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Cuidados a ter na exposição solar

8 Setembro, 2007 0

A utilização dos auto-bronzeadores pode ser recomendada?

Os auto-bronzeadores de aplicação tópica são de modo geral inofensivos, desde que se tenha consciência de que não possuem qualquer efeito fotoprotector.

A maioria dos auto-bronzeadores é constituída por di-hidroxi-acetona (DHA) e substâncias calmantes e emolientes. Actuam mediante oxidação da queratina, a proteína constituinte das camadas superficiais da epiderme. O seu efeito é de curta duração, necessitam de aplicações regulares para manter o tom desejável e não dispensam o uso dos protectores solares.

Mas, afinal, o sol é amigo ou inimigo?

O sol é uma poderosa fonte de energia, indispensável à vida na terra. A exposição moderada à luz solar é benéfica e estimulante para o nosso organismo, criando uma sensação de bem-estar associada a um efeito antidepressivo. O calor do sol melhora o fluxo sanguíneo nos músculos e articulações. Pequenas doses de radiação ultravioleta da luz solar estimulam a síntese da vitamina D3 responsável pela absorção do cálcio e consequente efeito anti-raquítico.

A exposição intensa ou prolongada à luz solar induz o envelhecimento prematuro da pele e é a principal responsável pelo aumento da incidência dos vários tipos de cancro da pele.

Dr. João Abel Amaro

Director do Serviço de Dermatologia do IPO Lisboa

Quais as consequências para a pele da frequência de solários?

A frequência dos solários para fins cosméticos é formalmente desaconselhada pela maioria dos médicos. Os dermatologistas usam cabines semelhantes mas para fins terapêuticos, nomeadamente para tratar certas formas graves de psoríase, em que a relação risco / benefício é aceitável.

Ora, em cosmética não é admissível correr riscos para a saúde. Os solários são, na prática, máquinas de envelhecimento acelerado da pele, aumentando exponencialmente o risco de aparecimento de cancro cutâneo.

Mas porque é que as fontes de luz artificiais dos solários são perigosas?

As cabines dos solários emitem radiação ultravioleta-A de alta intensidade, estimulando a síntese do pigmento natural da pele, a melanina, responsável pelo tom bronzeado. Embora tenham um efeito carcinogénico inferior aos ultravioletas-B, o facto de a radiação ser muito intensa e emitida a uma distância muito curta da pele, torna-os particularmente agressivos para a pele.

Os ultravioletas-A emitidos pelas cabines dos solários penetram profundamente na derme, desencadeando o stress oxidativo responsável pelo envelhecimento prematuro da pele e potenciando o efeito carcinogénico da radiação solar.

Além disso, ao contrário da luz solar natural, não induzem o espessamento da camada córnea da epiderme que, à semelhança das telhas de um telhado, tem um efeito fotoprotector. Em vez de prepararem a pele para a exposição ao sol, como é dito pela publicidade, tornam a pele mais vulnerável e aumentam o risco de cancro da pele.

Quais os efeitos da exposição ao sol e qual a sua causalidade no aparecimento do cancro da pele?

A exposição moderada e gradual da pele à radiação ultravioleta da luz solar induz uma resposta adaptativa que se traduz num aumento da espessura da camada córnea e na estimulação da síntese do pigmento natural da pele, a melanina, ambas com efeito fotoprotector. Além disso verifica-se o aumento da síntese da vitamina D3, importante na absorção e fixação do cálcio da dieta.

A exposição brusca e intempestiva ao sol não dá tempo a que estes mecanismos entrem em acção, originando habitualmente a queimadura solar ou escaldão. A exposição crónica ao sol é a principal causa do envelhecimento prematuro da pele.

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