Cinco anos a lutar contra o bacilo
«Presentemente, tentamos que integre a nossa equipa um animador cultural ou um terapeuta ocupacional», revela o mesmo médico.
Acontece que, mesmo com apoio psicossocial diário, telefone, videoteca e televisão em todos os quartos, os dias são longos demais para quem está fechado entre quatro paredes durante períodos de tempo tão significativos…
Resta salientar que a unidade tem a sua lotação quase sempre esgotada.
«Em 2003 passaram por aqui 217 doentes, em 2004 o número subiu para 244», salienta Jaime Pina.
A maioria destes pacientes saiu significativamente melhor, o que quer dizer que «a missão foi cumprida».
Internar ou não internar?
Sendo a tuberculose uma doença
facilmente transmissível, através da inalação de gotículas contaminadas
dispersas no ar, a decisão de manter
um doente isolado depende de vários factores.
«A tuberculose pode ser tratada em ambulatório desde que o doente tenha um bom suporte familiar e social», explica Jaime Pina, continuando:
«Um indigente, que não tenha o tal suporte sociofamiliar e que não mostre garantias que assegurem a adesão ao tratamento em ambulatório, representa um perigo para a saúde pública e,
por isso, exige um internamento mais prolongado.»
E acrescenta: «Há também os casos
de maior gravidade, de tuberculose
multirresistente, ou tuberculose em doentes infectados pelo VIH/SIDA, nos quais o internamento é quase sempre obrigatório e mais demorado.»
Ainda segundo o especialista,
«normalmente bastam três semanas de tratamento em regime de internamento para o doente deixar de ser contagioso e poder voltar para a comunidade, onde deverá continuar o tratamento em regime ambulatório, até ser considerado curado. Como um dos principais problemas na tuberculose é o da falta de adesão
à terapêutica, adoptamos, com grande rigor, a Toma sob Observação Directa (TOD), ou seja, administramos sempre
a medicação supervisionada por um profissional de Saúde, no nosso caso,
um enfermeiro».
Devagar, devagarinho…
Embora o número de novos casos por ano esteja a diminuir, Portugal continua a ser «o País da Europa Ocidental com mais tuberculose». Surgem cerca de quatro mil doentes por ano e «o ritmo do decréscimo é muito lento». Lento demais para se poder dizer que a tuberculose está controlada a um nível satisfatório.
Muito pelo contrário, «a situação está muito má, especialmente nos grandes centros urbanos como Lisboa e Porto», frisa o pneumologista. O médico vai mais longe e afirma que «os nossos níveis de incidência e de prevalência não são característicos de um país desenvolvido».
Os toxicodependentes, os doentes infectados pelo VIH/SIDA, os sem-abrigo e os imigrantes – sobretudo os provenientes de África e da Europa de leste – são os
grupos com maior risco de adoecer com tuberculose.
«Alguns dos imigrantes de países muito pobres, como os africanos ou do leste europeu, entram em Portugal já infectados», avança Jaime Pina.
Quando o problema é diagnosticado,
é no nosso País que tomam o primeiro
contacto com a doença e que procuram
o tratamento.
«Neste momento, estamos com uma incidência anual que ronda os 35 casos por 100.000 habitantes, enquanto que essa taxa nos países da União Europeia ronda os 11 casos por 100 mil habitantes. Isto quer dizer que há ainda um longo caminho a percorrer. Todos os anos há regressão da doença, mas, infelizmente, a um ritmo insuficiente», comenta o especialista.

