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A Depressão

23 Agosto, 2007 0

Quando se inicia, a terapêutica antidepressiva tem de ser cuidadosamente planeada entre o médico e o doente, envolvendo eventualmente o apoio de familiares.

Tanto o início como o termo do tratamento são da responsabilidade do médico. Uma interrupção precoce do tratamento, porque a pessoa «já se sente bem», é causa frequente de recaída ao fim de alguns dias ou semanas.

Quanto tempo têm de se tomar?

Tal decisão compete ao médico. Em geral, a terapêutica de uma depressão justifica vários meses de tratamento ( 6 meses). Há doentes que terão de tomar a medicação por um período prolongado ou mesmo indeterminado para evitar as crises depressivas.

Nestes casos, o medicamento antidepressivo é preventivo da recorrência das crises depressivas. É de ter em conta que na doença depressiva é mais frequente haver tendência para crises repetidas, por vezes periódicas, sendo a crise depressiva única a excepção.

Causas da depressão

Existe uma predisposição hereditária para alguns tipos de depressão, embora não se conheçam ainda as formas precisas dessa transmissão. Sabe-se, por exemplo, que gémeos de doentes com certas depressões têm cerca de 70 a 80% de probabilidades de vir a ter a doença, mesmo que vivam num ambiente diferente.

Os conhecimentos actuais da ciência permitem evidenciar a existência de alterações em algumas substâncias cerebrais (neurotransmissores) na depressão.

Os acontecimentos traumáticos da vida contribuem também para o aparecimento da depressão. Problemas familiares, o stress diário, a morte de alguém próximo, as doenças, uma crise financeira, conflitos prolongados podem funcionar como desencadeantes ou facilitadores de episódios depressivos.

O tipo de personalidade e o estilo do indivíduo para lidar com a vida podem também correlacionar-se com uma maior predisposição para crises depressivas.

O que fazer?

Infelizmente, a doença depressiva, não sendo reconhecida pelo próprio como doença, nem diagnosticada pelo médico, presta-se a que outros, incluindo as famílias, desvalorizem o(a) doente como «fraco», «incapaz», «preguiçoso» e até «maluco».

A imagem pessoal, a auto-estima, que já estão diminuídas pela doença, agravam-se ainda mais, devido a essa injusta apreciação das dificuldades impostas pela depressão.

Críticas como a de que o doente não tem «força de vontade» e de que o que necessita é de se «distrair e não pensar tanto» nada resolvem, aumentando a culpa e os sentimentos negativos existentes.

A possibilidade do suicídio deve estar presente na mente de quem convive ou trabalha com estes doentes, devendo o recurso ao médico ser incentivado, de modo a que se possa iniciar um tratamento adequado, o que contribui decisivamente para atenuar aquele risco.

Existem actualmente meios para tratar as depressões, em que se incluem os antidepressivos, as psicoterapias e, em casos mais graves, a electroconvulsivoterapia.

A escolha dos tratamentos é da competência dos médicos clínicos gerais e dos médicos psiquiatras para os casos mais difíceis e depende do tipo e gravidade da depressão, bem como da presença de outras doenças, que podem condicionar o uso de alguns medicamentos antidepressivos.

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