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Combater as doenças da próstata

Todos falamos dela mas poucos sabemos o que é e para que serve. Na verdade, a próstata é mais conhecida pelas patologias que provoca do que propriamente pela sua função e pela importância de os homens realizarem rastreios regulares a partir de uma certa idade. O Jornal do Centro de Saúde marcou presença no XI Simpósio APU2010, realizado no Algarve e promovido pela Associação Portuguesa de Urologia e falou com os especialistas da área sobre as formas de prevenção e as terapêuticas mais modernas e eficazes após o diagnóstico. Conheça as novidades!

É uma glândula tão pequena mas com uma importância enorme! Certamente ficará admirado se lhe dizermos que a próstata tem o tamanho de uma castanha. Não menos verdade é o facto de poder crescer sem que o homem se aperceba “até se parecer com uma laranja ou mesmo um abacate”, salienta o Dr. Ronaldo Damião, urologista e professor no Rio de Janeiro. Tem cerca de 20 gramas mas pode atingir 250, 300 gramas através de um crescimento benigno mas que deve ser tratado.

Localizada à frente do recto, abaixo da bexiga, a próstata envolve a uretra e faz parte do aparelho reprodutor masculino. Muitas vezes, confundem-se as doenças relacionadas com esta glândula com a incapacidade sexual. No entanto, este é um mito que deve ser desfeito. A produção de algumas secreções e o facto de uma delas ter importância na liquefacção do esperma pode justificar algumas das ideias feitas.

“A maioria das pessoas considera que a próstata é um órgão sexual. Na verdade, tem mais impacto na fertilidade porque produz uma substância que permite a sobrevivência dos espermatozóides”, acrescenta o urologista brasileiro. Ao agir na fertilização e ao defender o tracto urinário inferior de infecções que possam surgir pela uretra, a próstata assume particular importância na vida do homem, tornando-se imprescindível.

 

Passos para uma prevenção eficaz

Por ano, em Portugal, são diagnosticados cerca de 3000 a 4000 novos casos de cancro da próstata e morrem cerca de 1500 a 1800 doentes. “São números demasiado preocupantes”, revela o Dr. Tomé Lopes, presidente da Associação Portuguesa de Urologia (APU). Ainda assim, hoje sabe-se que “o diagnóstico mais precoce da doença tem vindo a aumentar”, acrescenta.

Ainda no âmbito das doenças da próstata, até 80% dos homens desenvolverão Hiperplasia Benigna da Próstata (HBP) e cerca de 20%, cancro. “Normalmente, as pessoas temem o cancro mas se é diagnosticada HBP num homem e os sintomas agravarem, a situação vai evoluir, agravar a sua saúde quando poderia ter sido devidamente acompanhado e tratado apenas com medicamentos e sem necessidade de se recorrer a cirurgia”, adianta o presidente da APU.

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Esta doença pode manifestar-se por sintomas típicos, como por exemplo, a dificuldade em urinar e o facto de o homem acordar de noite várias vezes para urinar. “Muitas vezes, os doentes associam estes sintomas como sendo próprios do avançar da idade, o que pode levar a situações muito graves. Não havendo sintomas, a vigilância é a única forma de se detectarem problemas relacionados com a próstata, daí a enorme importância do rastreio regular”, salienta Tomé Lopes.

Na realidade, o especialista salienta que, há cerca de 20 anos, 80% dos doentes que apareciam na consulta com carcinoma da próstata e HPB tinham a doença muito avançada e provavelmente incurável. “Hoje em dia, os doentes na ordem dos 60%, aparecem na consulta com a doença localizada ou em estadio inicial. É uma evolução enorme em apenas duas décadas.” Nem tudo são más notícias mas há que continuar a informar e a caminhar para combater as doenças da próstata.

Quando procurar ajuda especializada?

1. Deve procurar o médico se tiver mais de 50 anos. “A idade é um factor pelo qual os homens devem procurar um Médico de Medicina Geral e Familiar ou um urologista”, justifica Tomé Lopes.

2. Se tiver sintomas miccionais, como por exemplo, urinar mal, com dificuldades, de forma diferente, não os ignore. Estes são sinais de uma doença urológica que justificam uma ida ao médico.

3. “Sangue na urina é o principal sinal de alarme de muitos tumores urológicos (rim, bexiga e mais raramente o da próstata). O sangue na urina pode também ser o principal sinal de doenças benignas que devem ser vigiadas, como por exemplo, a Hiperplasia Benigna da Próstata”, acrescenta o presidente da APU.

4. Quer a Associação Europeia de Urologia, quer a Associação Americana de Urologia, quer a Associação Portuguesa de Urologia recomendam que todos os homens com mais de 50 anos devem vigiar a sua próstata uma vez por ano. “Se qualquer homem tiver familiares com cancro da próstata, como por exemplo, o pai, deve começar a realizar a sua vigilância a partir dos 45 anos. É preciso que o homem voluntariamente vá ao médico fazer essa vigilância. Claro que o médico de família pode pedir a análise PSA mas também já há muitos doentes que pedem esses exames específicos nas consultas. A vigilância deve ser feita com o PSA e com a palpação da próstata – toque rectal. Os dois exames devem ser complementares”, acrescenta Tomé Lopes.

Estudo ComBAT lança novos dados no tratamento médico da HBP

Um estudo internacional realizado em 34 países de vários continentes, durante quatro anos, em cerca de 500 centros, envolveu mais de 4800 doentes e foi apresentado no XI Simpósio APU2010. Portugal foi um dos países envolvidos com a participação de cinco centros distribuídos por Lisboa, Porto e Coimbra.
Os resultados agora apresentados vieram demonstrar que a terapêutica de combinação é a melhor solução para os doentes com HBP trazendo benefícios no que respeita à melhoria da qualidade de vida e à menor necessidade de cirurgia por HBP.

“O estudo revelou alguns dados importantes reforçando a importância da terapêutica de combinação e introduzindo algumas novidades. A associação de dois tipos de medicamentos cujo mecanismo de acção já era conhecido para a HBP leva a uma melhoria substancial dos sintomas e previne de modo muito significativo a ocorrência de episódios de retenção urinária aguda e cirurgia relacionada com a doença, o que constitui claramente uma vantagem para os doentes”, indica o Dr. Miguel Guimarães, urologista do Hospital de São João, no Porto, e um dos investigadores do estudo no nosso país.

[Continua na página seguinte]

As melhorias identificadas iniciam-se a partir dos “3 meses e pelo menos até aos 48 meses. Olhando para a curva que se apresenta nos gráficos dos resultados obtidos, é de prever que esta melhoria se mantenha por mais tempo”, acrescenta.

Esta dupla terapêutica desenvolvida pela GSK resulta num único medicamento e deverá ser recomendada “em doentes mais sintomáticos, ou seja, aqueles que se encontram clinicamente piores. Nestes, a nova terapêutica combinada num único comprimido – já à venda no nosso país desde o início de Novembro – diminui em cerca de 50% a ocorrência de episódios de retenção urinária aguda ou de cirurgia relacionada com a HBP, o que significa uma diminuição de custos considerável”, acrescenta Miguel Guimarães. Ou seja, para além das melhorias referidas, também em termos económicos, a associação terapêutica pode ser é benéfica: a associação é mais barata do que os dois medicamentos comprados separadamente.

Sintomas físicos, influência psicológica

Qualquer homem com um diagnóstico de HBP com sintomas moderados e severos tem restrições. “Tem medo de viajar porque pode ter de parar várias vezes para urinar; tem medo de viajar de avião caso não consiga um lugar perto da casa de banho; ou de ir ao teatro, ao cinema ou a outro evento social pelo mesmo motivo. Há toda uma restrição da vida social”, esclarece Ronaldo Damião. A companheira acaba por sofrer com o marido e ficar restrita a uma vida muito limitativa.

“Esta medicação melhora os sintomas, diminui o sofrimento e reintegra o paciente na vida social diminuindo o seu desgaste emocional. Há que envelhecer com qualidade. Esse é um dos grandes objectivos da Medicina”, salienta o especialista brasileiro. No Chile e em alguns países da América do Sul, a terapêutica combinada agora apresentada em Portugal já está a ser administrada em doentes com HBP e com enorme sucesso. “Na verdade, existem vários parâmetros para se prescrever a medicação: quando há sintomas moderados; quando a próstata já está um pouco crescida e quando o PSA está um pouco aumentado”, salienta Ronaldo Damião.

Com este novo medicamento, os doentes passam a tomar uma cápsula por dia em vez de duas, o que influencia também e de forma positiva a adequada adesão à terapêutica.

Para mais informações, contacte:

Associação Portuguesa de Urologia
Morada: Rua Nova do Almada 95, 3ºA – 1200-288 LISBOA
Telefone: 213 243 590
Fax: 213 243 599
E-mail: apurologia@mail.telepac.pt
Site. www.apurologia.pt (neste site, terá acesso a várias informações sobre as doenças urológicas e poderá aprender mais sobre cada uma delas).

É uma glândula tão pequena mas com uma importância enorme! Certamente ficará admirado se lhe dizermos que a próstata tem o tamanho de uma castanha. Não menos verdade é o facto de poder crescer sem que o homem se aperceba “até se parecer com uma laranja ou mesmo um abacate”, salienta o Dr. Ronaldo Damião, urologista e professor no Rio de Janeiro. Tem cerca de 20 gramas mas pode atingir 250, 300 gramas através de um crescimento benigno mas que deve ser tratado.

Localizada à frente do recto, abaixo da bexiga, a próstata envolve a uretra e faz parte do aparelho reprodutor masculino. Muitas vezes, confundem-se as doenças relacionadas com esta glândula com a incapacidade sexual. No entanto, este é um mito que deve ser desfeito. A produção de algumas secreções e o facto de uma delas ter importância na liquefacção do esperma pode justificar algumas das ideias feitas.

“A maioria das pessoas considera que a próstata é um órgão sexual. Na verdade, tem mais impacto na fertilidade porque produz uma substância que permite a sobrevivência dos espermatozóides”, acrescenta o urologista brasileiro. Ao agir na fertilização e ao defender o tracto urinário inferior de infecções que possam surgir pela uretra, a próstata assume particular importância na vida do homem, tornando-se imprescindível.

 

Passos para uma prevenção eficaz

Por ano, em Portugal, são diagnosticados cerca de 3000 a 4000 novos casos de cancro da próstata e morrem cerca de 1500 a 1800 doentes. “São números demasiado preocupantes”, revela o Dr. Tomé Lopes, presidente da Associação Portuguesa de Urologia (APU). Ainda assim, hoje sabe-se que “o diagnóstico mais precoce da doença tem vindo a aumentar”, acrescenta.

Ainda no âmbito das doenças da próstata, até 80% dos homens desenvolverão Hiperplasia Benigna da Próstata (HBP) e cerca de 20%, cancro. “Normalmente, as pessoas temem o cancro mas se é diagnosticada HBP num homem e os sintomas agravarem, a situação vai evoluir, agravar a sua saúde quando poderia ter sido devidamente acompanhado e tratado apenas com medicamentos e sem necessidade de se recorrer a cirurgia“, adianta o presidente da APU.

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Esta doença pode manifestar-se por sintomas típicos, como por exemplo, a dificuldade em urinar e o facto de o homem acordar de noite várias vezes para urinar. “Muitas vezes, os doentes associam estes sintomas como sendo próprios do avançar da idade, o que pode levar a situações muito graves. Não havendo sintomas, a vigilância é a única forma de se detectarem problemas relacionados com a próstata, daí a enorme importância do rastreio regular”, salienta Tomé Lopes.

Na realidade, o especialista salienta que, há cerca de 20 anos, 80% dos doentes que apareciam na consulta com carcinoma da próstata e HPB tinham a doença muito avançada e provavelmente incurável. “Hoje em dia, os doentes na ordem dos 60%, aparecem na consulta com a doença localizada ou em estadio inicial. É uma evolução enorme em apenas duas décadas.” Nem tudo são más notícias mas há que continuar a informar e a caminhar para combater as doenças da próstata.

Quando procurar ajuda especializada?

1. Deve procurar o médico se tiver mais de 50 anos. “A idade é um factor pelo qual os homens devem procurar um Médico de Medicina Geral e Familiar ou um urologista”, justifica Tomé Lopes.

2. Se tiver sintomas miccionais, como por exemplo, urinar mal, com dificuldades, de forma diferente, não os ignore. Estes são sinais de uma doença urológica que justificam uma ida ao médico.

3. “Sangue na urina é o principal sinal de alarme de muitos tumores urológicos (rim, bexiga e mais raramente o da próstata). O sangue na urina pode também ser o principal sinal de doenças benignas que devem ser vigiadas, como por exemplo, a Hiperplasia Benigna da Próstata”, acrescenta o presidente da APU.

4. Quer a Associação Europeia de Urologia, quer a Associação Americana de Urologia, quer a Associação Portuguesa de Urologia recomendam que todos os homens com mais de 50 anos devem vigiar a sua próstata uma vez por ano. “Se qualquer homem tiver familiares com cancro da próstata, como por exemplo, o pai, deve começar a realizar a sua vigilância a partir dos 45 anos. É preciso que o homem voluntariamente vá ao médico fazer essa vigilância. Claro que o médico de família pode pedir a análise PSA mas também já há muitos doentes que pedem esses exames específicos nas consultas. A vigilância deve ser feita com o PSA e com a palpação da próstata – toque rectal. Os dois exames devem ser complementares”, acrescenta Tomé Lopes.

Estudo ComBAT lança novos dados no tratamento médico da HBP

Um estudo internacional realizado em 34 países de vários continentes, durante quatro anos, em cerca de 500 centros, envolveu mais de 4800 doentes e foi apresentado no XI Simpósio APU2010. Portugal foi um dos países envolvidos com a participação de cinco centros distribuídos por Lisboa, Porto e Coimbra.
Os resultados agora apresentados vieram demonstrar que a terapêutica de combinação é a melhor solução para os doentes com HBP trazendo benefícios no que respeita à melhoria da qualidade de vida e à menor necessidade de cirurgia por HBP.

“O estudo revelou alguns dados importantes reforçando a importância da terapêutica de combinação e introduzindo algumas novidades. A associação de dois tipos de medicamentos cujo mecanismo de acção já era conhecido para a HBP leva a uma melhoria substancial dos sintomas e previne de modo muito significativo a ocorrência de episódios de retenção urinária aguda e cirurgia relacionada com a doença, o que constitui claramente uma vantagem para os doentes”, indica o Dr. Miguel Guimarães, urologista do Hospital de São João, no Porto, e um dos investigadores do estudo no nosso país.

[Continua na página seguinte]

As melhorias identificadas iniciam-se a partir dos “3 meses e pelo menos até aos 48 meses. Olhando para a curva que se apresenta nos gráficos dos resultados obtidos, é de prever que esta melhoria se mantenha por mais tempo”, acrescenta.

Esta dupla terapêutica desenvolvida pela GSK resulta num único medicamento e deverá ser recomendada “em doentes mais sintomáticos, ou seja, aqueles que se encontram clinicamente piores. Nestes, a nova terapêutica combinada num único comprimido – já à venda no nosso país desde o início de Novembro – diminui em cerca de 50% a ocorrência de episódios de retenção urinária aguda ou de cirurgia relacionada com a HBP, o que significa uma diminuição de custos considerável”, acrescenta Miguel Guimarães. Ou seja, para além das melhorias referidas, também em termos económicos, a associação terapêutica pode ser é benéfica: a associação é mais barata do que os dois medicamentos comprados separadamente.

Sintomas físicos, influência psicológica

Qualquer homem com um diagnóstico de HBP com sintomas moderados e severos tem restrições. “Tem medo de viajar porque pode ter de parar várias vezes para urinar; tem medo de viajar de avião caso não consiga um lugar perto da casa de banho; ou de ir ao teatro, ao cinema ou a outro evento social pelo mesmo motivo. Há toda uma restrição da vida social”, esclarece Ronaldo Damião. A companheira acaba por sofrer com o marido e ficar restrita a uma vida muito limitativa.

“Esta medicação melhora os sintomas, diminui o sofrimento e reintegra o paciente na vida social diminuindo o seu desgaste emocional. Há que envelhecer com qualidade. Esse é um dos grandes objectivos da Medicina”, salienta o especialista brasileiro. No Chile e em alguns países da América do Sul, a terapêutica combinada agora apresentada em Portugal já está a ser administrada em doentes com HBP e com enorme sucesso. “Na verdade, existem vários parâmetros para se prescrever a medicação: quando há sintomas moderados; quando a próstata já está um pouco crescida e quando o PSA está um pouco aumentado”, salienta Ronaldo Damião.

Com este novo medicamento, os doentes passam a tomar uma cápsula por dia em vez de duas, o que influencia também e de forma positiva a adequada adesão à terapêutica.

Para mais informações, contacte:

Associação Portuguesa de Urologia
Morada: Rua Nova do Almada 95, 3ºA – 1200-288 LISBOA
Telefone: 213 243 590
Fax: 213 243 599
E-mail: apurologia@mail.telepac.pt
Site. www.apurologia.pt (neste site, terá acesso a várias informações sobre as doenças urológicas e poderá aprender mais sobre cada uma delas).

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