Para tratar a hipertensão é tão importante fazer exercício físico como tomar a medicação. No momento da consulta, o médico deve investir tanto tempo a explicar que o doente tem de emagrecer, deixar de fumar ou fazer exercício como a insistir na toma da medicação.
No âmbito do 2º Congresso Português de Hipertensão foram apresentadas pela primeira vez em Portugal estas novas recomendações para orientar a consulta clínica e definir o melhor tratamento de um doente hipertenso.
Este Congresso foi organizado pela Sociedade Portuguesa de Hipertensão (SPH) e a abertura oficial contou com a presença do Dr. Francisco Ramos, Secretário de Estado Adjunto da Saúde e do Director Geral da Saúde, Dr. Francisco George, em Vilamoura.
A adesão ao tratamento não está apenas nas mãos dos médicos e dos doentes. O acesso aos serviços de saúde tem de ser fácil e só assim a aplicação das orientações clínicas à realidade tem efeitos positivos e pode contribuir para o tratamento eficaz dos doentes.
O Dr. Francisco Ramos mostrou disponibilidade do governo para ouvir novas propostas. “Quero sublinhar a nossa disponibilidade para receber as vossas propostas de como aplicar medidas que contribuam para o combate à HTA.
O Governo está disponível para encarar, de forma positiva, as vossas propostas”, salientou o Secretário de Estado Adjunto da Saúde, na Sessão Solene de Abertura do Congresso.
A implementação das novas orientações das Sociedades Europeias de Hipertensão e Cardiologia devem ser ajustadas à população portuguesa que apresenta uma elevada prevalência de acidentes cardiovasculares cerebrais. A Sociedade Portuguesa de Hipertensão apela para a diminuição da ingestão de sal, a redução do peso e a prática de exercício físico regular.
“Muitos estudos demonstram que as alterações nos estilos de vida são capazes de reduzir a pressão arterial num número importante de doentes e podem contribuir, por si só, para o controlo da pressão arterial e, hipertensos ligeiros”, concluiu o Prof. Doutor Jorge Polónia, da Faculdade de Medicina do Porto.
Outro objectivo fundamental das novas recomendações é intervir num contexto de risco cardiovascular global e não numa lógica simplista de avaliar e controlar a hipertensão, na medida em que se torna também relevante tratar todos os outros factores de risco associados como a diabetes, a obesidade ou o colesterol, patologias com tendência a crescer em Portugal.
“Em termos práticos, pode afirmar-se que um doente com HTA, dislipidemia e diabetes tem um risco cardiovascular muito maior que a soma do risco dos três componentes citados. O valor da pressão arterial é apenas mais um factor nesta avaliação global e não um factor isolado a condicionar a actuação terapêutica”, justifica o Dr. José Nazaré, Secretário-Geral da Sociedade Portuguesa de Hipertensão.
Outra novidade das Sociedades Europeias de Hipertensão e Cardiologia são os novos exames para a avaliação do risco cardiovascular, que faz a medição da velocidade do sangue nas artérias. “Em Portugal, este exame ainda não está suficientemente implementado e é tão importante quanto a medição da pressão arterial,” afirma o Prof. Doutor Luís Martins, Presidente da Sociedade Portuguesa de Hipertensão.
A SPH pretende divulgar amplamente estas recomendações junto dos médicos de Medicina Geral e Familiar que são os principais responsáveis pelo seguimento dos doentes hipertensos. Ao colocar em prática as novas orientações é possível diagnosticar mais doentes, tratá-los e controlá-los, contribuindo para a melhoria do prognóstico dos doentes com HTA.
As Sociedades Europeias de Hipertensão e Cardiologia divulgaram estas orientações clínicas para o tratamento da hipertensão em 2003 e foram objecto de reformulação em Junho de 2007.
Embora a hipertensão seja uma doença controlável, ainda existem cerca de 40% de hipertensos na população portuguesa, cerca de 2/3 dos hipertensos não sabem que o são e, dos que estão tratados e medicados, só 11% estão realmente controlados. Tratar a hipertensão é reduzir o risco cardiovascular e a mortalidade.
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