Factos e números importantes. O que é o cancro do colo do útero? O que é que provoca o cancro do colo o útero? O cancro do colo do útero apresenta sintomas? Como pode ser prevenido? Como é diagnosticado? Qual é o tratamento?
Factos e números importantes
São diagnosticadas anualmente cerca de 500.000 cancros do colo do útero em todo o mundo e 250.000 mulheres morem por esta doença neste período de tempo (o equivalente a quase 685 mulheres por dia ou 30 por hora) [1].
Na Europa [i], são anualmente diagnosticados cerca de 33.500 cancros do colo do útero e 15.000 mulheres morrem em consequência da doença por ano (o equivalente a 40 mulheres por dia e duas mulheres por hora) [1].
Apesar do rastreio para a detecção numa fase inicial, o cancro do colo do útero permanece a segunda maior causa de morte (a seguir ao cancro da mama) entre mulheres jovens (idades compreendidas entre os 15 – 44), na Europa.[2]
O cancro do colo o útero é causado exclusivamente pelo Papilomavírus Humano [ii 3,4].
Estima-se que aproximadamente 70% de pessoas sexualmente activas serão expostas ao Papilomavírus Humano num determinado momento das suas vidas, frequentemente na adolescência ou na fase de jovens adultos [5-7].
A vacina do cancro do colo do útero cobre os tipos de Papilomavírus Humanos que causam 75% dos casos de cancro do colo do útero [8].
Estudos aplicando modelos matemáticos nos EUA demonstraram recentemente que a vacinação contra o cancro do colo do útero pode prevenir até 91% destes cancros cujos vírus são cobertos pela vacina, dependendo da estratégia de vacinação [9].
A primeira vacina contra o cancro do colo do útero foi aprovada nos EUA em Junho de 2006 e na União Europeia em Setembro de 2006. Até à data, foi aprovada em 55 países a nível mundial [10, 11].
Até este momento os programas de vacinação só foram promovidos e financiados nos EUA, Canadá e Austrália [12].
O que é o cancro do colo do útero?
O cancro do colo do útero localiza-se no cérvix – a zona inferior do útero que o liga à vagina [13].
Apesar do rastreio para a sua detecção numa fase inicial, o cancro do colo do útero permanece a segunda maior causa de morte (a seguir ao cancro da mama) entre mulheres jovens (idades compreendidas entre os 15 – 44), na Europa [i 2].
Na Europa i, são anualmente diagnosticados cerca de 33.500 cancros do colo do útero e 15.000 mulheres morrem em consequência da doença por ano (o equivalente a 40 mulheres por dia e duas mulheres por hora) [1].
O que é que provoca o cancro do colo do útero?
Ao contrário de muitos outros tumores malignos, o cancro do colo do útero é provocado por um vírus [3, 4].
Este vírus é denominado Papilomavírus Humano [3, 4].
O elo entre a infecção por Papilomavírus Humano e o cancro do colo do útero é muito mais estreito do que o elo entre o tabaco e o cancro do pulmão [3,14].
O Papilomavírus Humano é muito comum e facilmente transmissível [5, 6].
Qualquer actividade sexual que envolva o contacto íntimo ou genital com uma pessoa infectada pode levar à transmissão do Papilomavírus Humano [15-17].
Não é necessária a penetração e os preservativos não garantem protecção contra o Papilomavírus Humano.
O Papilomavírus Humano é referido com sendo ‘silencioso’, dado que os indivíduos infectados pelo Papilomavírus Humano não apresentam frequentemente sintomas e, por isso, o vírus pode ser transmitido sem que a pessoa infectada o saiba [13].
Estima-se que aproximadamente 70% de pessoas sexualmente activas serão expostas ao Papilomavírus Humano num determinado momento das suas vidas [5-7], frequentemente na adolescência ou na fase de jovens adultos [18,19].
Existem mais de 100 tipos de Papilomavírus Humano, no entanto a grande maioria é inofensivas. Os tipos 6, 11, 16 e 18 causam a grande maioria das doenças genitais por Papilomavírus Humano, incluindo o cancro do colo do útero [20].
O Papilomavírus Humano é eliminado naturalmente em 90% dos casos [21].
Por vezes, o vírus permanece no organismo e pode causar lesões no colo do útero com potencial de progressão para cancro [22, 23].
O cancro do colo do útero apresenta sintomas?
O cancro do colo do útero pode não apresentar sinais ou sintomas até atingir uma fase avançada.
Embora não específicos, alguns sinais de cancro do colo do útero podem incluir: [24]
» Hemorragia vaginal anormal
» Dor durante o acto sexual
» Corrimento vaginal anormal
» Dor na região pélvica
COMO PODE SER PREVENIDO?
A vacinação contra o cancro do colo do útero como prevenção primária, em combinação com o rastreio para detecção precoce, maximizam a eficácia do programa de combate ao cancro do colo do útero. [25]
» Prevenção Primária: Vacinação
Uma vez que o cancro do colo do útero é causado por um vírus, é um dos poucos tumores malignos em que pode ser administrada uma vacina profiláctica.
A vacina do cancro do colo do útero abrange actualmente os Papilomavírus Humanos dos tipos que causam 75% do cancro do colo do útero [8].
Estudos aplicando modelos matemáticos nos EUA demonstraram recentemente que a vacinação contra o cancro do colo do útero poderia prevenir até 91% dos cancros do colo do útero cujos vírus são cobertos pela vacina, dependendo da estratégia de vacinação [9].
A vacinação pode reduzir significativamente a incidência de resultados anormais nos rastreios, a necessidade das mulheres se submeterem a exames adicionais, ou a remoção cirúrgica das células cancerosas.
A vacinação de raparigas pré-adolescentes e adolescentes, antes da exposição ao Papilomavírus Humano, bem como de mulheres no pico de exposição, é considerada a abordagem mais benéfica.
A vacina funciona através da injecção de partículas tipo-vírus (VLP – vírus-like particles) que imitam de forma muito próxima este vírus, induzindo uma imunidade forte e persistente contra uma futura infecção por Papilomavírus Humano.[26] As VLP correspondem a cápsides vazias de Papilomavírus Humano. Não incluem quaisquer genes virais e por isso não podem levar ao desenvolvimento de doença.
A primeira vacina contra o cancro do colo do útero foi aprovada nos EUA em Junho de 2006 e na União Europeia em Setembro de 2006. Até à data foi aprovada em 55 países a nível mundial [10, 11].
Até este momento os programas programas de vacinação só foram promovidos e financiados nos EUA, Canadá e Austrália [11].
» Prevenção Secundária: Rastreio
O rastreio do cancro do colo do útero não previne a doença mas ajuda a detectar a presença de células anormais causadas pelo Papilomavírus Humano.
O rastreio deve ser mantido dado que as raparigas ou mulheres podem ter sido infectadas antes da vacinação e a vacinação não oferece uma protecção contra todos os tipos de cancro do colo do útero [3].
Em muitos países Europeus, os programas de rastreio enfrentam múltiplos desafios, incluindo: falta de adesão, [27, 28] baixo nível de sensibilidade [29] e especificidade e ainda amostras inadequadas que requerem uma repetição do exame [30].
O rastreio do cancro do colo útero pode causar alguma ansiedade nas mulheres, podendo causar-lhes embaraço ou dor. O período de espera pelos resultados também pode ser um problema. A constatação de um resultado anormal, ou o facto de ter que se repetir o esfregaço para obtenção de um diagnóstico definitivo, causa uma carga emocional adicional.
Uma citologia negativa não garante que o cancro do colo do útero não irá desenvolver-se no futuro. Em casos raros, mulheres rastreadas regulamente podem vir a desenvolver cancro do colo do útero nos três anos após um exame citológico negativo. [31]
Como é diagnosticado?
O esfregaço do colo do útero pode detectar lesões pré-cancerosas do colo do útero assim como cancro [10].
Também conhecido como rastreio, o esfregaço do colo do útero faz parte de um exame ginecológico [32].
Uma citologia anormal pode requerer a repetição do exame para verificar se células do colo do útero anormais ainda estão presentes, uma colposcopia para avaliar a existência de anomalias no colo do útero, e/ou uma biópsia para verificar se estão presentes células pré-cancerosas.
Qual é o tratamento?
Não existe um tratamento que elimine o vírus por si [21]. Só a remoção de tecido anormal pode realmente prevenir a evolução de células cancerosas e pré- cancerosas para cancro invasivo.
O cancro do colo do útero pode ser tratado através de cirurgia, radioterapia ou quimioterapia, isoladamente ou em combinação, dependendo do estadio de evolução da doença [25].
O tratamento cirúrgico é invasivo, pode ser agressivo para a doente e pode resultar em infertilidade. A radioterapia e a quimioterapia podem causar efeitos secundários graves a longo prazo, tais como menopausa precoce, problemas a nível da bexiga e intestino, infertilidade e uma menor resistência à infecção.
[i] União Europeia com 25 membros mais Islândia, Noruega e Suiça [ii] 99,7% dos cancros do colo do útero contêm material genético (ADN) do vírusReferências Bibliográficas
1. Ferlay J, Bray F, Pisani P. et al. Globocan 2002. Cancer incidence, mortality and prevalence worldwide. IARC Cancer Base No.5. version 2.0. IARC Press, Lyon 2004
2. Ferlay J, Bray F, Pisani P. et al. Globocan 2000. Cancer incidence, mortality and prevalence worldwide. IARC Cancer Base No.5. version 1.0. 2001.
3. Munoz N. Human papillomavirus and cancer: the epidemiological evidence. J Clin Virol. Oct 2000;19(1-2):1-5.
4. Walboomers JM, Jacobs MV, Manos MM, et al. Human papillomavirus is a necessary cause of invasive cervical cancer worldwide. J Pathol. Sep 1999;189(1):12-19.
5. Koutsky L. Epidemiology of genital human papillomavirus infection. Am J Med. May 5 1997;102(5A):3-8.
6. Koutsky LA, Galloway DA, Holmes KK. Epidemiology of genital human papillomavirus infection. Epidemiol Rev. 1988;10:122-163.
7. Syrjanen K, Hakama M, Saarikoski S, et al. Prevalence, incidence, and estimated life-time risk of cervical human papillomavirus infections in a nonselected Finnish female population. Sex Transm Dis. Jan-Mar 1990;17(1):15-19.
8. Clifford GM, Smith JS, Plummer M, Munoz N, Franceschi S. Human papillomavirus types in invasive cervical cancer worldwide: a meta-analysis. Br J Cancer. Jan 13 2003;88(1):63-73.
9. Emerging Infectious Diseases journal of the US Centers of Disease Control (Elbasha E.H. et al., Volume 13, Number 1, January 2007 – http://www.cdc.gov/ncidod/EID/13/1/28.htm).
10. FDA website. http://www.fda.gov/ Accessed 28 February 2007.
11. Medical News website (http://www.medicalnewstoday.com/healthnews.php?newsid=52526 last accessed on 6 March 2007).
12. Medical News website (http://www.medicalnewstoday.com/printerfriendlynews.php?newsid=64007 last accessed on 2 March 2007).
13. NCI website. http://www.nci.nih.gov.
14. Khuder SA. Effect of cigarette smoking on major histological types of lung cancer: a meta-analysis. Lung Cancer. Feb-Mar 2001;31(2-3):139-148.
15. Herrero R, Castellsague X, Pawlita M, et al. Human papillomavirus and oral cancer: the International Agency for Research on Cancer multicenter study. J Natl Cancer Inst. Dec 3 2003;95(23):1772-1783.
16. Sonnex C, Strauss S, Gray JJ. Detection of human papillomavirus DNA on the fingers of patients with genital warts. Sex Transm Infect. Oct 1999;75(5):317-319.
17. Winer RL, Lee SK, Hughes JP, Adam DE, Kiviat NB, Koutsky LA. Genital human papillomavirus infection: incidence and risk factors in a cohort of female university students. Am J Epidemiol. Feb 1 2003;157(3):218-226.
18. PHLS. CDR Weekly 2001; 11(35).
19. Jacobs MV, Walboomers JM, Snijders PJ, et al. Distribution of 37 mucosotropic HPV types in women with cytologically normal cervical smears: the age-related patterns for high-risk and low-risk types. Int J Cancer. Jul 15 2000;87(2):221-227.
20. Wieland U, Pfister H. Papillomaviruses in human pathology: Epidemiology, pathogenesis and oncologic role. In: Gross, Barasso Eds. Human papilloma virus infection: A clinical atlas. Ullstein Mosby 1997. p1–8.
21. Pagliusi SR, Teresa Aguado M. Efficacy and other milestones for human papillomavirus vaccine introduction. Vaccine. Dec 16 2004;23(5):569-578.
22. Clifford GM, Rana RK, Franceschi S, Smith JS, Gough G, Pimenta JM. Human papillomavirus genotype distribution in low-grade cervical lesions: comparison by geographic region and with cervical cancer. Cancer Epidemiol Biomarkers Prev. May 2005;14(5):1157-1164.
23. Clifford GM, Smith JS, Aguado T, Franceschi S. Comparison of HPV type distribution in high-grade cervical lesions and cervical cancer: a meta-analysis. Br J Cancer. Jul 7 2003;89(1):101-105.
24. National Cancer Institute website. . http://www.cancer.gov. Accessed 26 February, 2007.
25. Goldie SJ, Kohli M, Grima D, et al. Projected clinical benefits and cost-effectiveness of a human papillomavirus 16/18 vaccine. J Natl Cancer Inst. Apr 21 2004;96(8):604-615.
26. Stanley M. Immune responses to human papillomavirus. Vaccine. Mar 30 2006;24 Suppl 1:S16-22.
27. http://www.son.wisc.edu/ce/programs/asynch/bccb/cervical1/4-2-riskfactors.html. Last accessed 5 May 2006.
28. http://www.cancer.gov/cancertopics/pdq/screening/cervical/ healthprofessional. Last accessed 5 May 2006.
29. McCrory et al. Evaluation of cervical cytology: Evidence report/technology assessment No. 5. (Prepared by Duke University under contract No. 290-97-0014.) AHCPR Publication No. 99-E010. Rockville, MD: Agency for Health Care Policy and Research. February 1999.
30. NHS Cervical Screening Annual Review 2005. (www.cancerscreening.nhs.uk/cervical/publication/cervical-annual-review-2005.pdf).
31. IARC Handbook of Cancer Prevention. Cervix cancer screening. Volume 10. p163–199. IARC Press, 2005. Lyon, France.
32. http://www.fda.gov/womens/getthefacts/paptests.html Accessed 26 February 2007.
Factos e números importantes
São diagnosticadas anualmente cerca de 500.000 cancros do colo do útero em todo o mundo e 250.000 mulheres morem por esta doença neste período de tempo (o equivalente a quase 685 mulheres por dia ou 30 por hora) [1].
Na Europa [i], são anualmente diagnosticados cerca de 33.500 cancros do colo do útero e 15.000 mulheres morrem em consequência da doença por ano (o equivalente a 40 mulheres por dia e duas mulheres por hora) [1].
Apesar do rastreio para a detecção numa fase inicial, o cancro do colo do útero permanece a segunda maior causa de morte (a seguir ao cancro da mama) entre mulheres jovens (idades compreendidas entre os 15 – 44), na Europa.[2]
O cancro do colo o útero é causado exclusivamente pelo Papilomavírus Humano [ii 3,4].
Estima-se que aproximadamente 70% de pessoas sexualmente activas serão expostas ao Papilomavírus Humano num determinado momento das suas vidas, frequentemente na adolescência ou na fase de jovens adultos [5-7].
A vacina do cancro do colo do útero cobre os tipos de Papilomavírus Humanos que causam 75% dos casos de cancro do colo do útero [8].
Estudos aplicando modelos matemáticos nos EUA demonstraram recentemente que a vacinação contra o cancro do colo do útero pode prevenir até 91% destes cancros cujos vírus são cobertos pela vacina, dependendo da estratégia de vacinação [9].
A primeira vacina contra o cancro do colo do útero foi aprovada nos EUA em Junho de 2006 e na União Europeia em Setembro de 2006. Até à data, foi aprovada em 55 países a nível mundial [10, 11].
Até este momento os programas de vacinação só foram promovidos e financiados nos EUA, Canadá e Austrália [12].
O que é o cancro do colo do útero?
O cancro do colo do útero localiza-se no cérvix – a zona inferior do útero que o liga à vagina [13].
Apesar do rastreio para a sua detecção numa fase inicial, o cancro do colo do útero permanece a segunda maior causa de morte (a seguir ao cancro da mama) entre mulheres jovens (idades compreendidas entre os 15 – 44), na Europa [i 2].
Na Europa i, são anualmente diagnosticados cerca de 33.500 cancros do colo do útero e 15.000 mulheres morrem em consequência da doença por ano (o equivalente a 40 mulheres por dia e duas mulheres por hora) [1].
O que é que provoca o cancro do colo do útero?
Ao contrário de muitos outros tumores malignos, o cancro do colo do útero é provocado por um vírus [3, 4].
Este vírus é denominado Papilomavírus Humano [3, 4].
O elo entre a infecção por Papilomavírus Humano e o cancro do colo do útero é muito mais estreito do que o elo entre o tabaco e o cancro do pulmão [3,14].
O Papilomavírus Humano é muito comum e facilmente transmissível [5, 6].
Qualquer actividade sexual que envolva o contacto íntimo ou genital com uma pessoa infectada pode levar à transmissão do Papilomavírus Humano [15-17].
Não é necessária a penetração e os preservativos não garantem protecção contra o Papilomavírus Humano.
O Papilomavírus Humano é referido com sendo ‘silencioso’, dado que os indivíduos infectados pelo Papilomavírus Humano não apresentam frequentemente sintomas e, por isso, o vírus pode ser transmitido sem que a pessoa infectada o saiba [13].
Estima-se que aproximadamente 70% de pessoas sexualmente activas serão expostas ao Papilomavírus Humano num determinado momento das suas vidas [5-7], frequentemente na adolescência ou na fase de jovens adultos [18,19].
Existem mais de 100 tipos de Papilomavírus Humano, no entanto a grande maioria é inofensivas. Os tipos 6, 11, 16 e 18 causam a grande maioria das doenças genitais por Papilomavírus Humano, incluindo o cancro do colo do útero [20].
O Papilomavírus Humano é eliminado naturalmente em 90% dos casos [21].
Por vezes, o vírus permanece no organismo e pode causar lesões no colo do útero com potencial de progressão para cancro [22, 23].
O cancro do colo do útero apresenta sintomas?
O cancro do colo do útero pode não apresentar sinais ou sintomas até atingir uma fase avançada.
Embora não específicos, alguns sinais de cancro do colo do útero podem incluir: [24]
» Hemorragia vaginal anormal
» Dor durante o acto sexual
» Corrimento vaginal anormal
» Dor na região pélvica
COMO PODE SER PREVENIDO?
A vacinação contra o cancro do colo do útero como prevenção primária, em combinação com o rastreio para detecção precoce, maximizam a eficácia do programa de combate ao cancro do colo do útero. [25]
» Prevenção Primária: Vacinação
Uma vez que o cancro do colo do útero é causado por um vírus, é um dos poucos tumores malignos em que pode ser administrada uma vacina profiláctica.
A vacina do cancro do colo do útero abrange actualmente os Papilomavírus Humanos dos tipos que causam 75% do cancro do colo do útero [8].
Estudos aplicando modelos matemáticos nos EUA demonstraram recentemente que a vacinação contra o cancro do colo do útero poderia prevenir até 91% dos cancros do colo do útero cujos vírus são cobertos pela vacina, dependendo da estratégia de vacinação [9].
A vacinação pode reduzir significativamente a incidência de resultados anormais nos rastreios, a necessidade das mulheres se submeterem a exames adicionais, ou a remoção cirúrgica das células cancerosas.
A vacinação de raparigas pré-adolescentes e adolescentes, antes da exposição ao Papilomavírus Humano, bem como de mulheres no pico de exposição, é considerada a abordagem mais benéfica.
A vacina funciona através da injecção de partículas tipo-vírus (VLP – vírus-like particles) que imitam de forma muito próxima este vírus, induzindo uma imunidade forte e persistente contra uma futura infecção por Papilomavírus Humano.[26] As VLP correspondem a cápsides vazias de Papilomavírus Humano. Não incluem quaisquer genes virais e por isso não podem levar ao desenvolvimento de doença.
A primeira vacina contra o cancro do colo do útero foi aprovada nos EUA em Junho de 2006 e na União Europeia em Setembro de 2006. Até à data foi aprovada em 55 países a nível mundial [10, 11].
Até este momento os programas programas de vacinação só foram promovidos e financiados nos EUA, Canadá e Austrália [11].
» Prevenção Secundária: Rastreio
O rastreio do cancro do colo do útero não previne a doença mas ajuda a detectar a presença de células anormais causadas pelo Papilomavírus Humano.
O rastreio deve ser mantido dado que as raparigas ou mulheres podem ter sido infectadas antes da vacinação e a vacinação não oferece uma protecção contra todos os tipos de cancro do colo do útero [3].
Em muitos países Europeus, os programas de rastreio enfrentam múltiplos desafios, incluindo: falta de adesão, [27, 28] baixo nível de sensibilidade [29] e especificidade e ainda amostras inadequadas que requerem uma repetição do exame [30].
O rastreio do cancro do colo útero pode causar alguma ansiedade nas mulheres, podendo causar-lhes embaraço ou dor. O período de espera pelos resultados também pode ser um problema. A constatação de um resultado anormal, ou o facto de ter que se repetir o esfregaço para obtenção de um diagnóstico definitivo, causa uma carga emocional adicional.
Uma citologia negativa não garante que o cancro do colo do útero não irá desenvolver-se no futuro. Em casos raros, mulheres rastreadas regulamente podem vir a desenvolver cancro do colo do útero nos três anos após um exame citológico negativo. [31]
Como é diagnosticado?
O esfregaço do colo do útero pode detectar lesões pré-cancerosas do colo do útero assim como cancro [10].
Também conhecido como rastreio, o esfregaço do colo do útero faz parte de um exame ginecológico [32].
Uma citologia anormal pode requerer a repetição do exame para verificar se células do colo do útero anormais ainda estão presentes, uma colposcopia para avaliar a existência de anomalias no colo do útero, e/ou uma biópsia para verificar se estão presentes células pré-cancerosas.
Qual é o tratamento?
Não existe um tratamento que elimine o vírus por si [21]. Só a remoção de tecido anormal pode realmente prevenir a evolução de células cancerosas e pré- cancerosas para cancro invasivo.
O cancro do colo do útero pode ser tratado através de cirurgia, radioterapia ou quimioterapia, isoladamente ou em combinação, dependendo do estadio de evolução da doença [25].
O tratamento cirúrgico é invasivo, pode ser agressivo para a doente e pode resultar em infertilidade. A radioterapia e a quimioterapia podem causar efeitos secundários graves a longo prazo, tais como menopausa precoce, problemas a nível da bexiga e intestino, infertilidade e uma menor resistência à infecção.
[i] União Europeia com 25 membros mais Islândia, Noruega e Suiça [ii] 99,7% dos cancros do colo do útero contêm material genético (ADN) do vírusReferências Bibliográficas
1. Ferlay J, Bray F, Pisani P. et al. Globocan 2002. Cancer incidence, mortality and prevalence worldwide. IARC Cancer Base No.5. version 2.0. IARC Press, Lyon 2004
2. Ferlay J, Bray F, Pisani P. et al. Globocan 2000. Cancer incidence, mortality and prevalence worldwide. IARC Cancer Base No.5. version 1.0. 2001.
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5. Koutsky L. Epidemiology of genital human papillomavirus infection. Am J Med. May 5 1997;102(5A):3-8.
6. Koutsky LA, Galloway DA, Holmes KK. Epidemiology of genital human papillomavirus infection. Epidemiol Rev. 1988;10:122-163.
7. Syrjanen K, Hakama M, Saarikoski S, et al. Prevalence, incidence, and estimated life-time risk of cervical human papillomavirus infections in a nonselected Finnish female population. Sex Transm Dis. Jan-Mar 1990;17(1):15-19.
8. Clifford GM, Smith JS, Plummer M, Munoz N, Franceschi S. Human papillomavirus types in invasive cervical cancer worldwide: a meta-analysis. Br J Cancer. Jan 13 2003;88(1):63-73.
9. Emerging Infectious Diseases journal of the US Centers of Disease Control (Elbasha E.H. et al., Volume 13, Number 1, January 2007 – http://www.cdc.gov/ncidod/EID/13/1/28.htm).
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11. Medical News website (http://www.medicalnewstoday.com/healthnews.php?newsid=52526 last accessed on 6 March 2007).
12. Medical News website (http://www.medicalnewstoday.com/printerfriendlynews.php?newsid=64007 last accessed on 2 March 2007).
13. NCI website. http://www.nci.nih.gov.
14. Khuder SA. Effect of cigarette smoking on major histological types of lung cancer: a meta-analysis. Lung Cancer. Feb-Mar 2001;31(2-3):139-148.
15. Herrero R, Castellsague X, Pawlita M, et al. Human papillomavirus and oral cancer: the International Agency for Research on Cancer multicenter study. J Natl Cancer Inst. Dec 3 2003;95(23):1772-1783.
16. Sonnex C, Strauss S, Gray JJ. Detection of human papillomavirus DNA on the fingers of patients with genital warts. Sex Transm Infect. Oct 1999;75(5):317-319.
17. Winer RL, Lee SK, Hughes JP, Adam DE, Kiviat NB, Koutsky LA. Genital human papillomavirus infection: incidence and risk factors in a cohort of female university students. Am J Epidemiol. Feb 1 2003;157(3):218-226.
18. PHLS. CDR Weekly 2001; 11(35).
19. Jacobs MV, Walboomers JM, Snijders PJ, et al. Distribution of 37 mucosotropic HPV types in women with cytologically normal cervical smears: the age-related patterns for high-risk and low-risk types. Int J Cancer. Jul 15 2000;87(2):221-227.
20. Wieland U, Pfister H. Papillomaviruses in human pathology: Epidemiology, pathogenesis and oncologic role. In: Gross, Barasso Eds. Human papilloma virus infection: A clinical atlas. Ullstein Mosby 1997. p1–8.
21. Pagliusi SR, Teresa Aguado M. Efficacy and other milestones for human papillomavirus vaccine introduction. Vaccine. Dec 16 2004;23(5):569-578.
22. Clifford GM, Rana RK, Franceschi S, Smith JS, Gough G, Pimenta JM. Human papillomavirus genotype distribution in low-grade cervical lesions: comparison by geographic region and with cervical cancer. Cancer Epidemiol Biomarkers Prev. May 2005;14(5):1157-1164.
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