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Cuide da sua visão

De uma vasta panóplia de patologias oculares que afectam os portugueses, há três causas evitáveis de má visão e cegueira. Estes problemas podem ser tratados, quando diagnosticados a tempo.

A diabetes é uma patologia que provoca, ao longo do seu tempo de evolução, alterações da estrutura das artérias, modificando, assim, a irrigação dos tecidos. O tecido da retina é um tecido nervoso, muito sensível à má perfusão sanguínea. Mas quando esta situação ocorre leva à destruição das suas células e, por conseguinte, a dificuldades visuais.

Esta patologia insidia-se sub-repticiamente, sem alterar a visão, ou seja, sem dar sintomas. Acontece que, quando estes aparecem, na maioria das vezes já é tarde. Por isso, a doença ocular da diabetes tem de ser diagnosticada antes de os doentes se queixarem. Cabe, por isso, a todos os diabéticos, mesmo os que estejam controlados, a visita regular a um médico oftalmologista.

Uma outra situação ocular é o glaucoma, que se deve, fundamentalmente, à morte do nervo óptico. Este nervo é uma espécie de cabo coaxial que transporta para o cérebro os estímulos desencadeados pela luz sobre as células da retina (onde são transformadas e percebidas como imagens). Sem este transporte não há visão.

Em algumas pessoas, as fibras do nervo óptico degeneram progressivamente e desaparecem. É mais uma vez um processo insidioso, o doente não se apercebe que, todos os dias, perde algumas fibras e o seu campo visual vai diminuindo. È como o envelhecimento: hoje estamos mais velhos que ontem. Mas só notamos quando pegamos numa foto antiga é que registamos as diferenças.

O doente põe uns óculos, vê 100% ao perto e ao longe e julga que está muito bem. Todavia, quando o oftalmologista observa o seu fundo ocular, verifica que o aspecto da retina ou do nervo óptico não é o ideal. Manda executar exames complementares e faz o diagnóstico. O glaucoma é provocado por vários factores, um dos quais é o aumento da tensão ocular. Mas há pessoas com glaucoma grave e tensão ocular normal. Por isso é preciso fazer o seu rastreio, através da observação cuidadosa da retina e do nervo óptico.

Todas as pessoas com história de glaucoma na família devem ser observadas, porque têm maior probabilidade de o vir a ter também, assim como toda a população, pelo menos a partir dos 40 anos. É preciso tratar antes de haver sintomas!

 

5 mil amblíopes em Portugal

As crianças como é sabido não vêem bem ao nascer. Aprendem a ver, à medida que as suas células cerebrais vão sendo estimuladas com imagens nítidas. Mas, se um dos olhos tiver uma deficiência como um certo astigmatismo, uma determinada hipermetropia, um valor elevado de miopia, isso significa que o olho não vai estimular devidamente as células cerebrais que lhe correspondem. Resultado: irão ficar atrofiadas para toda a vida, uma vez que há um período na infância que é próprio para o seu desenvolvimento.

Por outro lado, se houver um desvio ocular, ou seja um estrabismo, mesmo que muito pequeno, o cérebro “desliga” esse olho para não ver duas imagens. Então, mais uma vez, vamos ter atrofia das células cerebrais conectadas com esse olho e, portanto, a impossibilidade de visão.

É a isto que se chama ambliopia. Ao fim e ao cabo é como que uma “cegueira cerebral”, uma má visão, apesar de o olho estar bom (estrabismo) ou com a deficiência corrigida (óculos). É preciso, portanto, fazer este diagnóstico a tempo ou realizar rastreio dos factores ambliogénicos o mais cedo possível, de preferência antes dos três anos. Em Portugal, nascem cerca de 100 mil crianças por ano, o que significa que todos os anos há cerca de 5 mil amblíopes. É preciso encontrá-los!

 

“O glaucoma é processo insidioso: o doente não se apercebe que, todos os dias, perde algumas fibras e o seu campo visual vai diminuindo”

Jornal do Centro de Saúde

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