Em Portugal, as doenças cardiovasculares representam a principal causa de morte. Em 2000, as doenças cardiovasculares representavam 39% dos óbitos, sendo que os cancros (a segunda causa mais frequente) constituem apenas 20% das causas.
No âmbito das doenças cardiovasculares, o Acidente Vascular Cerebral (AVC) é, em Portugal, a causa de morte mais frequente (ao contrário dos restantes países europeus).
Causas da ocorrência de um AVC
As causas da ocorrência de AVC resultam por um lado do desenvolvimento de placas de arterosclerose nas artérias carótidas, fundamentais para o fornecimento de sangue ao cérebro. A coexistência de doença das carótidas (com ou sem história de AVC conhecida) e doença coronária, é explicável por mecanismos idênticos.
Outras causas de AVC são a hipertensão arterial e também a presença de arritmias cardíacas (particularmente a fibrilhação auricular). A hipertensão arterial constitui um factor já conhecido para desenvolvimento de placas ateroscleróticas não só nas artérias coronárias do coração, mas também nas artérias carótidas, causando uma obstrução ao fluxo de sangue. Estas placas são habitualmente responsáveis pela ocorrência de fenómenos embólicos (libertação de placas mais pequenas para a circulação sistémica e podendo causar entupimentos mais distais) que explicam os AVC e em menor grau os Acidentes Isquémicos Transitórios (AIT) – idênticos aos AVC, embora com duração inferior a 24 horas, sem deixar sequelas e habitualmente com manifestações mais ligeiras.
Um outro mecanismo pelo qual a hipertensão arterial poderá causar AVC é resultante de hemorragias no cérebro (os chamados AVC hemorrágicos). Esta hipertensão pode contribuir para a formação de dilatações (aneurismas) nas artérias intra-cerebrais que podem romper ou poderá haver mesmo rotura da artéria sem necessidade de formação de aneurismas.
Arritmias Cardíacas
Relativamente às arritmias cardíacas, sabemos que a presença de uma arritmia designada por fibrilhação auricular (e menos frequentemente o flutter auricular), favorece a estase do sangue no interior das cavidades do coração chamadas aurículas, pela ausência de contracção auricular eficaz, e consequentemente facilitar a formação de coágulos que se podem posteriormente libertar e embolizar para qualquer localização periférica, uma das mais frequentes sendo o cérebro.
Também doentes com algumas doenças das válvulas do coração e do músculo do coração poderão ser mais propensos à formação destes coágulos, independentemente da presença da arritmia referida. Nestes doentes é mandatória a administração de medicação que torna o sangue mais líquido, prevenindo assim a formação destes coágulos e consequentemente prevenindo a ocorrência de AVC.
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Factores de Risco e Prevenção
É também importante não esquecer a identificação e tratamento de outros factores de risco para doença aterosclerótica, nomeadamente a diabetes e as perturbações das gorduras do sangue (designadas por hiperlipidémias). A sua identificação é muito fácil por análises sanguíneas de rotina e facilmente tratáveis. Também o tabagismo e estilos de vida sedentários contribuem para o desenvolvimento de doença ateroscleróticas.
Deste modo, a implementação de medidas dietéticas e a mudança para estilos de vida saudáveis, combatendo também o sedentarismo, permite-nos melhorar a maioria destes factores de risco e assim, prevenir a ocorrência de AVC.
Deste modo se compreende que a identificação e tratamento de todas estas situações seja muito importante para a prevenção de AVC e até hoje a arma mais útil de que dispomos, uma vez que quando aparece o AVC, pode ser não só responsável pela ocorrência de morte, mas em caso de sobrevivência, poderá deixar sequelas muito importantes que limitam a qualidade de vida dos doentes e muitas vezes com elevado impacto não só na família mas também na sociedade. Assim, a prevenção é sem dúvida a nossa melhor arma.
Consulta no Hospital de Saint Louis
No Hospital de Saint Louis, dispomos de uma consulta de cardiologia geral que se dirige não só a indivíduos com doença já conhecida do coração, mas tendo também uma actividade importante de check-up cardíaco, não só em avaliação pré-operatória, mas também para um simples check-up cardiológico que permita identificar todos estes chamados factores de risco para a ocorrência de AVC (e num sentido mais abrangente poderão também ser factores de risco para doença das coronárias do coração), que estão relacionados com o coração.
Dispomos de vários exames complementares, entre eles o electrocardiograma, a prova de esforço em tapete rolante, o ecocardiograma transtorácico, o registo Holter de 24 horas e o registo de Monitorização Ambulatória da Pressão Arterial (MAPA). Também para situações muito seleccionadas, temos disponível a realização de cateterismo cardíaco e estudo electrofisiológico.
Uma avaliação em consulta de cardiologia, com os exames complementares de diagnóstico considerados pertinentes, poderão identificar várias situações de risco para a ocorrência de AVC relacionados com o coração, e assim, através dum controlo e tratamento adequado, permitir a sua prevenção.
Dra. Ana Teresa Timóteo
Médica Cardiologista no Hospital de Saint Louis
Grupo Galilei Saúde
www.gpsaude.pt