Imagine uma maçã. Com o tempo de exposição ao ar, a pele da fruta vai ficando enrugada e oxida. O mesmo acontece com as células do organismo humano, quando sujeitas às agressões diárias, nomeadamente ao fumo do tabaco, a produtos químicos e à poluição ambiental. Mas, através de uma alimentação variada e equilibrada, é possível contrariar o processo de envelhecimento com a ajuda dos antioxidantes.
O organismo humano está diariamente exposto a várias ameaças, que, com o tempo, vão provocando um envelhecimento celular. O stresse oxidativo, o fumo do tabaco e a poluição ambiental são factores que favorecem a formação de radicais livres. Os antioxidantes, presentes em diversos alimentos, conseguem proteger as células destas agressões do dia-a-dia. Conheça os poderes destes compostos naturais e esclareça todas as dúvidas sobre os “escudos protectores das células”.
“Em condições normais, o nosso sistema de defesa interno é suficiente para nos proteger. Contudo, em muitas situações a produção de radicais livres é superior ao normal, o que deixa o indivíduo vulnerável. Por esta razão, deverá ser acautelada a inclusão de antioxidantes na dieta, através do consumo de frutas e vegetais, para que seja possível diminuir o risco do desenvolvimento de doenças associadas à acumulação de radicais livres”, sublinha Alexandra Bento, presidente da Associação Portuguesa de Nutricionistas (APN).
Segundo a definição da Dr.ª Vanessa Candeias, nutricionista do Instituto de Medicina Preventiva, em Lisboa, “o termo antioxidante usa-se para denominar os compostos que exercem um efeito protector contra os radicais livres”. Sabe-se que “uma sobrecarga de radicais livres [moléculas reactivas] no organismo causa danos celulares, que podem estar na origem de diversas doenças”. Embora muitos das propriedades antioxidantes estejam em fase de estudo, a nutricionista assegura que “vários antioxidantes parecem contribuir para o reforço do sistema imunitário, da prevenção de doenças cardiovasculares e até alguns tipos de cancro” (ver caixas).
Actuação em várias frentes?
E até que ponto podem os antioxidantes defender o organismo? “O primeiro mecanismo de defesa contra os radicais livres é impedir a sua formação, principalmente pela inibição das reacções em cadeia com o ferro e o cobre.” Mas os antioxidantes têm outros poderes: quando obtidos através da dieta – “tais como as vitaminas C, E, e A, os flavonóides e carotenóides” – possuem a capacidade de “interceptar os radicais livres, gerados pelo metabolismo celular ou por fontes exógenas, evitando a formação de lesões e perda da integridade celular”, acrescenta a presidente da APN. Caso já haja “estragos” na célula, os antioxidantes reparam as lesões, “reconstituindo as membranas celulares danificadas”.
Para a responsável, com base na teoria proposta em 1954, e de acordo com alguns estudos epidemiológicos, “a ingestão de alimentos ricos em antioxidantes diminuem o risco de envelhecimento precoce e reduzem a ocorrência de certas doenças associados a este processo”, particularmente as “cataratas, doença de Alzheimer e outras alterações do sistema nervoso”. Em todo o caso, os antioxidantes não podem ser vistos como o “elixir da eterna juventude”, porque apenas exercem um efeito protector, mas não “ampliam o tempo de vida”.
Não havendo, até ao momento, conhecimentos que permitam inferir qual a dose diária recomendada de alimentos antioxidantes, a presidente da APN defende que o “consumo deve ser efectuado na forma natural”. Aliás, e partindo dos preceitos divulgados pela evidência científica, pode-se tirar partido destes benefícios se a dieta for equilibrada e ajustada às necessidades nutricionais e energéticas de cada pessoa.
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Aliás, como adianta Vanessa Candeias, “não existem alimentos milagrosos que contenham numa única porção todos os nutrientes necessários para uma vida saudável”. Seguindo as indicações expressas pela roda dos Alimentos, uma dieta saudável deve ser diversificada e colorida, pelo que se aconselha a ingestão de 400 gramas de frutas e legumes diariamente. Só assim se consegue obter um “maior teor de vitaminas, minerais e compostos oxidantes”, fundamenta Vanessa Candeias.
O poder das vitaminas
As propriedades antioxidantes, que concedem a protecção ao organismo perante algumas patologias, foram descobertas nos anos 60, graças à evolução de técnicas bioquímicas. Muito do potencial antioxidante está presente nas vitaminas. A Dr.ª Alexandra Bento apresenta alguns dos seus benefícios de A a E.
– Vitamina A: um factor importante no crescimento e na diferenciação celular. Além disso, tem apresentado acção preventiva no desenvolvimento de tumores da bexiga, mama, estômago e pele, em estudos realizados com animais. Estudos epidemiológicos também mostraram que o consumo regular de alimentos ricos em vitaminas A e C pode diminuir a incidência de cancro colorrectal.
– Vitamina C (ácido ascórbico): os benefícios obtidos na utilização terapêutica da vitamina C em ensaios biológicos com animais incluem o efeito protector contra os danos causados pela exposição às radiações e medicamentos. Os estudos epidemiológicos também atribuem a essa vitamina um possível papel de protecção no desenvolvimento de tumores nos seres Humanos.
– Vitamina E: é um componente dos óleos vegetais encontrado na natureza. As evidências recentes sugerem que essa vitamina impede ou minimiza os danos provocados pelos radicais livres associados a doenças específicas, incluindo o cancro, artrite, catarata e o envelhecimento.
Os antioxidantes mais conhecidos
Segundo Vanessa Candeias, os antioxidantes podem ser facilmente ingeridos através da alimentação. No grupo dos antioxidantes inclui-se “um conjunto vasto e heterogéneo de moléculas, entre as quais, vitaminas, minerais, pigmentos naturais, micronutrientes de origem vegetal, enzimas”. A vitamina C, E, betacaroteno, os flavonóides, o selénio, o zinco e o licopeno são “os antioxidantes mais conhecidos por parte dos consumidores”, refere a nutricionista.
Jornal do Centro de Saúde
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