Cuidados a ter na exposição solar
A pele dispõe de mecanismos altamente eficazes na reparação dos danos induzidos pela radiação ultravioleta a nível celular. Todavia a eficácia destes mecanismos vai diminuindo gradualmente com a idade, levando ao aparecimento de mutações eventualmente precursoras de lesões cutâneas malignas.
Quais os cuidados específicos para proteger as crianças do sol?
A imaturidade da pele das crianças torna-a muito mais vulnerável à radiação solar. Por isso, a exposição directa ao sol das crianças com menos de dois anos deve ser evitada, sobretudo entre as 11.30 e as 17.30 horas.
As melhores formas de protecção são a sombra e o vestuário, sem esquecer os óculos de sol. Além disso, deve aplicar-se um protector solar, com um factor de protecção igual ou superior a 30, nas áreas mais expostas. As queimaduras solares sofridas na infância são um dos principais factores de risco de aparecimento, décadas mais tarde, do melanoma, uma das formas mais perigosas de cancro da pele.
Em que medida o vestuário pode servir de complemento à protecção solar?
O vestuário é um componente fundamental na fotoprotecção das crianças, nomeadamente o chapéu, T-shirt e calções. As peças de vestuário devem ter uma malha densa que impeça a passagem da radiação solar. Existe controvérsia sobre a vantagem das cores escuras em relação às claras. As primeiras, sobretudo o azul-escuro, absorvem melhor a radiação mas são mais quentes; as segundas são mais frescas e melhor reflectoras.
Podemos afirmar que o bronzeado está na moda? Qual a tendência para os próximos anos?
O bronzeado está de facto na moda; tornou-se num símbolo de status social, traduzindo o acesso a períodos de lazer e facilidade em viajar para destinos exóticos. Noutras épocas a cor “trigueira” estava associada à população trabalhadora rural, contrastando com a pele branca leitosa, de “sangue azul”, da aristocracia e da burguesia urbana abastada.
As pessoas são muito diferentes entre si em relação à tolerância da pele à exposição solar. Esperemos que no futuro passe a haver mais bom senso e que cada um tenha a tonalidade mais de acordo com o seu tipo de pele ou fototipo.
Uma pessoa ruiva ou loira e sardenta nunca conseguirá um tom moreno mediterrânico, por mais que se esforce e ponha em risco a saúde da sua pele.
A utilização dos auto-bronzeadores pode ser recomendada?
Os auto-bronzeadores de aplicação tópica são de modo geral inofensivos, desde que se tenha consciência de que não possuem qualquer efeito fotoprotector.
A maioria dos auto-bronzeadores é constituída por di-hidroxi-acetona (DHA) e substâncias calmantes e emolientes. Actuam mediante oxidação da queratina, a proteína constituinte das camadas superficiais da epiderme. O seu efeito é de curta duração, necessitam de aplicações regulares para manter o tom desejável e não dispensam o uso dos protectores solares.
Mas, afinal, o sol é amigo ou inimigo?
O sol é uma poderosa fonte de energia, indispensável à vida na terra. A exposição moderada à luz solar é benéfica e estimulante para o nosso organismo, criando uma sensação de bem-estar associada a um efeito antidepressivo. O calor do sol melhora o fluxo sanguíneo nos músculos e articulações. Pequenas doses de radiação ultravioleta da luz solar estimulam a síntese da vitamina D3 responsável pela absorção do cálcio e consequente efeito anti-raquítico.
A exposição intensa ou prolongada à luz solar induz o envelhecimento prematuro da pele e é a principal responsável pelo aumento da incidência dos vários tipos de cancro da pele.
Dr. João Abel Amaro
Director do Serviço de Dermatologia do IPO Lisboa

