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História familiar é ponto de partida

21 Maio, 2007 0

As análises clínicas podem ser consideradas o procedimento mais clássico, quando falamos em exames de rotina ou check-ups. Há, no entanto, muitas expressões que deixam dúvidas ou que carecem mesmo de conhecimento por parte de quem vai ao médico.

Antes de mais, existe, à partida, um dado fundamental a ter em conta, como explica o Dr. Sousa Dias, clínico geral:

«Todo o processo deve ser enquadrado na história clínica do indivíduo, a que se acrescentam factores como o passado familiar e as queixas do momento.»

A partir daí, basta encetar as rotinas consideradas normais, a que aqui vamos fazer referência com a ajuda deste médico.

O hemograma, por exemplo, permite o rastreio de anemias, leucemias e verifica o nível de plaquetas no sangue. Por outro lado, diz Sousa Dias, a velocidade de sedimentação, outra das análises que podem ser pedidas, «assume relevo, quando muito elevada, ao permitir o despiste de algumas doenças reumáticas ou alguns tipos de cancro».

Também cabe aqui a verificação da função renal, através da ureia, da crea­tinina e da chamada urina 2.

O despiste de infecções do aparelho urinário entra igualmente nesta bateria de análises, sobretudo se existirem queixas sugestivas. Neste âmbito, é efectuada uma urina asséptica com eventual TSA (teste de sensibilidade aos antibióticos) para tentar identificar os agentes patogénicos responsáveis por infecções, assim como o(s) antibiótico(s) mais eficaz(es).

No estudo da função hepática (fígado) é conveniente detectar anomalias em determinados enzimas (substâncias de natureza proteica, que activam reacções químicas da célula), como as transaminases. O termo pode confundir, mas a sua intenção é clara: a morte celular no fígado é denunciada pela libertação daquelas enzimas específicas acima referidas. Sousa Dias destaca, ainda, a relevância da verificação das bilirrubinas, que se encontram elevadas nos quadros de icterícia.

Em pessoas que abusam de álcool, é frequente encontrar alterações numa outra enzima, denominada gama GT, decorrentes desse comportamento. Já a fosfatase alcalina não é específica do fígado, mas pode, na ausência de doença óssea ou do tracto biliar, «detectar o aparecimento de metástases, lesões secundárias relaciona­das com um cancro localizado em qualquer parte do corpo», explica o clínico.

Quem estiver a tomar medicação anticoagulante, porque sofre de valvulopatias ou de certas arritmias, tem necessidade de uma vigilância do tempo de protrombina; esta análise faz a «medição» dos seis factores da coagulação sanguínea fabricados pelo fígado, cinco deles necessitando da presença da vitamina K, pelo que estará alterada quando há lesões do fígado e/ou défice de vitamina K, como acontece em doenças do tracto biliar, insuficiência pancreática com má absorção e dieta pobre nesta vitamina.

Colesterol, diabetes

As análises de rastreio a disfunções metabólicas assumem cada vez mais importância, na proporção do aumento deste tipo de patologias. Falamos aqui nas averiguações ao colesterol – bom (HDL), porque remove o excesso de colesterol, e mau (LDL), porque o deposita nas artérias –, mas também dos triglicéridos. E, claro, a glicemia, cuja elevação se deve à famigerada diabetes. Estes são factores que, reconhecidamente, contribuem para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares

Aliás, para além do teste da glicemia, esta doença – diabetes – deve ser vigiada através da hemoglobina glicosilada, «que fornece o valor médio de glicose no sangue dos últimos três meses e, especialmente, do último mês», sublinha o médico.

Além destes «testes» base, que podem constituir a rotina, há ainda a conside­rar circunstâncias especiais, como, por exemplo, a gravidez, que também exige medidas excepcionais. Neste particular, há que ter em atenção problemas como a diabetes e infecções como a toxoplasmose, rubéola, hepatite B, SIDA e outras doenças sexua­lmente transmissíveis que, segundo o clínico geral, podem constituir um risco para a saúde da mãe e do filho.

Mas as preocupações não se ficam por aqui e incidem igualmente, diz Sousa Dias, «sobre o despiste das chamadas infecções urinárias assintomáticas que são frequentes na mulher grávida».

No campo da vigilância, a análise conhe­cida por microalbumina – detecção de pequenas quantidades de proteínas na urina – «constitui um indicador precoce de disfunção cardiovascular e nefroló­gica (rins), sendo obrigatória nas pessoas hipertensas ou que sejam diabéticas», sustenta o clínico.

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