar, evitando os momentos de stress, são também boas ajudas.

Há outros factores mais difíceis de contornar como as alterações hormonais nas mulheres, mas são situações em que pode ser aconselhada a terapêutica preventiva.

Calcula-se que as enxaquecas afectem 10 a 15 por cento da população adulta. Porém, muito poucos são os que fazem tratamento adequado, talvez por não conhecerem a verdadeira dimensão e o impacto real deste tipo de dor de cabeça.

[Continua na página seguinte]

Registar a dor

Manter um diário da dor pode ajudar o médico a diagnosticar e tratar melhor a enxaqueca. Assim, é útil anotar os seguintes elementos:
• Quando é que a dor começa;
• Onde se localiza;
• Quanto tempo dura;
• O que parece desencadeá-la;
• O que parece agravá-la;
• O que a alivia;
• Com que frequência surge;
• Quais os sintomas associados;
• Que impacto no quotidiano.

 

À mercê das hormonas?

Ser mulher é uma desvantagem no que toca às dores de cabeça e, em particular, às enxaquecas.

Tudo devido às hormonas femininas – os estrogénios e a progesterona. Estas hormonas estão envolvidas na regulação do ciclo menstrual e na gravidez e, ao que tudo indica, também interferem com os químicos que, no cérebro, controlam o mecanismo da dor. Assim, níveis hormonais mais baixos parecem acentuar a dor, enquanto níveis mais elevados terão o efeito oposto.

Durante a menstruação, há uma queda acentuada dos níveis de estrogénios, o que torna as mulheres mais sensíveis à dor. Aliás, a dor de cabeça é mesmo um dos sintomas da síndrome pré-menstrual, podendo estender-se a todo o período. É um desconforto que se alivia com recurso a analgésicos ou antiinflamatórios não esteróides. Porém, quando a dor é tão regular como o ciclo pode ser aconselhada medicação preventiva.

Há mulheres que têm dores de cabeça pela primeira vez quando começam a tomar a pílula contraceptiva. Mais uma vez devido aos estrogénios. Quando isso acontece de uma forma repetitiva, é de ponderar a mudança de pílula, por exemplo para uma apenas com progesterona. Mas a decisão deve ser tomada com aconselhamento médico, naturalmente.

Os níveis de estrogénios sobem rapidamente no início da gravidez, mantendo-se elevados durante os nove meses. Em consequência, as dores de cabeça podem atenuar-se ou até desaparecer, só voltando após o parto, dado que há uma queda abrupta na produção hormonal.

Mas, se as dores surgirem durante a gravidez ou a amamentação, há que consultar o médico para obter a forma mais adequada de alívio: é que nem todos os medicamentos podem ser tomados.

Outra altura em que ocorre uma mudança nos padrões hormonais é a menopausa. Há mulheres que apresentam uma clara melhoria das dores de cabeça, outras que sofrem mais, independentemente de estarem a fazer terapia hormonal de substituição.

Cada caso é um caso. Há mulheres mais sensíveis aos efeitos das hormonas do que outras, mas uma coisa é certa: se as dores de cabeça perturbam as actividades habituais há que procurar tratamento.

Quando a dor persiste por horas ou mesmo dias, quando se declara apenas num dos lados da cabeça, intensa e latejante, provocando intolerância à luz e ao som e sendo, com frequência, acompanhada de náuseas e vómitos está-se perante uma enxaqueca. É uma dor de cabeça, mas não é uma dor qualquer: é que as crises são recorrentes e crónicas, o que significa que apenas se consegue alívio mas não cura.

Distingue-se ainda das demais dores de cabeça por se agravar com o esforço físico e por interferir com as actividades do quotidiano, ao ponto de ser considerada pela Organização Mundial de Saúde como uma das vinte doenças mais incapacitantes.

Afinal, uma enxaqueca típica pode prolongar-se por 72 horas ou mais. E pode surgir várias vezes por mês, afectando claramente a capacidade dos doentes para desempenharem as suas tarefas profissionais.

Para algumas pessoas a enxaqueca vai para além dos sintomas comuns: podem sofrer alterações na visão, vendo luzes cintilantes, linhas oscilantes ou manchas, podem sentir formigueiro ou adormecimento de um braço ou perna, e podem até registar alterações na fala. É assim que se manifesta a chamada aura, um conjunto de sinais neurológicos que precede ou acompanha a enxaqueca e que ocorre em apenas cerca de 20 por cento dos doentes.

Com ou sem aura, a enxaqueca pode ser anunciada algumas horas ou até um dia antes de se instalar: há quem sinta uma sensação de intensa energia ou, pelo contrário, de fadiga, um desejo invulgar por determinados alimentos, entre eles doces, sede acrescida, tonturas, irritabilidade, ansiedade ou depressão. É a fase premonitória da enxaqueca.

Não se sabe exactamente o que desencadeia esta dor de cabeça tão específica, mas as explicações apontam para uma combinação da genética e do ambiente. Tudo indica que haja também influência de neurotransmissores (caso da serotonina – um químico existente no sistema nervoso que ajuda a regular a dor e intervém nos processos de bem-estar físico e emocional).

Sabe-se que os níveis de serotonina baixam durante uma crise de enxaqueca, o que pode levar o sistema de gestão da dor a libertar substâncias que, ao atingirem as meninges (as membranas que revestem o cérebro), causam a dor. Também se defende que a influência de péptidos vasoactivos e inflamação de vasos sanguíneos podem estar envolvidos. A toma de pílula contraceptiva nalgumas mulheres agrava, noutras melhora e há as que não sentem qualquer efeito.

Causas à parte, são conhecidos alguns factores de risco para a enxaqueca. O primeiro deles são as hormonas femininas, mais precisamente os estrogénios e as suas flutuações em momentos como a menstruação, a gravidez e a menopausa. Daí que as enxaquecas possam surgir imediatamente antes ou depois do período menstrual ou que sejam mais frequentes nas mulheres que tomam a pílula contraceptiva.

Também o consumo de certos alimentos parece atrair as enxaquecas: assim acontece com o álcool, sobretudo cerveja e vinho tinto, com o queijo, em particular curado, o chocolate e o aspartame (adoçante), bem como com a cafeína, os produtos salgados. Saltar refeições ou fazer jejum é igualmente nefasto.

[Continua na página seguinte]

Nesta balança pesam ainda o stress, o que justifica que a maioria dos doentes esteja na idade activa, e mudanças nos padrões de sono – dormir pouco ou demasiado é desaconselhado para quem sofre de enxaquecas, sendo também de evitar o jet lag, a diferença de fusos horários própria das viagens para outras latitudes.

Há ainda que contar com alguns estímulos sensoriais, como as luzes muito brilhantes e a luz do sol ou os sons demasiado elevados. Odores invulgares, sejam agradáveis como os do perfume ou desagradáveis como os da tinta, têm o mesmo efeito.

Qualquer pessoa pode ter enxaquecas, mas a probabilidade aumenta quando se é mulher, quando se sofre alterações hormonais significativas, quando se tem até 40, no máximo 50 anos, e quando se é muito susceptível ao stress.

 

Sem cura mas tratamento

Certo é que as enxaquecas não têm cura. Têm, no entanto, tratamento, ainda que a grande maioria dos doentes não o procure. E o tratamento pode envolver duas vertentes: o alívio dos sintomas ou a prevenção.

No primeiro caso pode envolver medicamentos como os analgésicos ou anti-inflamatórios não esteróides, mais adequados nas crises ligeiras, ou fármacos específicos anti-enxaqueca quando a dor é moderada a severa. Em complemento, podem ser recomendados medicamentos anti-náusea.

O importante é que sejam tomados mal os sintomas despontam, de modo a obter uma maior eficácia. Deve permanecer-se em repouso, podendo ser útil o recolhimento num espaço escuro e tranquilo. Afinal, as enxaquecas agravam-se com o esforço e com luzes e sons intensos – trata-se, assim, de contrariar estes factores.

Outra alternativa terapêutica envolve uma abordagem profiláctica, passando pela toma de medicamentos que ajudam a prevenir as crises. É particularmente útil quando as enxaquecas são muito frequentes e suficientemente severas para interferirem com a actividade normal dos doentes.

Estes fármacos contribuem para reduzir a frequência, duração e intensidade das dores, potenciando ainda a acção dos medicamentos para alívio dos sintomas. Entre eles, encontram-se os beta-bloqueadores, vocacionados para as doenças cardiovasculares, os antidepressivos e os anti-epilépticos.

Nas mãos dos doentes está ainda evitar, sempre que possível, os factores desencadeantes das enxaquecas, nomeadamente os alimentos de risco e a exposição a luzes e sons demasiado intensos. Manter hábitos de sono regulares, fazer exercício físico moderado, repousar e relaxar, evitando os momentos de stress, são também boas ajudas.

Há outros factores mais difíceis de contornar como as alterações hormonais nas mulheres, mas são situações em que pode ser aconselhada a terapêutica preventiva.

Calcula-se que as enxaquecas afectem 10 a 15 por cento da população adulta. Porém, muito poucos são os que fazem tratamento adequado, talvez por não conhecerem a verdadeira dimensão e o impacto real deste tipo de dor de cabeça.

[Continua na página seguinte]

Registar a dor

Manter um diário da dor pode ajudar o médico a diagnosticar e tratar melhor a enxaqueca. Assim, é útil anotar os seguintes elementos:
• Quando é que a dor começa;
• Onde se localiza;
• Quanto tempo dura;
• O que parece desencadeá-la;
• O que parece agravá-la;
• O que a alivia;
• Com que frequência surge;
• Quais os sintomas associados;
• Que impacto no quotidiano.

 

À mercê das hormonas?

Ser mulher é uma desvantagem no que toca às dores de cabeça e, em particular, às enxaquecas.

Tudo devido às hormonas femininas – os estrogénios e a progesterona. Estas hormonas estão envolvidas na regulação do ciclo menstrual e na gravidez e, ao que tudo indica, também interferem com os químicos que, no cérebro, controlam o mecanismo da dor. Assim, níveis hormonais mais baixos parecem acentuar a dor, enquanto níveis mais elevados terão o efeito oposto.

Durante a menstruação, há uma queda acentuada dos níveis de estrogénios, o que torna as mulheres mais sensíveis à dor. Aliás, a dor de cabeça é mesmo um dos sintomas da síndrome pré-menstrual, podendo estender-se a todo o período. É um desconforto que se alivia com recurso a analgésicos ou antiinflamatórios não esteróides. Porém, quando a dor é tão regular como o ciclo pode ser aconselhada medicação preventiva.

Há mulheres que têm dores de cabeça pela primeira vez quando começam a tomar a pílula contraceptiva. Mais uma vez devido aos estrogénios. Quando isso acontece de uma forma repetitiva, é de ponderar a mudança de pílula, por exemplo para uma apenas com progesterona. Mas a decisão deve ser tomada com aconselhamento médico, naturalmente.

Os níveis de estrogénios sobem rapidamente no início da gravidez, mantendo-se elevados durante os nove meses. Em consequência, as dores de cabeça podem atenuar-se ou até desaparecer, só voltando após o parto, dado que há uma queda abrupta na produção hormonal.

Mas, se as dores surgirem durante a gravidez ou a amamentação, há que consultar o médico para obter a forma mais adequada de alívio: é que nem todos os medicamentos podem ser tomados.

Outra altura em que ocorre uma mudança nos padrões hormonais é a menopausa. Há mulheres que apresentam uma clara melhoria das dores de cabeça, outras que sofrem mais, independentemente de estarem a fazer terapia hormonal de substituição.

Cada caso é um caso. Há mulheres mais sensíveis aos efeitos das hormonas do que outras, mas uma coisa é certa: se as dores de cabeça perturbam as actividades habituais há que procurar tratamento.

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