Apneia: Dormir a conta-gotas
Mas, quando dormimos, os músculos estão mais relaxados mas não impedem a respiração. Todavia, pode acontecer que a traqueia esteja obstruída. Por trás desse bloqueio podem estar factores como a excessiva dimensão da língua, das amígdalas ou da úvula, a existência de demasiada gordura nos tecidos da garganta ou um maior relaxamento dos músculos devido, por exemplo, ao envelhecimento.
Por uma razão ou por outra, o ar tem dificuldade em atingir os pulmões. E quando não consegue sequer passar dão-as as pausas na respiração que caracterizam a apneia. Em cada pausa os níveis de oxigénio no sangue descem, desencadeando uma reacção do cérebro: os músculos ficam mais rígidos, a traqueia abre-se e a respiração normal é retomada. Esta sucessão de acontecimentos repete-se ao longo da noite, quase sempre todas as noites.
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Adormecer de dia
Com prejuízo evidente da qualidade do sono: por mais horas que se durmam não são reparadoras. Mas também com prejuízo do estado geral de saúde: quem sofre de apneia do sono tem um risco acrescido de hipertensão arterial e de doença cardiovascular.
Sem tratamento, esta disfunção altera o modo como o organismo utiliza a energia, o que pode abrir caminhoa diabetes e a obesidade (que já é um factor de risco para a apneia). Está igualmente caminho para acidentes na condução de máquinas, dado um dos principais sintomas da apneia: a sonolência diurna. O doente rapidamente adormece à menor pausa nas suas actividades diárias – pode acontecer no emprego, a conduzir e até no decorrer de uma conversa…
Mas há outros sintomas: dores de cabeça matinais, dificuldade de concentração, irritabilidade e alterações bruscas do humor, garganta seca ao acordar. E ressonar: este é, aliás, que muitas vezes denuncia a doença. O doente não dá por ele, mas quem com ele partilha o quarto não pode deixar de se aperceber.
Apesar de se tornar mais frequente com a idade, a apneia também pode afectar crianças e nelas exibe sintomas como hiperactividade, fraco desempenho escolar e agressividade, a par da adopção de posições invulgares para dormir, de enurese nocturna (urinar na cama) e respiração pela boca (e não pelo nariz) durante o dia.
Qualquer pessoa pode desenvolver apneia, mas há quem tenha uma probabilidade maior: quem tem excesso de peso, fuma ou sofre de pressão arterial elevada. A disfunção é mais comum no sexo masculino e à medida que os anos avançam.
Nas mulheres evidencia-se sobretudo na menopausa.
É com base na descrição dos sintomas, num exame físico e na história familiar (ter antecedentes na família pode contribuir para a doença) que o médico chega a uma primeira conclusão, após o que pode ser necessário realizar um estudo do sono, que permite resultados mais específicos.
Quanto ao tratamento, passa muito por mudanças no estilo de vida. Não existem medicamentos, mas podem ser utilizados dispositivos para a boca que facilitam a respiração e, nalguns casos, a cirurgia pode ser uma solução, nomeadamente para remover gordura à volta da traqueia.
No que respeita ao estilo de vida, é importante perder peso nos casos em que há quilos a mais: mesmo pouco, já ajuda. Convém também evitar o álcool ou medicamentos que causem sonolência, na medida em que contribuem para relaxar os músculos da garganta, o que atrapalha a passagem do ar. Deixar de fumar também torna a respiração mais fácil. Dormir de lado, e não de costas, ajuda a manter a traqueia aberta.

