A azia é um dos sintomas mais comuns da Doença de Refluxo Gastroesofágico (DRGE). Quando pisamos o risco, na voraz tentação de comer, o corpo é que paga… Ainda que na origem deste ardor, sempre incómodo, possam estar outras causas.
A Doença de Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma doença crónica, bastante comum em Portugal, que afecta cerca de 35 por cento dos portugueses com mais de 18 anos. As consequências são quase instantâneas: uma sensação de desconforto na parte superior do abdómen, que tentamos resolver com uma água gaseificada que parece aliviar, mas que nos deixa um travo amargo na boca.
O incómodo aumenta e incendeia o peito, altura em que procuramos, no sofá ou na cama, encontrar a melhor posição que, definitivamente, ponha fim à tormenta. A azia ocorre frequentemente associada a excessos alimentares, nomeadamente quando abusamos de um petisco ou se fazemos um soninho logo a seguir à refeição… É assim porque o refluxo está associado à pressão exercida sobre o estômago.
O esófago transporta os alimentos da boca até ao estômago, onde se misturam com o suco gástrico até seguirem viagem para o duodeno. A azia ocorre quando parte do suco gástrico é devolvida ao esófago, causando mal-estar – é que o esófago não está preparado para receber conteúdos ácidos, como é o caso, e quando isso acontece as paredes ficam irritadas, reflectindo-se na sensação de ardor.
Esta subida do ácido deve-se habitualmente a uma perda de tonicidade do esfíncter que separa o esófago do estômago. O esfíncter é composto por fibras musculares que actuam como uma válvula. Quando esta válvula está relaxada, o ácido tem uma porta aberta para entrar no esófago.
O mesmo acontece quando há uma grande pressão sobre o estômago – por exemplo, quando a pessoa se deita após uma refeição… quando usa roupas muito apertadas na cintura, no final da gravidez… ou, ainda, nos casos em que é manifesto o excesso de peso.
Dê uma volta!
A obesidade e a gravidez favorecem o refluxo por motivos diferentes, mas ambas propiciam um aumento de pressão sobre o abdómen, empurrando o conteúdo do estômago para o esófago.
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O stresse também é amigo da azia, porque estimula a produção de ácido no estômago. Mas a alimentação é a maior responsável. Refeições muito pesadas, sobretudo ao jantar, alimentos gordos, chocolate, condimentos, citrinos, cafeína, refrigerantes, álcool e tabaco são eventuais potenciadores para o aparecimento de azia.
Como o refluxo é predominante à noite, convém adoptar algumas medidas atenuantes, como fazer um intervalo de pelo menos três horas entre a última refeição do dia e a hora de ir deitar. Dormir sem deixar que o estômago cumpra a sua missão é nefasto, porque os músculos ficam mais relaxados, facilitando a subida de alimentos e ácidos ao esófago. Se nada disto resultar, a medicação ajuda. Os anti-ácidos podem ser a resposta adequada, já que ajudam a neutralizar o ácido do estômago.
Causas…
• Comer muito e depressa;
• Alguns medicamentos;
• Alimentos ricos em gordura, como chocolate, fritos e queijos; ácidos, como tomate, ananás, limão; e muito condimentados;
• Deitar-se imediatamente após as refeições, com o estômago cheio;
• Fumar após as refeições;
• Bebidas com cafeína, gaseificadas e alcoólicas;
• Excesso de peso;
• Vestuário apertado;
• Stresse;
• Gravidez;
• Funcionamento deficiente do esfíncter que separa o esófago do estômago.
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…e medidas preventivas
• Comer pouco de cada vez, várias vezes ao dia;
• Intervalo de pelo menos três horas entre a última refeição do dia e a hora de deitar (excepto se for uma refeição ligeira, como um copo de leite ou uma peça de fruta…);
• Evitar uma vida sedentária, o uso de roupas apertadas e a prática de exercícios abdominais, pois aumentam a pressão sobre o estômago;
• Perder peso, se necessário;
• Deixar de fumar, pois a nicotina enfraquece o esfíncter, o músculo que separa o esófago do estômago;
• Evitar alimentos gordurosos, condimentados e com cafeína;
• Elevar a cabeceira da cama entre 15 a 20 centímetros, de modo a evitar que o conteúdo gástrico suba para o esófago enquanto dorme (não basta usar apenas uma almofada mais alta).
Como tratar
Entre os tratamentos referenciados, os antiácidos podem ser a resposta adequada em caso de azia ocasional, já que ajudam a neutralizar o ácido do estômago proporcionando uma sensação temporária de alívio. A ingestão de um antiácido, cerca de uma hora depois das refeições e ao deitar, se necessário, pode ajudar no controlo desta sintomatologia.
Sendo a automedicação indevida um dos problemas da sociedade contemporânea, também aqui, se o uso de antiácidos for recorrente, a forma de solucionar o problema poderá estar longe de passar por aí… o problema, na sua origem, poderá continuar intocado, pelo que é importante falar com o médico ou farmacêutico em busca de conselho mais adequado a cada situação.
Num cenário mais complexo – caracterizado por azia frequente, que, em regra, se projecta para além das duas semanas – a abordagem terapêutica requer consequentemente mais tempo e tem por objectivo minimizar a produção de ácido no estômago. Nessa perspectiva, os IBP (inibidores da bomba de protões) estão na primeira linha das soluções terapêuticas mais utilizadas.
Ocasional ou frequente, a sua azia é sempre razão suficiente para se aconselhar sobre o tratamento mais adequado na sua Farmácia.
A Doença de Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma doença crónica, bastante comum em Portugal, que afecta cerca de 35 por cento dos portugueses com mais de 18 anos. As consequências são quase instantâneas: uma sensação de desconforto na parte superior do abdómen, que tentamos resolver com uma água gaseificada que parece aliviar, mas que nos deixa um travo amargo na boca.
O incómodo aumenta e incendeia o peito, altura em que procuramos, no sofá ou na cama, encontrar a melhor posição que, definitivamente, ponha fim à tormenta. A azia ocorre frequentemente associada a excessos alimentares, nomeadamente quando abusamos de um petisco ou se fazemos um soninho logo a seguir à refeição… É assim porque o refluxo está associado à pressão exercida sobre o estômago.
O esófago transporta os alimentos da boca até ao estômago, onde se misturam com o suco gástrico até seguirem viagem para o duodeno. A azia ocorre quando parte do suco gástrico é devolvida ao esófago, causando mal-estar – é que o esófago não está preparado para receber conteúdos ácidos, como é o caso, e quando isso acontece as paredes ficam irritadas, reflectindo-se na sensação de ardor.
Esta subida do ácido deve-se habitualmente a uma perda de tonicidade do esfíncter que separa o esófago do estômago. O esfíncter é composto por fibras musculares que actuam como uma válvula. Quando esta válvula está relaxada, o ácido tem uma porta aberta para entrar no esófago.
O mesmo acontece quando há uma grande pressão sobre o estômago – por exemplo, quando a pessoa se deita após uma refeição… quando usa roupas muito apertadas na cintura, no final da gravidez… ou, ainda, nos casos em que é manifesto o excesso de peso.
Dê uma volta!
A obesidade e a gravidez favorecem o refluxo por motivos diferentes, mas ambas propiciam um aumento de pressão sobre o abdómen, empurrando o conteúdo do estômago para o esófago.
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O stresse também é amigo da azia, porque estimula a produção de ácido no estômago. Mas a alimentação é a maior responsável. Refeições muito pesadas, sobretudo ao jantar, alimentos gordos, chocolate, condimentos, citrinos, cafeína, refrigerantes, álcool e tabaco são eventuais potenciadores para o aparecimento de azia.
Como o refluxo é predominante à noite, convém adoptar algumas medidas atenuantes, como fazer um intervalo de pelo menos três horas entre a última refeição do dia e a hora de ir deitar. Dormir sem deixar que o estômago cumpra a sua missão é nefasto, porque os músculos ficam mais relaxados, facilitando a subida de alimentos e ácidos ao esófago. Se nada disto resultar, a medicação ajuda. Os anti-ácidos podem ser a resposta adequada, já que ajudam a neutralizar o ácido do estômago.
Causas…
• Comer muito e depressa;
• Alguns medicamentos;
• Alimentos ricos em gordura, como chocolate, fritos e queijos; ácidos, como tomate, ananás, limão; e muito condimentados;
• Deitar-se imediatamente após as refeições, com o estômago cheio;
• Fumar após as refeições;
• Bebidas com cafeína, gaseificadas e alcoólicas;
• Excesso de peso;
• Vestuário apertado;
• Stresse;
• Gravidez;
• Funcionamento deficiente do esfíncter que separa o esófago do estômago.
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…e medidas preventivas
• Comer pouco de cada vez, várias vezes ao dia;
• Intervalo de pelo menos três horas entre a última refeição do dia e a hora de deitar (excepto se for uma refeição ligeira, como um copo de leite ou uma peça de fruta…);
• Evitar uma vida sedentária, o uso de roupas apertadas e a prática de exercícios abdominais, pois aumentam a pressão sobre o estômago;
• Perder peso, se necessário;
• Deixar de fumar, pois a nicotina enfraquece o esfíncter, o músculo que separa o esófago do estômago;
• Evitar alimentos gordurosos, condimentados e com cafeína;
• Elevar a cabeceira da cama entre 15 a 20 centímetros, de modo a evitar que o conteúdo gástrico suba para o esófago enquanto dorme (não basta usar apenas uma almofada mais alta).
Como tratar
Entre os tratamentos referenciados, os antiácidos podem ser a resposta adequada em caso de azia ocasional, já que ajudam a neutralizar o ácido do estômago proporcionando uma sensação temporária de alívio. A ingestão de um antiácido, cerca de uma hora depois das refeições e ao deitar, se necessário, pode ajudar no controlo desta sintomatologia.
Sendo a automedicação indevida um dos problemas da sociedade contemporânea, também aqui, se o uso de antiácidos for recorrente, a forma de solucionar o problema poderá estar longe de passar por aí… o problema, na sua origem, poderá continuar intocado, pelo que é importante falar com o médico ou farmacêutico em busca de conselho mais adequado a cada situação.
Num cenário mais complexo – caracterizado por azia frequente, que, em regra, se projecta para além das duas semanas – a abordagem terapêutica requer consequentemente mais tempo e tem por objectivo minimizar a produção de ácido no estômago. Nessa perspectiva, os IBP (inibidores da bomba de protões) estão na primeira linha das soluções terapêuticas mais utilizadas.
Ocasional ou frequente, a sua azia é sempre razão suficiente para se aconselhar sobre o tratamento mais adequado na sua Farmácia.