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Dores de coluna: quem as não tem?

A coluna vertebral é uma das estruturas do corpo humano que, nos tempos modernos, mais problemas apresenta. Os problemas de coluna afectam ambos os sexos e todas as idades sendo, no entanto, mais frequente entre os 25 e os 45 anos de idade, isto é, no período de maior produtividade.

Por isso, no que se refere às dores de costas, os especialistas dizem que há dois tipos de pessoas: as que têm problemas e as que virão a ter.

As dores de costas têm um impacto socioeconómico muito elevado, provocado pelas faltas ao trabalho e pelas elevadas verbas que se gastam em meios auxiliares de diagnóstico (radiografias, TAC, ressonâncias), medicamentos (analgésicos, anti-inflamatórios), tratamentos de recuperação, etc). A sua dimensão é impressionante, visto que, a seguir à gripe, é o problema de saúde que provoca maior número de faltas ao emprego, mas por períodos mais alargados. É uma das dores mais frequentes, só ultrapassada pelas cefaleias (dores de cabeça). De referir que muitas destas são provocadas por problemas de coluna. Estes problemas são ainda a principal causa de reforma antecipada, por incapacidade ou invalidez.

A medicina moderna tem sido bem sucedida no tratamento de muitas doenças. No entanto, apesar de todos os esforços e do amplo conhecimento científico, os programas dirigidos para a resolução de problemas de coluna não têm apresentado resultados animadores. A coluna vertebral deve ser entendida como um “mastro ou eixo do corpo”, responsável pelo equilíbrio global do corpo, pelo que, quando este se altera, a probabilidade de ocorrerem problemas é enorme. De facto, a incapacidade provocada pela lombalgia assume contornos cada vez mais graves, em consequência da não tomada em consideração de um conjunto de atitudes preventivas no dia-a-dia.

De entre as dores mais frequentes temos as lombalgias ou dores na região inferior das costas.

 

Cuidar da coluna

Contra algumas opiniões, a maioria das dores nas costas não são provocadas por grandes esforços, mas aparecem como consequência de atitudes posturais incorrectas ou esforços pequenos mas repetidos. De facto, a coluna vertebral está preparada para realizar variadíssimos movimentos e assumir um sem número de posições, tais como, sentado, deitado, de pé, encolhido, esticado, “torcido” e inclinado para qualquer dos lados, porque tem uma grande capacidade de mobilização e de adaptação.

No entanto, não foi feita para passar longos períodos (4 a 6 horas por dia) em qualquer dessas posições. Como se diz em farmacologia: “a diferença entre vacina e veneno é a quantidade”. O problema não é estar no pegar, ocasionalmente, numa carga, estar mal sentado de vez em quando, ou andar de saltos altos esporadicamente, mas sim assumir esse tipo de comportamentos regularmente.

[Continua na página seguinte]

Desta forma, os grandes vilões da nossa coluna são os designados “micro-traumatismos de repetição”. Estes são provocados por situações repetidas, associadas à nossa profissão ou dia-a-dia, geradoras de traumatismos que, mesmo sendo pequenos, assumem uma enorme proporção quando realizados continuadamente ao longo dos dias, meses e anos.

Como dificilmente temos as opções de deixar de trabalhar ou de arranjar profissões “mais saudáveis” ou compatíveis com eventuais problemas de coluna, é fundamental adoptar estratégias de compensação e de prevenção. Assim, nos próximos números apresentaremos um conjunto de sugestões relativas ao exercício físico, à actividade profissional e às tarefas do dia-a-dia, entendidas como propostas para uma “higiene regular da coluna vertebral”. Têm como objectivo prevenir/evitar eventuais problemas nesta estrutura tão sensível, de modo a que ela não se transforme no “eixo do mal”, como tantas vezes tem sido apelidada.

 

Factores de risco:

Sexo: a probabilidade de a mulher ter problemas de coluna é cerca de cinco vezes superior à do homem;

A incapacidade muscular: as principais funções dos músculos são mobilizar e suportar. A falta de exercício regular faz com que eles percam grande parte da sua capacidade e funcionalidade;

As posturas incorrectas: somos pouco cuidadosos nas posturas diárias;

Sobrepeso ou obesidade: os indivíduos com “peso a mais”, pela carga que este exerce sobre a coluna, estão mais propensos a quadros dolorosos;

Ansiedade/depressão: a pessoa deprimida adopta, frequentemente, uma má postura, andando cabisbaixa e com os ombros arqueados para a frente, o que dá maior predisposição para o aparecimento da dor;

Jornada de trabalho longa: quanto mais longo for o dia de trabalho, maior é a probabilidade de se contrair problemas de coluna;

Inadequação dos equipamentos disponíveis: equipamentos de trabalho, como secretárias, ou cadeiras e domésticos, como a tábua de passar a ferro ou a banca da louça, nem sempre estão adaptados à nossa morfologia (tamanho) e podem causar ou agravar problemas;

Movimentos ou tarefas repetitivas: causam os designados micro-traumatismos de repetição, que estão na origem de inúmeras situações dolorosas;

Stresse emocional e exigência de produtividade: é comum que o stresse provocado pelas elevadas exigências do emprego conduza a síndromes dolorosas.

Rui Garganta, Professor da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto

Por isso, no que se refere às dores de costas, os especialistas dizem que há dois tipos de pessoas: as que têm problemas e as que virão a ter.

As dores de costas têm um impacto socioeconómico muito elevado, provocado pelas faltas ao trabalho e pelas elevadas verbas que se gastam em meios auxiliares de diagnóstico (radiografias, TAC, ressonâncias), medicamentos (analgésicos, anti-inflamatórios), tratamentos de recuperação, etc). A sua dimensão é impressionante, visto que, a seguir à gripe, é o problema de saúde que provoca maior número de faltas ao emprego, mas por períodos mais alargados. É uma das dores mais frequentes, só ultrapassada pelas cefaleias (dores de cabeça). De referir que muitas destas são provocadas por problemas de coluna. Estes problemas são ainda a principal causa de reforma antecipada, por incapacidade ou invalidez.

A medicina moderna tem sido bem sucedida no tratamento de muitas doenças. No entanto, apesar de todos os esforços e do amplo conhecimento científico, os programas dirigidos para a resolução de problemas de coluna não têm apresentado resultados animadores. A coluna vertebral deve ser entendida como um “mastro ou eixo do corpo”, responsável pelo equilíbrio global do corpo, pelo que, quando este se altera, a probabilidade de ocorrerem problemas é enorme. De facto, a incapacidade provocada pela lombalgia assume contornos cada vez mais graves, em consequência da não tomada em consideração de um conjunto de atitudes preventivas no dia-a-dia.

De entre as dores mais frequentes temos as lombalgias ou dores na região inferior das costas.

 

Cuidar da coluna

Contra algumas opiniões, a maioria das dores nas costas não são provocadas por grandes esforços, mas aparecem como consequência de atitudes posturais incorrectas ou esforços pequenos mas repetidos. De facto, a coluna vertebral está preparada para realizar variadíssimos movimentos e assumir um sem número de posições, tais como, sentado, deitado, de pé, encolhido, esticado, “torcido” e inclinado para qualquer dos lados, porque tem uma grande capacidade de mobilização e de adaptação.

No entanto, não foi feita para passar longos períodos (4 a 6 horas por dia) em qualquer dessas posições. Como se diz em farmacologia: “a diferença entre vacina e veneno é a quantidade”. O problema não é estar no pegar, ocasionalmente, numa carga, estar mal sentado de vez em quando, ou andar de saltos altos esporadicamente, mas sim assumir esse tipo de comportamentos regularmente.

[Continua na página seguinte]

Desta forma, os grandes vilões da nossa coluna são os designados “micro-traumatismos de repetição”. Estes são provocados por situações repetidas, associadas à nossa profissão ou dia-a-dia, geradoras de traumatismos que, mesmo sendo pequenos, assumem uma enorme proporção quando realizados continuadamente ao longo dos dias, meses e anos.

Como dificilmente temos as opções de deixar de trabalhar ou de arranjar profissões “mais saudáveis” ou compatíveis com eventuais problemas de coluna, é fundamental adoptar estratégias de compensação e de prevenção. Assim, nos próximos números apresentaremos um conjunto de sugestões relativas ao exercício físico, à actividade profissional e às tarefas do dia-a-dia, entendidas como propostas para uma “higiene regular da coluna vertebral”. Têm como objectivo prevenir/evitar eventuais problemas nesta estrutura tão sensível, de modo a que ela não se transforme no “eixo do mal”, como tantas vezes tem sido apelidada.

 

Factores de risco:

Sexo: a probabilidade de a mulher ter problemas de coluna é cerca de cinco vezes superior à do homem;

A incapacidade muscular: as principais funções dos músculos são mobilizar e suportar. A falta de exercício regular faz com que eles percam grande parte da sua capacidade e funcionalidade;

As posturas incorrectas: somos pouco cuidadosos nas posturas diárias;

Sobrepeso ou obesidade: os indivíduos com “peso a mais”, pela carga que este exerce sobre a coluna, estão mais propensos a quadros dolorosos;

Ansiedade/depressão: a pessoa deprimida adopta, frequentemente, uma má postura, andando cabisbaixa e com os ombros arqueados para a frente, o que dá maior predisposição para o aparecimento da dor;

Jornada de trabalho longa: quanto mais longo for o dia de trabalho, maior é a probabilidade de se contrair problemas de coluna;

Inadequação dos equipamentos disponíveis: equipamentos de trabalho, como secretárias, ou cadeiras e domésticos, como a tábua de passar a ferro ou a banca da louça, nem sempre estão adaptados à nossa morfologia (tamanho) e podem causar ou agravar problemas;

Movimentos ou tarefas repetitivas: causam os designados micro-traumatismos de repetição, que estão na origem de inúmeras situações dolorosas;

Stresse emocional e exigência de produtividade: é comum que o stresse provocado pelas elevadas exigências do emprego conduza a síndromes dolorosas.

Rui Garganta, Professor da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto

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