Cancro do pulmão mata três mil portugueses por ano
É, de entre todos os tipos de tumor, o mais temido, mas nem por isso o mais prevenido. Quando se revelam os primeiros sintomas, em geral, atingiu-se uma fase avançada da história natural da doença oncológica.
Quando o cancro do pulmão se apresenta nesta fase, o que acontece com frequência nestes doentes, as alternativas terapêuticas do ponto de vista curativo são escassas, e, consequentemente, a esperança de vida após o diagnóstico é limitada.
«Nem sempre é possível curar um doente com cancro do pulmão, porque a maioria tem doença oncológica avançada aquando do diagnóstico. O cancro do pulmão é um tumor maligno com grande agressividade, sendo que só uma pequena percentagem de doentes se apresenta com doença limitada, e, portanto, com potencialidade de cura através da cirurgia», explica o Prof. Henrique Queiroga, pneumologista do Hospital de S. João, no Porto, adiantando:
«Todos os casos não cirúrgicos são obviamente para tratar (através de quimioterapia e radioterapia), mas com a intenção de prolongar a sobrevivência com qualidade de vida.»
Tosse persistente ou com sangue, dor no peito, rouquidão, episódios frequentes de pneumonia, bronquite ou «asma», falta de fôlego, perda de peso e de apetite são alguns dos sintomas do cancro do pulmão, isto após algum tempo, durante o qual a doença se desenvolve silenciosamente. Para além destes, outros sintomas podem estar associados, dependendo da extensão da doença e das áreas afectadas no momento do diagnóstico.
Diagnosticar é urgente
Por serem comuns a muitas outras doenças e poderem ser causados por outras condições clínicas, nem sempre os sintomas do cancro do pulmão são valorizados, o que, por vezes, retarda o diagnóstico. Como tal, a avaliação médica é necessária para o apuramento das causas e para o estabelecimento da terapêutica mais apropriada.
«A suspeita do diagnóstico de cancro do pulmão deriva da presença de sintomas, o que indica que o caso clínico é eventualmente avançado. No doente sem sintomas o diagnóstico é feito pelos exames imagiológicos do tórax (radiografia ou TAC torácico). Obviamente que o diagnóstico só é possível através da confirmação de células tumorais no exame citológico da expectoração, ou nas biopsias brônquicas e pulmonares», esclarece o pneumologista.
Após o diagnóstico é possível definir o estadiamento do tumor, isto é, saber se a doença oncológica está localizada apenas ao tórax ou se já apresenta metástases à distância. É a partir daqui que se traça o plano de tratamento mais adequado para cada doente. Segundo Henrique Queiroga «só após o estadiamento é possível saber qual a melhor abordagem terapêutica para cada caso clínico».
«O cancro do pulmão é o tumor maligno com maior taxa de mortalidade. Nos melhores centros médicos dos EUA, a taxa de sobrevivência aos cinco anos é de 16%. Na Europa essa taxa é de 12%. Isto se considerarmos a totalidade dos doentes, pois nas situações mais avançadas (já com metástases), a sobrevivência aos cinco anos é de 0%», alerta o especialista.
«Os principais factores de risco no cancro do pulmão são a exposição ao fumo do tabaco (este fundamentalmente), e com menos peso a poluição atmosférica (gases do escape dos automóveis), poluentes profissionais (asbestos, minas de urânio) e exposição a radiações», aponta Henrique Queiroga.
A prevenção passa exactamente por evitar a exposição a estes agentes, mas, como sublinha o pneumologista do Hospital de S. João, «as soluções terapêuticas curativas são relativamente limitadas, e, não havendo avanços significativos nas últimas décadas, o prognóstico na generalidade dos casos é reservado».

