No dia 27 de Março comemorou-se o Dia Nacional do Dador de Sangue. Esta celebração teve como propósito recordar e celebrar a atitude de milhares de pessoas que, voluntariamente, dão sangue, num gesto capaz de salvar muitas vidas. Se há anos atrás, os stocks estavam mais do que no vermelho, hoje, estamos cada vez mais preparados para sermos auto-suficientes.
Para Cláudio Gonçalo Costa, técnico de turismo, de 26 anos, «é importante que as pessoas doem sangue porque é uma forma de ajudar os outros. É sempre de valorizar o espírito de entre ajuda que deve haver em relação a pessoas que podem, numa determinada altura, por diversos motivos, necessitar de uma transfusão de sangue».
Já para Helena Costa, de 35 anos e bancária de profissão, «ser dador de sangue é ter um posicionamento um pouco altruísta e termos a possibilidade de fazermos alguma coisa por outras pessoas pois, quem sabe, um dia não podemos ser nós a precisar».
Cada vez mais os portugueses estão mentalizados sobre a importância de se dar sangue. Isso mesmo demonstram os números do Instituto Português do Sangue (IPS) que revelam um total de 165 mil unidades recolhidas em 2004, com um consequente aumento para as 190 mil unidades no ano passado.
De acordo com o Dr. José d’Almeida Gonçalves, presidente do IPS, «a grande maioria dos dadores dá sangue uma vez por ano. Até podiam dar mais vezes, pois os homens podem dar sangue até quatro vezes por ano, ou seja de três em três meses, enquanto que as mulheres podem dar sangue até três vezes num ano, ou seja, de quatro em quatro meses. O ideal era que dessem a cada seis meses».
O sangue continua e continuará a ser necessário. Essa necessidade só é colmatada pela doação voluntária que os dadores fazem. Se é verdade que hoje a situação é boa em comparação com anos anteriores em que o valor das unidades armazenadas era criticamente baixo, hoje há um número que permite ter uma situação controlada.
É precisamente por este inverter de situação que «todos os dias são dias para agradecer aos dadores. São eles que contribuem para o aprovisionamento das unidades de sangue que irão permitir salvar vidas. Temos de reconhecer o papel preponderante e imprescindível deste grupo de pessoas», refere o presidente do IPS.
Uma situação, que também merece a atenção por parte de José d’Almeida Gonçalves, é a participação cada vez maior das mulheres em todo o processo de doação de sangue. Segundo o representante máximo do Instituto, «as mulheres estão a ter um papel cada vez mais preponderante. Creio mesmo que dentro de dois a três anos atingiremos o equilíbrio entre dadores e dadoras. Já neste momento, na nossa delegação do Porto, temos um maior número de mulheres do que homens como dadores de sangue».
Esta nova postura deve-se a um maior conhecimento por parte da sociedade em geral em relação ao conceito de se ser dador de sangue. Além desta mudança de mentalidade, também as associações e entidades com quem o IPS trabalha têm vindo a desempenhar um papel importante, desbravando muitas vezes terrenos mais fechados. São mais de 600, a sua grande maioria gerida, com órgãos sociais eleitos e sedes próprias, o que lhes atribui, desde logo, um cunho de profissionalismo.
Não é complicado ser dador de sangue. Existem três delegações do IPS a nível nacional: em Lisboa, de segunda a sábado das 08 às 19.30 h; Porto, de segunda a sexta das 09 às 19 h e sábados da parte da manhã; e Coimbra, dias de semana das 08 às 20 h e sábado das 08 às 17 h, onde qualquer pessoa pode ir fazer a sua doação, de forma rápida, sem necessidade de estar em filas de espera.
Os requisitos para se ser dador são simples e abrangem uma grande fatia da população portuguesa pois, «basta ser maior de 18 anos ter preferencialmente menos de 65 anos e ser saudável, sem doenças que possam prejudicar a sanidade do sangue a ser doado. De resto, dar sangue é um puro acto de cidadania completamente voluntário», refere José d’Almeida Gonçalves.
A edição deste ano da comemoração do Dia Nacional do Dador de Sangue terá lugar em Cabanas de Viriato, no concelho de Carregal do Sal, na zona de Viseu. A escolha deste local deve-se ao facto de ser o local de nascimento de Aristides de Sousa Mendes, proeminente diplomata que se destacou como humanista de excelência tendo salvo cerca de 30 mil vidas com os seus vistos durante a Segunda Guerra Mundial.
A evocação deve-se também ao facto da Fundação Aristides de Sousa Mendes ser uma das associações com quem o IPS trabalha na recolha de sangue e querer, de uma forma simbólica, atingir a recolha de 30 mil unidades de sangue que corresponderá às vidas salvas pelo diplomata.
As cerimónias contam normalmente com a presença de associações e entidades que colaboram com o IPS na recolha de sangue, representantes do Ministério da Saúde e da Igreja Católica que tem tido, ao longo dos anos, um papel importante na promoção da dádiva de sangue.
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