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Doença celíaca – intolerâncias alimentares na criança

Intolerâncias Alimentares

Intolerância alimentar e alergia alimentar: coisas distintas. As intolerâncias alimentares manifestam-se pela dificuldade do organismo na digestão ou assimilação de um determinado alimento. Ocorre quando o organismo é incapaz de digerir ou “processar” corretamente o alimento, ou ingrediente ingerido, não existindo a intervenção do sistema imunológico.

A alergia alimentar é uma resposta do sistema imunitário a um componente de um alimento, geralmente uma proteína. É uma reação imunológica a algo considerado estranho pelo organismo, ao qual reage como se fosse um “inimigo”. Os alimentos que contêm esse componente têm que ser eliminados do regime alimentar.

Dito de outro modo, a intolerância alimentar aparece geralmente associada à ausência de uma enzima necessária para a digestão do alimento e os sintomas iniciam-se quando o alimento atinge o estômago ou o intestino; a alergia está associada a um componente do alimento, com resposta direta do sistema imunitário.

SABER MAIS SOBRE AS INTOLERÂNCIAS ALIMENTARES

As intolerâncias alimentares manifestam-se através de problemas digestivos (azia, náuseas, diarreia, refluxo gastroesofágico, sensação de enfartamento); reacções inflamatórias intestinais; doenças de pele, podendo ainda causar transtornos psicológicos, secundários à patologia.

As intolerâncias mais comuns são à lactose, glúten, aditivos alimentares (glutamato de sódio, tartrazina, sulfitos…), vinho, queijo e chocolate.

O QUE É A DOENÇA CELÍACA?

É uma intolerância alimentar causada por uma doença autoimune (ocorre quando o sistema imunológico ataca e destrói tecidos saudáveis do corpo por engano) do intestino, resultando numa permanente sensibilidade ao glúten em indivíduos geneticamente suscetíveis. Convém esclarecer que o glúten é uma proteína que se encontra no trigo e no centeio e, em menor grau, na cevada e na aveia.

Na doença celíaca, parte da molécula do glúten combina-se com anticorpos no intestino delgado, fazendo com que a mucosa intestinal, que normalmente tem uma forma de escova, fique atrofiada e plana. A superfície lisa resultante tem menor capacidade de absorver nutrientes.

Quando os alimentos que contêm glúten são eliminados, a superfície do intestino volta à sua estrutura normal e os sintomas desaparecem.

SINTOMAS DA DOENÇA CELÍACA

A doença celíaca pode começar em qualquer idade. Nos bebés, os sintomas só aparecem depois de ingerirem pela primeira vez alimentos que contenham glúten, habitualmente entre os 6 e 20 meses de idade, após a introdução de farinhas na alimentação.

Os sinais e sintomas sugestivos na criança são: diarreia prolongada (que dura mais de três semanas), pouco ganho de peso ou perda de peso, distensão e dor abdominal, por vezes obstipação e vómitos, anemia por deficiência de ferro, sobretudo se resistente à terapêutica com ferro.

Nos casos mais graves, surgem edemas (inchaços) por baixas concentrações sanguíneas de albumina ou potássio.

As jovens com doença celíaca podem sofrer de irregularidades menstruais.

COMO SE TRATA A DOENÇA CELÍACA

A instituição de uma alimentação sem glúten é o único tratamento cientificamente provado para a doença celíaca não complicada. Este regime alimentar irá conduzir ao desaparecimento dos sintomas e à resolução das alterações existentes no intestino delgado.

A melhoria clínica inicia-se após alguns dias, mas a normalização das alterações intestinais poderá demorar meses. A reintrodução do glúten na alimentação, mesmo em pequenas quantidades, provoca o reaparecimento das queixas e das pequenas alterações intestinais, razão pela qual a dieta sem glúten tem de ser mantida para sempre, inflexivelmente.

Não se pode subestimar o glúten: é tão amplamente utilizado, que a sua eliminação completa do nosso regime alimentar é muito difícil de conseguir manter.

Ademais, está presente de forma generalizada em alimentos já preparados, nos quais a farinha de trigo se utiliza como espessante. Atualmente, já existem no mercado produtos especiais sem glúten. Importa esclarecer que o glúten também pode estar presente como excipiente em medicamentos.

São exemplos de alimentos isentos de glúten o milho, o arroz, a batata, a soja, o leite, a fruta, os vegetais, a carne e o peixe.

O DIAGNÓSTICO DA DOENÇA CELÍACA

Após suspeita de ter a doença, o médico pedirá análises ao sangue e às fezes para confirmar a existência de má absorção dos nutrientes e a existência de anticorpos característicos da doença celíaca. Caso os exames sejam positivos, a probabilidade de ter a doença é alta; no entanto, é necessária a realização de biópsia ao intestino para confirmação da mesma.

Este exame mostra diretamente o revestimento do intestino delgado que, em caso de doença celíaca, apresenta-se com a superfície plana.

CUIDADOS A TER EM CASO DE INTOLERÂNCIA ALIMENTAR AO GLÚTEN

  • As pessoas com doença celíaca devem ser cautelosas quando fazem alguma refeição fora de casa ou vão a festas;
  • O pessoal dos bufetes e cantinas escolares tem vindo a receber formação sobre alergias e intolerâncias alimentares, estando sensibilizados, para ler os rótulos da composição dos alimentos e para saber agir em situações de emergência; quando os pais ou alunos informam a escola destas situações alimentares, deve-se propor que a família ou aluno informem também os familiares, amigos, colegas e encarregados de educação destes;
  • O glúten, além dos alimentos, pode ser encontrado em produtos já preparados e em alguns medicamentos, pelo que a leitura de rótulos dos produtos é de extrema importância.
  • Para saber mais sobre o regime alimentar e os cuidados preventivos a ter, recomenda-se igualmente o site da Associação Portuguesa de Celíacos, em www.celiacos.org.pt.

TUDO A GANHAR COM O ACONSELHAMENTO FARMACÊUTICO

As questões alimentares fazem parte do quotidiano da vida do farmacêutico. E por muitas razões. Por que há interações medicamentosas com alimentos; porque ele pode orientar sobre algumas regras alimentares no âmbito de projetos em que apostam as farmácias ou inclusivamente nos cuidados farmacêuticos, a propósito da alimentação do hipertenso ou do diabético, já que o regime alimentar pode ser crucial como complemento do tratamento das patologias; mas também por causa da doença celíaca, que requer informação nutricional apropriada, sugestão de dietas especiais e uma correta alimentação.

O farmacêutico está disponível, no caso da intolerância ao glúten, para informar os doentes de que devem seguir um regime alimentar compatível, pois dispõe de muita informação sobre a alimentação adequada aos doentes celíacos, sabe quais são os alimentos proibidos, os alimentos que podem conter glúten, os alimentos permitidos e os conselhos práticos para quem faça refeições fora de casa.

Conte com o seu farmacêutico para esclarecer os aspetos em que subsistam dúvidas. O farmacêutico, para além de transmitir orientações e aconselhamento, está em condições de nos orientar para uma consulta médica, se for caso disso. Sempre que o farmacêutico recomende uma consulta médica (de urgência ou não), não hesite: leve o seu filho ao médico.

FARMÁCIA SAÚDE – ANF
www.anf.pt

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