Doenças da próstata afectam os homens a partir dos 50 anos
A doença prostática mais temida
De acordo com as estimativas, calcula-se que, anualmente, surjam cerca de quatro mil novos casos de cancro da próstata. Do total deste número, aponta-se para uma mortalidade de 1800 casos. “O carcinoma da próstata é um tumor bastante complexo e que nem sempre mata. Estes tumores evoluem de uma forma lenta, insidiosa e, durante muito tempo, não apresentam quaisquer sintomas”, explica Francisco Rolo.
Embora se desconheçam as causas concretas implicadas com este carcinoma, sabe-se que a alimentação e o estilo de vida influem no aparecimento de cancro da próstata. “Suspeita-se que as doenças da próstata, na generalidade, estejam ligadas à obesidade, à diminuição da actividade física, e a uma alimentação pobre em vegetais e rica em gorduras animais.”
Em estudos populacionais, verificou-se que, nos países com hábitos alimentares à base de hortícolas, a prevalência deste carcinoma é inferior. “Esta é uma prova aceite pela comunidade científica. Verificamos que em certas populações a prevalência deste carcinoma aumentou a partir do momento em que migrarem para países onde a dieta era profundamente baseada em gorduras animais e pobre em legumes”, fundamenta o urologista.
No leque das causas do carcinoma, os factores familiares ou genéticos também determinam o aparecimento deste tumor na próstata. “Está provado que havendo antecedentes familiares, a prevalência está aumentada.
Tratando-se de familiares directos, está preconizada a realização do PSA aos 45 anos. Na restante camada da população masculina, em que esta situação não se verifique, aconselhamos o rastreio anual a partir dos 50 anos.”
Detecção precoce é fundamental
O cancro da próstata evolui silenciosamente e, normalmente, os sintomas só se manifestam numa fase tardia. “Só depois de estar metastizado pelos gânglios linfático e pelos ossos é que os sinais de doença se manifestam”. Prevenir e detectar precocemente são, neste caso, as palavras de ordem. Isto porque, numa fase mais tardia, já não existe possibilidade de cura, contrariamente ao que acontece nos estádios iniciais da doença, em que o tumor se encontra localizado.
Apesar de não traçar um diagnóstico exacto, a análise do PSA “é um marcador que alerta para a possibilidade ou probabilidade de existir uma suspeita, nomeadamente quando os valores estão acima de 3,5/4”. “Servimo-nos desta análise para seleccionar os casos em que se deve fazer a biopsia da próstata”, conclui Francisco Rolo.
Contudo, se houver uma detecção precoce, as hipóteses de cura “são de quase cem por cento, para as situações de tumor localizado”, diz o especialista. E adianta que, “antes de se programar o tratamento, o médico terá de confirmar se a doença se encontra localizada”. O que se consegue através da “palpação da próstata, da ecografia, da biopsia e de outros exames.”
Em situações de doença localizada, existem dois procedimentos: a cirurgia e a radioterapia externa ou interna. Esta última, também designada por braquiterapia, consiste na colocação de “sementes” radioactivas dentro da próstata, de modo a eliminar as células cancerígenas.
Os tratamentos hormonais, por outro lado, são utilizados em casos de tumores metastizados. Esta terapêutica, “ao inibir a produção de testosterona pelo organismo, contribui para a regressão do tumor, que necessita desta hormona para se propagar”.

