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Doença de Alzheimer » Quando já não se lembra do caminho para regressar a casa

A doença de Alzheimer é uma doença degenerativa que, lenta e progressivamente, destrói as células do cérebro, os neurónios, que não têm a capacidade de outras células do corpo para se regenerar.

Ou seja, uma vez destruídos não podem ser substituídos. Não há cura. Os medicamentos podem aliviar os sintomas, diminuir a destruição, melhorar a memória e a concentração. O doente deve ser tratado com dignidade.

A doença afecta a memória e o funcionamento mental (pensar, falar) mas pode levar a outros problemas como confusão, mudanças de humor, desorientação no espaço e no tempo, levando muitas vezes a que os doentes não consigam regressar à sua própria casa.

No início da doença, as dificuldades de memória, e a perda de capacidades intelectuais podem ser tão ligeiras que passam despercebidas para o próprio e para a sua família. No entanto, com a progressão da doença, os sintomas tornam-se cada vez mais evidentes e começam a interferir com a rotina social e laboral.

Dificuldades práticas nas tarefas da vida diária como vestir, lavar-se ou fazer as necessidades, tornam-se tão severas que com o tempo a pessoa depende totalmente da ajuda de terceiros.

Não é uma doença infecciosa ou contagiosa. È uma doença terminal que provoca uma deterioração geral da saúde, do sistema imunitário, acompanhada por perda de peso, e portanto, predispondo ao aparecimento de doenças infecciosas.

Quem pode ser afectado?

Todos podem desenvolver a doença, mas, tratando-se de uma doença multifactorial, pode identificar-se um conjunto de factores que aumentam o risco do seu aparecimento:

Idade – Quanto maior a idade, maior a probabilidade de desenvolver a doença. Aproximadamente uma em cada vinte pessoas com mais de 65 anos tem a doença. Antes desta idade, apenas uma em cada 1000 sofre de Alzheimer. Como as pessoas vivem cada vez mais anos, a tendência é para o aumento do número de casos de doença de Alzheimer, e por isso mais fácil lembrar que a doença existe.

Sexo – Alguns estudos indicam que existem mais casos entre as mulheres. Mas como as mulheres vivem mais anos do que os homens, pode ser esse o factor explicativo para a diferença encontrada e não a diferença de sexos.

Traumatismo craniano – Pessoas que sofreram um grave traumatismo na cabeça, sobretudo se este ocorreu após os 50 anos e foi acompanhado de perda de consciência, têm um risco acrescido da doença.

“(…)Com o tempo a pessoa depende totalmente da ajuda de terceiros”.

Diagnóstico

A causa da doença permanece desconhecida, não existindo por isso nenhum teste específico que permita afirmar que determinada pessoa tem ou não a doença. O diagnóstico é feito por um processo de eliminação de outras causas e do exame do estado físico e mental da pessoa. Nestes exames, os familiares ou os cuidadores são fundamentais para fornecerem informação sobre os comportamentos da pessoa e as dificuldades surgidas a vestir-se, a lavar-se, a gerir o dinheiro, a assumir compromissos, a viajar sozinho, no desempenho profissional e em outras tarefas domésticas.

Além destas informações, a aplicação de um teste psicológico é fundamental. Os exames de imagem como a TAC, a ressonância magnética ou outros, podem ser utilizados apenas para despistar outras doenças e de algum modo aumentar as certezas quanto ao diagnóstico de Alzheimer.

Tratamento

Não existe ainda nenhum tratamento preventivo ou curativo para a doença, existindo medicação capaz de aliviar alguns sintomas como a agitação, a depressão, a ansiedade, as alucinações, a insónia, a confusão, mas apenas em alguns doentes e por tempo limitado, havendo ainda a possibilidade de existirem efeitos secundários.

Por estes motivos, deve evitar-se este tipo de medicação até que seja indispensável o seu uso. Nos doentes com Alzheimer, os níveis de Acetilcolina (substância química do cérebro utilizada como transmissor de mensagens entre os neurónios) encontram-se reduzidos, existindo medicamentos que diminuem a sua destruição, melhorando assim a memória e a concentração dos doentes, mas que são incapazes de reverter a doença.

Com base nos conhecimentos actuais, a doença de Alzheimer é uma enfermidade que devemos conhecer e aprender a viver e a conviver com ela, tendo presente que é uma doença difícil de lidar para os conviventes, e difícil para o próprio doente que nunca chega a ter consciência que tem qualquer doença.

Associação Portuguesa de Familiares e Amigos de Doentes de Alzheimer (APFADA)
Patrícia Paquete – Terapeuta Ocupacional
(Directora Técnica do Centro de Apoio Diurno
e do Serviço de Apoio Domiciliário)

Objectivos

O principal objectivo é o de promover junto de instituições privadas e públicas, e dos cuidadores formais e informais, a manutenção da qualidade de vida e dignidade dos indivíduos com demência.

Apoios

Ao colocarmos a pessoa face à doença que sofre, estamos a valorizar a sua individualidade e a sua qualidade de vida. A APFADA desenvolve programas de estimulação cognitiva a indivíduos em fase inicial, actividades psicomotoras, como por exemplo, actividades em meio aquático. No serviço de apoio domiciliário, acompanhamos indivíduos até à fase terminal, sendo para nós uma área fundamental, a da vida e morte com dignidade.

O dia da pessoa com Alzheimer – 21 de Setembro

Aproveitamos este dia o melhor possível, chamando a atenção dos media, realizando acções de angariação de fundos e sobretudo proporcionando aos indivíduos com demência e seus familiares, um dia diferente. Este ano realizou-se um almoço convívio, seguido de baile.

Alguns conselhos

O que pretendemos, enquanto associação, não é obviamente desacreditar a medicação que tem um papel fundamental, sobretudo nas primeiras fases da doença, mas sim, desacreditar as atitudes que continuam a ser consideradas “normais”. Devemos aceitar que, apesar do doente já não ser capaz de se movimentar, comunicar ou comer sozinho, deve e merece ser tratado com dignidade.

Contactos

Av. de Ceuta Norte, lote 1
Lojas 1 e 2 – Quinta do Loureiro –
1350-410 LISBOA
Tlfs. 213610460 / 8
www.alzheimerportugal.org
alzheimer@netcabo.pt

Jornal do Centro de Saúde

www.cscarnaxide.min-saude.pt/jornal/

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