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Epilepsia precisa de ser desmistificada socialmente

Conhecida como uma das doenças neurológicas mais comuns em todo o mundo – conjuntamente com a patologia vascular cerebral, as demências e as cefaleias – a Epilepsia ainda é vista actualmente com algum misticismo na sociedade, pelo que se torna urgente clarificar a patologia, eliminar os tabus sobre a mesma e minimizar a sua descriminação social.

A nível mundial existem cerca de 50 milhões de pessoas com Epilepsia, sendo que 85% deste total é proveniente dos países em vias de desenvolvimento. Em Portugal estima-se que 50 mil pessoas sejam portadoras da doença, registando-se a existência de 50 novos casos em cada 100 mil habitantes por ano.

A Epilepsia é uma disfunção do sistema nervoso que pode afectar pessoas de qualquer idade, sexo, raça, estrato social ou nacionalidade. Ao ser caracterizada pela repetição espontânea de crises, esta patologia engloba múltiplas manifestações anormais do comportamento cerebral, sob a forma de crises epilépticas, podendo ser provocada por uma lesão cerebral resultante de um traumatismo craniano ou de uma hemorragia cerebral.

O seu diagnóstico é feito quando se verificam crises repetidas (por vezes designadas acessos ou ataques) durante um determinado período da vida. Estas crises, definidas como episódios de convulsões ou espasmos agudos que levam a alterações estereotipadas súbitas do comportamento, são causadas por descargas eléctricas cerebrais não reguladas que levam ao surgimento de um ataque epiléptico.

Em termos médico-científicos, as crises de Epilepsia podem assumir duas formas diferenciadas: generalizadas, quando envolvem a totalidade (ou quase totalidade) do cérebro, ou focais, quando afectam uma parte limitada do mesmo.

No primeiro caso, as crises generalizadas podem ainda assumir vários sub-tipos: as tónico-clónicas (perda de consciência abrupta, em que o corpo fica rijo numa primeira fase, seguindo-se depois espasmos nos membros superiores e inferiores), as de ausência (são muito curtas, a pessoa fica com olhar fixo, imóvel e alheada, mas recupera imediatamente), as mioclónicas (reflectem-se sob a forma de espasmos no corpo ou nos braços e pernas) e as atónicas (perda súbita da força muscular e da consciência, fazendo com que a pessoa caia). No segundo caso, as crises focais podem ser simples (quando não ocorre perturbação da consciência) ou complexas (quando ocorre perda ou perturbação da consciência).

A Epilepsia pode manifestar-se em qualquer idade, mas é mais comum até aos 25 e depois dos 65 anos de idade. Grande parte das pessoas consegue ter uma vida activa e normal com tratamento adequado. A toma da medicamentação antiepiléptica na hora certa, a visita regular ao neurologista, um estilo de vida saudável, dormir bem e reduzir o stress são algumas das medidas extra a ter em conta.

A Epilepsia não deve ser interpretada como sendo “sinal de pouca inteligência”, o que muitas vezes acontece. Sabe-se que nomes conhecidos da história mundial como Alexandre o Grande, Pascal, Maomé, Sócrates, Molière, Júlio César sofriam de Epilepsia e nem por isso deixaram de sobressair pela sua inteligência e capacidade cognitiva nas diversas áreas onde foram distinguidos.

De acordo com o Professor José Manuel Lopes Lima, médico neurologista especialista no tratamento da Epilepsia e presidente da Liga Portuguesa contra a Epilepsia, “a Epilepsia não é uma entidade única e uniforme, sendo caracterizada pela repetição espontânea de crises epilépticas. É um termo que engloba múltiplas manifestações anormais do comportamento cerebral, mas sempre sob a forma de crises epilépticas que se repetem espontaneamente”.

Este especialista acrescenta ainda que “os avanços na tecnologia e no conhecimento têm tido um impacto enorme no conhecimento que temos hoje sobre a doença e é de esperar que as coisas só possam melhorar. Os avanços têm-se manifestado sobretudo na facilidade, conforto e eficácia com que hoje estudamos os diferentes doentes, bem como nos tratamentos disponíveis medicamentosos e cirúrgicos”.

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