A saúde oral não tem idade: mesmo quando se usam próteses dentárias, há que zelar pela saúde da boca e dos dentes. Para comer, sorrir, falar e rir sem problemas.
Os dentes são concebidos para durar uma vida inteira. Mas, para isso, é preciso que cuidemos deles, mantendo uma boa higiene oral. Independentemente da idade, está-se sempre a tempo de manter a boca saudável, sob pena de bactérias tomarem os dentes de assalto causando a desagradável e nociva placa bacteriana.
E quando a placa não é adequadamente removida forma-se uma camada dura que reveste os dentes e resiste à escovagem. Está aberto caminho a danos nos dentes e nas gengivas, nomeadamente cáries e gengivite, uma infecção que, se não for tratada, pode fazer com que as gengivas se descolem dos dentes, formando bolsas infectadas.
No extremo, tanto os ossos como os tecidos são afectados, podendo
obrigar à remoção de dentes.
Escovar é preciso
Este é um risco que se minimiza praticando uma boa higiene oral. E o primeiro dos gestos é a escovagem, duas vezes por dia com uma pasta com flúor. Existem dentífricos adequados a dentes e gengivas sensíveis, bem como escovas de cerdas macias. Para quem tem dificuldade nos movimentos da mão, devido, por exemplo, a artrite, as escovas eléctricas podem ser úteis.
Em complemento, deve ser usado diariamente o fio dentário, um instrumento fundamental para remover os restos de alimentos que se depositam entre os dentes, tornando-se mais inacessíveis à escova. A língua e o palato também devem ser escovados, com suavidade.
Se as gengivas sangrarem durante a higiene oral é aconselhável consultar o dentista, que poderá recomendar uma solução anti-bacteriana para controlar a placa e diminuir a inflamação.
Cuidar das próteses
É comum que, com o passar dos anos, tenha havido perda de dentes, obrigando à sua substituição por próteses, que tanto podem ser parciais como totais, amovíveis ou fixas. Seja como for, as próteses requerem cuidados específicos, estando disponíveis produtos apropriados.
O que não dispensam é a higiene diária. Para remover restos de comida, eliminar manchas e prevenir o mau hálito e as doenças da boca. Assim, quando as próteses são fixas devem ser submetidas aos mesmos gestos de limpeza dos dentes naturais – escovagem duas vezes por dia, embora não com dentífrico, mas com um produto próprio.
Quando são removíveis, devem ser limpas todos os dias, colocando- se numa solução de limpeza.
Como idealmente as próteses devem ficar algumas horas fora da boca, pode aproveitar-se a noite para a sua limpeza.
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Mas há alternativas para uma limpeza mais rápida, com soluções que actuam em poucos minutos. O importante é respeitar as indicações de cada produto.
A saúde oral é mais do que hgiene: envolve cuidados que passam pela alimentação, com moderação no uso de açúcares e de alimentos passíveis de se colarem aos dentes, e pela consulta regular do dentista.
É certo que nem sempre esta rotina é possível, dado que muitos idosos não auferem rendimentos que lhes permitam pagar uma consulta privada, na ausência de especialistas no Serviço Nacional de Saúde.
O dentista avalia o estado da boca e dos dentes, ou da prótese, mas contribui igualmente para despistar outros problemas de saúde.
Próteses, modo de uso
O uso de próteses devolve a capacidade de comer, falar, sorrir e rir com mais confiança, contribuindo inegavelmente para uma melhor qualidade de vida.
Porém, nem sempre é fácil a adaptação: afinal, trata-se de um corpo estranho.
No início, a prótese pode parecer demasiado grande para a boca, dando a sensação de que se move com a saliva. Para reduzir o desconforto, é importante engolir mais devagar e, gradualmente, o excesso de saliva desaparecerá.
Pode levar algum tempo até que a prótese encaixe perfeitamente nas gengivas, sendo natural que, no início, haja alguma dor. O melhor é prevenir, ingerindo apenas alimentos moles nos primeiros dias, comendo em pequenas quantidades e várias vezes, mastigando sempre muito bem.
Sopa, gelado, iogurte, pudim e gelatina são alimentos a privilegiar enquanto as gengivas não se habituam à prótese. De evitar são as verduras cruas, as carnes fibrosas, as frutas com sementes, os alimentos pastosos e pegajosos e as pastilhas elásticas e caramelos. A pouco e pouco podem experimentar-se grelhados ligeiros, carnes picadas, verduras e frutas cozidas ou maduras, peixe e purés. Os alimentos devem ser cortados em pedaços pequenos.
Também a fala pode ser afectada pelo uso da prótese. Ao princípio os sons podem parecer estranhos e as palavras difíceis de pronunciar. Mas é passageiro: praticar a leitura em voz alta ajuda a recuperar a confiança. Rapidamente se esquecerá de que tem uma prótese dentária.
O desconforto é natural e temporário. Mas se persistir, se houver dor ou inflamação, há que consultar o dentista: pode ser necessário fazer alguns ajustes. O que não se deve é tentar soluções caseiras, sob pena de danificarem a prótese.
As reparações devem ficar por conta dos técnicos, já a limpeza é um cuidado diário a cargo do utilizador.
Na impossibilidade de conservar os dentes naturais, a prótese permite que a pessoa se sinta melhor, com uma nova aparência e uma confiança renovada.
FARMÁCIA SAÚDE – ANF
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