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Balança desequilibrada

O excesso de peso e a obesidade é um dos principais factores de risco para as doenças cardiovasculares.

Muito por via de uma associação perigosa entre os vários componentes de um estilo de vida em que não há equilíbrio entre as calorias ingeridas e as que são convertidas em energia.

Este é um problema – e de peso – para metade da população portuguesa, com 15 por cento desta fatia a atingir a obesidade. E não é apenas um problema dos adultos – é cada vez mais um problema das crianças, a crescer ao ritmo de uma vida demasiado sedentária e com hábitos alimentares pouco salutares.

É um facto que a genética também influencia esta balança, favorecendo o acumular de gordura. Também é um facto que o excesso de peso pode ser temporário, associado, por exemplo, à toma de medicamentos como os antidepressivos ou corticóides ou a alterações hormonais como as próprias da menopausa. Mas, na maior parte das vezes, as causas são comportamentais e os quilos a mais perduram se não houver alteração desses comportamentos.

E se nada for feito as consequências são muitas e graves: ao nível do aparelho cardiovascular, mas também do metabolismo (potenciando doenças como a diabetes) e do sistema respiratório (causando apneia do sono, por exemplo). E ainda dos aparelhos gastrointestinal (com maior tendência para a formação de cálculos da vesícula) e reprodutor (influenciando a fertilidade e favorecendo doenças dos ovários e da próstata, entre outras).

Sem falar nas repercussões do excesso de peso a nível social e psicológico – os obesos são discriminados na escola e no meio laboral, o que pode abrir caminho a sentimentos negativos, com perda de auto-estima e depressão.

É por estas razões que a obesidade é considerada uma doença. Uma doença que constitui uma alavanca para outras doenças, o que a torna ainda mais grave. A boa notícia é que é possível prevenir – aliás, é mesmo a segunda causa de morte passível de prevenção, logo a seguir ao tabagismo.

É ao nível do estilo de vida que é possível intervir para evitar os quilos a mais, para perdê-los e para manter um peso saudável. Investindo numa dieta alimentar equilibrada e numa actividade física regular. O que está subjacente é a necessidade de, por um lado, reduzir a ingestão de calorias e, por outro, aumentar o gasto de energia.

Quando a modificação comportamental não é suficiente para atingir os objectivos, avança-se para o tratamento farmacológico, estando disponíveis no mercado português medicamentos anti-obesidade, sujeitos a receita médica. E nos casos mais graves, os da chamada obesidade mórbida, a cirurgia pode ser recomendada, envolvendo a colocação de bandas gástricas para diminuir o tamanho do estômago e, assim, reduzir a quantidade de alimentos que se ingerem de cada vez.

Qualquer estratégia para perder peso (e manter o peso depois de eliminados os quilos a mais) deve contemplar mudanças seguras, sensatas e graduais. A solução não reside nas dietas restritivas, mas na assumpção de que as alterações devem ser permanentes. Sob pena de o esforço ser inglório e os quilos regressarem.

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Três letras apenas

São três as letras que representam o indicador usado para avaliar a obesidade – trata-se do IMC, Índice de Massa Corporal, que traduz uma relação entre a altura e o peso: divide-se o peso (em quilos) pelo quadrado da altura (altura x altura) em metros.

Um resultado entre 18,5 e 24,9 significa que o peso é normal; entre 25 e 29,9 corresponde a excesso de peso ou pré-obesidade; acima de 30 corresponde a obesidade, com 3 graus: entre 30 e 34,9 obesidade grau I (moderada), de 35 a 39,9 obesidade grau II (grave) e acima de 40 obesidade grau III (mórbida).

 

Más da fita

As gorduras são as más da fita no que toca à saúde do coração e artérias. Lípidos é o nome médico destas substâncias ricas em energia que o organismo utiliza como combustível. Significa isto que precisamos delas – aliás, o próprio corpo as produz, indo buscar outra parte à alimentação.

As principais são o colesterol e os triglicéridos, que circulam pelos vasos sanguíneos aliadas a um tipo específico de proteínas. Juntas formam as lipoproteínas, utilizadas, por exemplo, como componentes das células e gastas sempre que o corpo é sujeito a um esforço intenso.

É no fígado que são produzidas estas gorduras, em quantidade praticamente suficiente para preencher as necessidades do organismo. E é aqui que começa o problema: as gorduras que faltam são obtidas da alimentação, mas quase sempre ingerimos mais do que precisamos.

Há, pois, um excesso que fica armazenado no organismo e que, se não é usado, se acumula nas paredes dos vasos sanguíneos, estreitando-os e até obstruindo-os. A circulação sanguínea é dificultada e o coração obrigado a um esforço maior para bombear o sangue – eis os ingredientes para uma doença cardiovascular.

 

Gorduras perigosas

O colesterol é uma das gorduras perigosas, mas não é todo igual – depende das proteínas a que se associa para circular no sangue. Assim, quando forma lipoproteínas de alta densidade (HDL, na sigla inglesa) fala-se em colesterol “bom”, na medida em que ajuda a eliminar o excesso de gorduras do sangue, minorando os riscos para a saúde. Já quando forma lipoproteínas de baixa densidade (LDL), considera-se que é colesterol “mau”, pois, se em excesso, deposita-se nas paredes das artérias, podendo conduzir a doença cardiovascular.

É este o colesterol mais preocupante, na medida em que quanto maior o nível de LDL maior o risco de doença. Este é um risco que qualquer pessoa pode correr – magra ou com excesso de peso, nova ou velha, activa ou sedentária. Isto porque a genética também tem uma palavra a dizer, assim se explicando que pessoas que levam uma vida saudável – activa e com uma alimentação correcta – também possam necessitar de ajuda para controlar o colesterol.

Não obstante, há pessoas cujo estilo de vida as torna mais predispostas a níveis elevados de colesterol. São as que praticam uma alimentação abundante em gorduras (sobretudo saturadas, que são aquelas que se encontram em produtos de origem animal), as que têm excesso de peso e as que não praticam exercício físico.

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O sexo e a idade também constituem factores a ponderar: assim, o colesterol tende a aumentar a partir dos 20 anos, tanto nos homens como nas mulheres, ainda que, antes de atingirem a menopausa, as mulheres apresentem valores mais baixos do que os homens da mesma idade. Esta proporção inverte-se com a menopausa, altura em que os valores no sexo feminino tendem a aumentar. Inimigos do coração são também os triglicéridos, um outro tipo de gorduras que se deslocam na corrente sanguínea. São utilizados como fonte de energia, permanecendo armazenados nas células adiposas. Aliás, a maioria do tecido adiposo é composta por triglicéridos, fornecidos basicamente pela alimentação.

Valores excessivos são considerados um factor de risco de doenças cardiovasculares e, em concentrações muito elevadas, podem causar um aumento do tamanho do fígado e do baço, dando origem a uma pancreatite, embora seja raro.

Em conjunto, valores anormais de colesterol e de triglicéridos correspondem a um quadro de dislipidémia, que inclui níveis elevados de triglicéridos e do chamado “mau” colesterol e níveis excessivamente baixos do “bom” colesterol.

 

Educar e prevenir

Estes são objectivos comuns a duas instituições da sociedade civil empenhadas na luta contra as doenças cardiovasculares – a Fundação Portuguesa de Cardiologia (FPC) e o Instituto Nacional de Cardiologia Preventiva (INCP).

A FPC estabeleceu como âmbito da sua intervenção a educação do público, o desenvolvimento de acções na comunidade, a educação profissional, o apoio à investigação, o apoio social e de reabilitação dos doentes, apostando na cooperação nacional e internacional e procurando influenciar os poderes públicos nesta matéria.

O INCP, presidido pelo Professor Fernando de Pádua, visa promover actividades de prevenção das doenças cardiovasculares e de reabilitação dos doentes cardíacos, desenvolver a investigação no campo da epidemiologia cardiovascular e analisar a evolução destas patologias, fomentar actividades conducentes à redução dos factores de risco, potenciar a formação científica dos profissionais de saúde e ainda desenvolver iniciativas junto da comunidade e dos grupos de risco.

Colabora com organizações e instituições nacionais e internacionais. O INCP dispõe ainda de instalações onde recebe mais de 60 000 pessoas por ano para aconselhamento personalizado em cardiologia.

Ambas as entidades integram a Plataforma Saúde em Diálogo, uma instância de cooperação e entreajuda nascida sob a égide da Associação Nacional das Farmácias e que agrupa associações de doentes, de profissionais de saúde e de promotores de saúde.

São os seguintes os contactos da FPC:
Morada: R. Joaquim António Aguiar, 64 – 2º Dto, Lisboa
Telefone: 213 815 000
Fax: 213 873 331
Email: fpcardio@fpcardiologia.pt.

Já o INCP tem os seguintes contactos:
Morada: Av. António Serpa, nº 26 – 2º Dto, Lisboa
Telefone: 217 910 160
Fax: 217 910 169
Email: geral@incp.pt.

Linha SOS Deixar de fumar 808 20 88 88

FARMÁCIA SAÚDE – ANF

www.amf.pt

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