A congestão nasal é muito mais do que muco a entupir o nariz: a respiração fica comprometida porque as narinas se estreitam, dificultando a passagem do ar. Descongestionar é então preciso, mas com prudência no uso de medicamentos.
É comum no Inverno, mas pode acontecer em qualquer altura do ano: a congestão nasal é um dos sintomas de doenças como a constipação e a gripe, a sinusite e a rinite, quer seja ou não de origem alérgica.
Pode também ser causada por uma anomalia do septo nasal, pela existência de pólipos nasais ou tumores e, sobretudo entre as crianças, pela presença de um corpo estranho no nariz.
O pó, o pêlo dos animais, perfumes, condimentos e o fumo do tabaco podem contribuir igualmente para deixar o nariz congestionado. E até o uso incorrecto dos medicamentos descongestionantes tem responsabilidades: em vez de alívio, pode agravar o desconforto. Em torno da congestão nasal gravita uma ideia errada – a de que se deve simplesmente ao excesso de muco espesso.
Mas, na realidade, o que a causa é um edema da mucosa que reveste o nariz devido à dilatação dos vasos sanguíneos. As narinas ficam, assim, mais estreitas, podendo o muco contribuir adicionalmente para esta obstrução. Em consequência, há dificuldade em respirar, respirando-se mais pela boca.
Dependendo da causa subjacente, pode surgir uma tosse persistente, dores de cabeça e uma sensação de rosto inchado. E comer, beber ou falar são gestos simples que se tornam muito incómodos. A congestão nasal tem um impacto diferente consoante a idade do doente. Num lactente pode interferir seriamente com a alimentação e com a respiração: é que, quer sejam amamentados, quer sejam alimentados a biberão, necessitam de respirar pelo nariz pois a boca está preenchida com o mamilo materno ou com a tetina.
Um nariz entupido é, pois, perturbador, afectando a sucção e a respiração. Já numa criança mais velha, a congestão nasal pode ser apenas um incómodo passageiro, mas quando se mantem pode interferir com a audição e com o desenvolvimento da linguagem e com o sono, estando associada a episódios de apneia (breves paragens respiratórias durante o sono).
Descongestionar mas com prudência
Perante um nariz obstruído, e dado o desconforto, o que há a fazer é actuar sobre as secreções, se existirem, tornando-as mais fluidas de modo a facilitar a sua expulsão. E, na maioria das vezes, consegue-se sem necessidade de recorrer a medicamentos, com alguns cuidados simples.
Assoar o nariz regularmente, mas sem esforçar, é um deles, na medida em que estimula a descida do muco. Inalar vapores de soro fisiológico, no mínimo por dez minutos, também contribui para soltar as secreções.
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Um gesto que pode ser reforçado com a aplicação de uma solução salina, que ajuda a limpar o nariz. A ingestão de líquidos – água, chá, sopa – é também aconselhada, excluindo as bebidas com cafeína pois secam a mucosa nasal, podendo agravar a congestão, isto em situações prolongadas.
Os bebés devem merecer cuidados particulares: o gesto de assoar deve ser substituído pela utilização de um aspirador nasal, para remover o muco. Se as secreções forem muito espessas, duas ou três gotas de uma solução salina ajudam a torná-las mais líquidas e facilitam a sua expulsão.
E porque a congestão tende a piorar na posição horizontal é útil dormir com a cabeça ligeiramente elevada em relação ao resto do corpo.
Estas medidas podem, no entanto, revelar-se insuficientes para lidar com a congestão.
Pode então ser necessário recorrer a medicamentos, sendo, geralmente, usados dois tipos: os descongestionantes e os anti-histamínicos.
Os primeiros têm um efeito vasoconstritor, o que significa que diminuem a exsudação dos vasos sanguíneos, alargando a passagem de ar e, assim, facilitando a saída do muco, quando existe.
Os segundos mais eficazes quando se trata de uma causa alérgica, entre outras acções reduzem a quantidade de muco, pelo que também contribuem para uma melhor respiração.
Há associações dos dois para este efeito. Uns e outros devem, no entanto, ser utilizados com moderação: os descongestionantes em excesso, agravam os sintomas que deveriam atenuar. Além disso, os descongestionantes imitam a acção da adrenalina, uma hormona que entre outras acções, origina constrição das pequenas artérias.
Juntos, podem fazer disparar a pressão arterial, acelerar o ritmo cardíaco e perturbar o sono. Assim se explica que os descongestionantes estejam contra-indicados para doentes com problemas cardíacos e hipertensão, mas também com glaucoma e hiperplasia benigna da próstata.
Em geral, a congestão nasal desaparece ao fim de alguns dias. Mas há situações em que deve merecer outra atenção: se durar mais de duas semanas se, for acompanhada de inchaço na fronte, nos olhos ou na face, se a tosse se prolongar por mais de dez dias, se o muco se apresentar amarelo-esverdeado, se existir prurido nasal, espirros, hidrorreia de forma continuada. Sempre que a congestão interfira seriamente com o quotidiano deve suscitar uma consulta médica.
O mesmo é válido se dificultar a alimentação e a respiração nos bebés ou se ocorrer em bebés com menos de dois meses e acompanhada de febre.
Agora que entrámos no Inverno é natural que a congestão nasal se anuncie. Ela anda, com frequência, à boleia de vírus como os que causam a constipação e a gripe. E esta é a época…
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Usar sem abusar
Os descongestionantes nasais estão na primeira linha do tratamento farmacológico da congestão nasal. Existem três tipos: as tiras nasais, sem recurso a medicamentos, que abrem as fossas nasais, aliviando a congestão nasal, os sistémicos, de administração oral e que necessitam de mais tempo e doses mais elevadas para serem eficazes e os tópicos – sprays ou gotas que se aplicam directamente no nariz, tendo uma acção mais rápida mas mais efeitos secundários.
É em relação aos últimos que se coloca a questão do uso incorrecto e do abuso: a regra de ouro passa por respeitar a dose recomendada e não ultrapassar o tempo de tratamento, que, no máximo, é de três dias consecutivos.
Aplicá-los adequadamente também é importante:
• Tiras nasais – O doente deve lavar, secar o nariz e aplicar as tiras, pressionando suavemente as pontas para fixá-las. As tiras são retiradas com água morna ao lavar o rosto ou durante o duche.
• Gotas – O doente deve estar reclinado para trás, aplicar as gotas e rodar a cabeça lentamente para ambos os lados, de modo a que a solução se espalhe pela mucosa nasal; deve permanecer nesta posição alguns minutos após a aplicação, para não haver o risco de as gotas serem deglutidas.
• Spray – O doente deve manter a cabeça direita e inspirar ao mesmo tempo que aplica o medicamento; o aplicador deve ser retirado da narina antes de aliviar a pressão, de modo a deixar o ar passar e evitar a contaminação com secreções.
São cuidados essenciais para que os descongestionantes sejam eficazes: e eficácia é aqui sinónimo de respiração facilitada.
É comum no Inverno, mas pode acontecer em qualquer altura do ano: a congestão nasal é um dos sintomas de doenças como a constipação e a gripe, a sinusite e a rinite, quer seja ou não de origem alérgica.
Pode também ser causada por uma anomalia do septo nasal, pela existência de pólipos nasais ou tumores e, sobretudo entre as crianças, pela presença de um corpo estranho no nariz.
O pó, o pêlo dos animais, perfumes, condimentos e o fumo do tabaco podem contribuir igualmente para deixar o nariz congestionado. E até o uso incorrecto dos medicamentos descongestionantes tem responsabilidades: em vez de alívio, pode agravar o desconforto. Em torno da congestão nasal gravita uma ideia errada – a de que se deve simplesmente ao excesso de muco espesso.
Mas, na realidade, o que a causa é um edema da mucosa que reveste o nariz devido à dilatação dos vasos sanguíneos. As narinas ficam, assim, mais estreitas, podendo o muco contribuir adicionalmente para esta obstrução. Em consequência, há dificuldade em respirar, respirando-se mais pela boca.
Dependendo da causa subjacente, pode surgir uma tosse persistente, dores de cabeça e uma sensação de rosto inchado. E comer, beber ou falar são gestos simples que se tornam muito incómodos. A congestão nasal tem um impacto diferente consoante a idade do doente. Num lactente pode interferir seriamente com a alimentação e com a respiração: é que, quer sejam amamentados, quer sejam alimentados a biberão, necessitam de respirar pelo nariz pois a boca está preenchida com o mamilo materno ou com a tetina.
Um nariz entupido é, pois, perturbador, afectando a sucção e a respiração. Já numa criança mais velha, a congestão nasal pode ser apenas um incómodo passageiro, mas quando se mantem pode interferir com a audição e com o desenvolvimento da linguagem e com o sono, estando associada a episódios de apneia (breves paragens respiratórias durante o sono).
Descongestionar mas com prudência
Perante um nariz obstruído, e dado o desconforto, o que há a fazer é actuar sobre as secreções, se existirem, tornando-as mais fluidas de modo a facilitar a sua expulsão. E, na maioria das vezes, consegue-se sem necessidade de recorrer a medicamentos, com alguns cuidados simples.
Assoar o nariz regularmente, mas sem esforçar, é um deles, na medida em que estimula a descida do muco. Inalar vapores de soro fisiológico, no mínimo por dez minutos, também contribui para soltar as secreções.
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Um gesto que pode ser reforçado com a aplicação de uma solução salina, que ajuda a limpar o nariz. A ingestão de líquidos – água, chá, sopa – é também aconselhada, excluindo as bebidas com cafeína pois secam a mucosa nasal, podendo agravar a congestão, isto em situações prolongadas.
Os bebés devem merecer cuidados particulares: o gesto de assoar deve ser substituído pela utilização de um aspirador nasal, para remover o muco. Se as secreções forem muito espessas, duas ou três gotas de uma solução salina ajudam a torná-las mais líquidas e facilitam a sua expulsão.
E porque a congestão tende a piorar na posição horizontal é útil dormir com a cabeça ligeiramente elevada em relação ao resto do corpo.
Estas medidas podem, no entanto, revelar-se insuficientes para lidar com a congestão.
Pode então ser necessário recorrer a medicamentos, sendo, geralmente, usados dois tipos: os descongestionantes e os anti-histamínicos.
Os primeiros têm um efeito vasoconstritor, o que significa que diminuem a exsudação dos vasos sanguíneos, alargando a passagem de ar e, assim, facilitando a saída do muco, quando existe.
Os segundos mais eficazes quando se trata de uma causa alérgica, entre outras acções reduzem a quantidade de muco, pelo que também contribuem para uma melhor respiração.
Há associações dos dois para este efeito. Uns e outros devem, no entanto, ser utilizados com moderação: os descongestionantes em excesso, agravam os sintomas que deveriam atenuar. Além disso, os descongestionantes imitam a acção da adrenalina, uma hormona que entre outras acções, origina constrição das pequenas artérias.
Juntos, podem fazer disparar a pressão arterial, acelerar o ritmo cardíaco e perturbar o sono. Assim se explica que os descongestionantes estejam contra-indicados para doentes com problemas cardíacos e hipertensão, mas também com glaucoma e hiperplasia benigna da próstata.
Em geral, a congestão nasal desaparece ao fim de alguns dias. Mas há situações em que deve merecer outra atenção: se durar mais de duas semanas se, for acompanhada de inchaço na fronte, nos olhos ou na face, se a tosse se prolongar por mais de dez dias, se o muco se apresentar amarelo-esverdeado, se existir prurido nasal, espirros, hidrorreia de forma continuada. Sempre que a congestão interfira seriamente com o quotidiano deve suscitar uma consulta médica.
O mesmo é válido se dificultar a alimentação e a respiração nos bebés ou se ocorrer em bebés com menos de dois meses e acompanhada de febre.
Agora que entrámos no Inverno é natural que a congestão nasal se anuncie. Ela anda, com frequência, à boleia de vírus como os que causam a constipação e a gripe. E esta é a época…
[Continua na página seguinte]
Usar sem abusar
Os descongestionantes nasais estão na primeira linha do tratamento farmacológico da congestão nasal. Existem três tipos: as tiras nasais, sem recurso a medicamentos, que abrem as fossas nasais, aliviando a congestão nasal, os sistémicos, de administração oral e que necessitam de mais tempo e doses mais elevadas para serem eficazes e os tópicos – sprays ou gotas que se aplicam directamente no nariz, tendo uma acção mais rápida mas mais efeitos secundários.
É em relação aos últimos que se coloca a questão do uso incorrecto e do abuso: a regra de ouro passa por respeitar a dose recomendada e não ultrapassar o tempo de tratamento, que, no máximo, é de três dias consecutivos.
Aplicá-los adequadamente também é importante:
• Tiras nasais – O doente deve lavar, secar o nariz e aplicar as tiras, pressionando suavemente as pontas para fixá-las. As tiras são retiradas com água morna ao lavar o rosto ou durante o duche.
• Gotas – O doente deve estar reclinado para trás, aplicar as gotas e rodar a cabeça lentamente para ambos os lados, de modo a que a solução se espalhe pela mucosa nasal; deve permanecer nesta posição alguns minutos após a aplicação, para não haver o risco de as gotas serem deglutidas.
• Spray – O doente deve manter a cabeça direita e inspirar ao mesmo tempo que aplica o medicamento; o aplicador deve ser retirado da narina antes de aliviar a pressão, de modo a deixar o ar passar e evitar a contaminação com secreções.
São cuidados essenciais para que os descongestionantes sejam eficazes: e eficácia é aqui sinónimo de respiração facilitada.