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Cerca de 3% das crianças portuguesas têm estrabismo » Olhos desencontrados

24 Outubro, 2007 0

Nem sempre é necessária a intervenção cirúrgica, pois há casos em que basta a aplicação de uma injecção de toxina botulínica directamente nos músculos, sob anestesia geral, para alterar a relação de forças entre eles e restabelecer o paralelismo dos olhos.

Seguindo-se o tratamento, normalmente, a partir dos 7 ou 8 anos a visão está estabelecida, mas há casos em que aos 3/4 anos o problema já está resolvido.

«Depois, a criança fica a ser observada uma ou duas vezes por ano, durante a sua escolaridade, para corrigir eventuais defeitos que podem surgir com o crescimento», afirma este especialista em Oftalmologia Pediátrica.

A importância do rastreio

Quanto mais precocemente um estrabismo é tratado, menores são as sequelas que ficam para toda a vida.

«Nas crianças mais velhas, é difícil fazer a recuperação, a melhoria da acuidade visual é mais complicada e a criança terá mais dificuldade em aceitar o tratamento que será mais longo e de resultados mais incertos», alerta José Carlos Mesquita.

O estrabismo tem duas componentes: a motora, do alinhamento, que pode ser corrigida numa fase mais avançada, e a sensorial, cuja recuperação só será viável se for precocemente tratada. Se o estrabismo não é tratado até aos 4/5 anos é muito complicado. A pessoa pode não ficar estrábica, mas com a função do olho muito reduzida.

Por tudo isto, «é fundamental detectar precocemente e fazer a correcção do estrabismo, não só para permitir a melhoria da acuidade visual, como inclusive para melhorar o rendimento escolar das crianças. Em muitos casos, o défice visual é o motivo do insucesso escolar», avisa o especialista, continuando:

«É por isso que eu julgo que a ambliopia é um problema social, de saúde pública e que podia ser minorado se houvesse programas de rastreio precoces, no sentido de despistar e tratar estes casos que não advêm de lesões orgânicas.»

«Os programas de rastreio são fáceis de realizar», assegura, «porque nem é necessário a crian­ça ser observada pelo oftalmologista, pois temos hoje técnicos de Ortóptica, credenciados e a traba­lhar directamente com os oftalmologistas, perfeitamente preparados para medir a acuidade visual na criança. Assim, o oftalmologista observa apenas os casos suspeitos».

Para este especialista, «em crianças que não manifestam problemas de visão, mas que podem tê-los, os rastreios devem ser feitos por volta dos três anos, porque nesta idade já colabora na determinação da acuidade visual com bonecos ou símbolos. Além disso, ainda é possível tratar com êxito as sequelas que possam aparecer.»

Segundo afiança José Carlos Mesquita, «hoje, a maioria dos pediatras estão sensibilizados para o problema e mandam as crianças aos oftalmologistas. Já os médicos de família não têm este hábito de enviarem as crianças para o rastreio visual. Por isso, tem de haver maior sensibilização junto dos médicos de família e mais facilidade no acesso à consulta de Oftalmologia Pediátrica».

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