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Dietas de Verão? Não

Perder. Recuperar. Ganhar. Quem luta contra o excesso de peso conhece bem este ciclo vicioso e desmotivante. A perda de quilos não se faz de um dia para outro, nem com milagres. Diga não ao ‘iôiô’.

Surgem com os raios de sol e com o drama de não se conseguir enfiar no fato de banho. Quem não fez já uma dieta antes das férias de Verão? A prática não é, contudo, recomendável e pode levar ao efeito ‘iôiô’. “As pessoas fazem tudo para emagrecer enquanto a praia dura, mas depois esquecem-se e engordam cada vez mais de ano para ano, até que deixam de conseguir emagrecer”, explica o presidente da Associação de Doentes Obesos e Ex-Obesos (ADEXO), Carlos Oliveira à margem do Dia Europeu da Obesidade, que se assinalou dia 21, com um alerta para estas dietas. “O efeito ‘iôiô’ é consequência de uma dieta inadequada e da prática de hábitos alimentares errados”, acrescenta a presidente da Associação Portuguesa de Dietistas (APD), Graça Raimundo. Tudo porque “neste tipo de dietas não existe correcção dos hábitos alimentares, um dos factores verdadeiramente responsável pelo excesso de peso”.

“O objectivo é quebrar o perigoso ciclo de repetidas perdas e ganho de peso corporal e os seus efeitos nefastos sobre a saúde, tanto física como mental”, sublinha Carlos Oliveira. Uma tarefa que não é fácil porque, conforme acrescenta a dietista, “as pessoas com excesso de peso são facilmente influenciáveis pela publicidade enganosa e acreditam em tratamentos fáceis e rápidos, pagando o preço que for necessário”. Para além disso, a oferta é grande. “Existem no mercado não uma, mas várias dietas loucas, desde a dieta da sopa, à dieta da lua, às dietas com exclusão radical de alimentos e nutrientes”, refere Graça Raimundo.

 

Pior a emenda…

Além de não originar os efeitos pretendidos, estas dietas provocam muitas vezes o efeito perverso de originar “maior dificuldade de emagrecimento mesmo quando se volta a fazer dietas de baixo valor calórico”, uma vez que há uma diminuição do metabolismo basal, ou seja o organismo passa a gastar menos energia para o seu funcionamento”.

Se ainda não está convencido de que as dietas rápidas não são a solução para o seu problema, saiba que estas são meio caminho para a descrença no sucesso. “São vários os testemunhos de obesos que já passaram pelos mais variados tipos de dietas, a maior consequência é que após cada insucesso terapêutico maior é a desmotivação e auto-estima e mais difícil o tratamento”, alerta a dietista. Por isso, não escolha o atalho que o traz de volta ao início.

“Não existem soluções milagrosas para tratar a obesidade”, avisa a presidente da APD. “O tratamento passa pela mudança do estilo de vida: Reeducação alimentar e aumento da actividade física, ou em situações mais graves, pelo tratamento cirúrgico, embora sempre acompanhado pela aquisição de um estilo de vida mais saudável”, esclarece, acrescentando que “o doente deve enfrentar o problema com determinação e procurar apoio clínico e nutricional junto do seu médico e dietista”. Está à espera de quê para pedir ajuda?

Jornal do Centro de Saúde

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