Definir ansiedade, é sempre complicado… mas, todos sabem o que é e todos conhecem este estado. Não há uma só pessoa que nunca tenha experimentado algum grau de ansiedade, seja por estar a entrar numa sala de aula mesmo antes de um exame, antes de uma reunião importante ou por acordar a meio da noite com a certeza que ouviu um ruído estranho na rua.
Desconhecem é que sensações como tonturas, manchas nos olhos, formigueiros, músculos duros, quase paralisados e impressões de falta de ar ou mesmo de sufocamento ou asfixia, podem também fazer parte da reacção de ansiedade. Quando estas sensações ocorrem e as pessoas não percebem porquê, a ansiedade pode atingir níveis patológicos raiando o pânico, imaginando até que podem ter alguma doença.
Embora por vezes desconfortável, a ansiedade é a reacção ao perigo ou à ameaça. Cientificamente, ansiedades imediatas ou de curto período são definidas como reacções de luta e fuga. São assim denominadas porque todos os seus efeitos estão directamente voltados para lutar ou fugir de um perigo.
Assim, por incrível que pareça, o objectivo número um da ansiedade é o de proteger o organismo! Por exemplo, quando os nossos antepassados viviam em cavernas, era-lhes vital uma reacção automática para enfrentarem os perigos, visando ter uma acção imediata (atacar ou fugir).
Mas, mesmo nos dias agitados de hoje, este é um mecanismo necessário. Imagine-se a atravessar a rua quando de repente um carro, em grande velocidade vai na sua direcção a buzinar freneticamente. Se não tivesse absolutamente nenhuma ansiedade, estaria morto. Contudo, o mais provável é que a reacção de fuga-e-luta tome conta de si e corra para sair do caminho do carro para ficar a segurança.
A moral desta história é simples – a função da ansiedade é proteger o organismo, não prejudicá-lo. Seria completamente inútil a natureza desenvolver um mecanismo cuja função primordial fosse a de proteger o organismo e, por o fazer, prejudicá-lo. Por isso, aceite a sua ansiedade e aprenda a viver com ela…
Acima de tudo, a reacção de luta-e-fuga resulta numa activação geral do metabolismo corporal. Uma pessoa pode ter reacções de calor e/ou frio e, porque este processo utiliza energia, depois a pessoa sentir-se geralmente cansada e esgotada.
Como já referido, o efeito primordial desta reacção é alertar o organismo para a possível existência de perigo, há uma mudança automática e imediata na atenção para pesquisar o ambiente em busca de ameaças em potencial. Por isso, passa a ser muito difícil concentrar-se em tarefas diárias quando alguém está ansioso. As pessoas ansiosas queixam-se frequentemente de ficarem facilmente distraídas durante as tarefas do dia-a-dia, de não se conseguirem concentrar e de terem problemas de memória.
No entanto, nem sempre existe uma razão evidente para a ansiedade e infelizmente, a maioria das pessoas não aceita o facto de não encontrarem uma explicação. Quando as pessoas não conseguem explicar os seus sentimentos tendem a procurar dentro de si. Por outras palavras, “se no exterior nada há de errado, então deve haver algo de errado comigo mesmo”.
Neste caso, o cérebro inventa uma explicação do género devo estar “a perder o controlo” ou “a ficar louco”. Como já vimos, nada poderia ser menos verdadeiro, já que a principal função da reacção de luta-e-fuga é de proteger o organismo.
Ultrapassando níveis considerados normais e instintivs, a ansiedade pode tornar-se numa patologia, numa doença…
Já que não é possível mudar a fisiologia, devemos então, aprender a lidar com esta singular visita.
A forma mais comum de tratar a ansiedade é a prática de exercícios físicos. Sair do sedentarismo é o primeiro passo para quem não está a conseguir conviver com este estado desconfortável. E porquê? Porque produz uma substância – a serotonina – que aumenta a sensação de prazer. Se é daquelas pessoas que detesta ir ao ginásio e que pensa que é um desperdício gastar dinheiro em tais estabelecimentos, caminhar três vezes por semana, por pelo menos meia hora, pode ajudar bastante a lidar com a ansiedade.
O momento da caminhada, além de ser um exercício para o corpo, também pode ser aproveitado para trabalhar a mente. Pensando e meditando sobre os acontecimentos que estão a ocorrer na sua vida, acaba por se aperceber dos pontos geradores de ansiedade que precisa de mudar.
Outra alternativa é o yoga, que oferece ao praticante a possibilidade de aprender a controlar a sua mente e o corpo. Este controlo, conseguido através de uma combinação de técnicas respiratórias, corporais e de meditação, tem como resultados o aumento da flexibilidade, fortalecimento dos músculos e aumento de vitalidade.
Também é importante fazer as coisas que lhe trazem prazer. A maioria dos acontecimentos de vida são responsabilidades… representam o “tenho que…” em vez do “gostava de…”. Manter um grupo de amigos, socializar e passar o tempo a fazer alguma coisa que goste, nomeadamente um hobby, dançar, ir ao cinema ou passear na praia, reduz a ansiedade de um modo muito significativo.
Se considera que as alternativas anteriores não resultam para si, e que a sua ansiedade está a entrar em níveis que considera insustentáveis, deve recorrer a um Psicólogo Clínico que poderá ensina-lo a controlar a respiração e a induzir o relaxamento, utilizando essas técnicas sempre que tiver uma crise de ansiedade.
Tenha no entanto a noção que a chave para lidar com o estado de ansiedade é aceitá-la totalmente. Por incrível que pareça, permanecer no presente, aceitar a sua ansiedade e não antecipar acontecimentos, fazem-na desaparecer.
Dra. Lara R. Alves
laralves.no.sapo.pt