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Infecções urinárias: Constante visita à casa de banho

As infecções urinárias são comuns entre as mulheres. Podem mesmo repetir-se ao longo da vida, comprometendo a qualidade de vida. Por isso, o melhor é apostar na prevenção.

Forte e persistente vontade de urinar que não resulta em alívio. A urina, de cor atípica e cheiro desagradável e intenso, sai em pequenas quantidades e causa sensação de ardor ou até mesmo dor. Eis alguns sintomas da infecção urinária (IU). É a segunda infecção mais frequente do corpo humano e retira qualidade de vida, interferindo no rendimento profissional e pessoal. Segundo a Associação Portuguesa de Urologia (APU), as infecções urinárias afectam 48% das portuguesas e uma em cada três mulheres teve a primeira IU antes dos 24 anos.

A IU pode ocorrer em qualquer parte do aparelho urinário (rins, ureteres, bexiga e uretra), mas desenvolve-se sobretudo no trato urinário inferior (bexiga e uretra), porque se dá uma colonização de microorganismos (bactérias, fungos, parasitas ou micobactérias), que entram no aparelho urinário pela uretra e se multiplicam na bexiga (cistite). Se o desenvolvimento destes microorganismos não for travado, há a possibilidade de estes alcançarem os ureteres e infectarem os rins dando origem a uma pielonefrite.

A cistite, quando causada pela bactéria Escherichia coli (colibacilo), afecta especialmente as mulheres por questões anatómicas. Ou seja, a uretra é curta e está muito próxima do ânus, uma região que costuma estar colonizada com bactérias intestinais, que podem migrar através da vulva e da terminação da uretra. Ao alcançarem a bexiga, podem multiplicar-se e dessa forma originar uma infecção.

A actividade sexual, a gravidez e a menopausa também facilitam o aparecimento da IU. Durante uma relação sexual é fácil dar-se a progressão das bactérias pela uretra e durante a gestação existe uma maior probabilidade de as mulheres terem infecções devido a alterações hormonais e à pressão que o útero exerce sobre a bexiga.

No período da menopausa também ocorrem mudanças hormonais, que causam, nomeadamente, a diminuição da lubrificação vaginal, pelo que tanto a vagina como a uretra ficam mais expostas a bactérias e, consequentemente, ao aparecimento de infecções.

[Continua na página seguinte]

Infecções urinárias de repetição

A população feminina não só é a mais afectada como mais propensa a infecções repetidas. Se no período de um ano ocorrer infecção mais de três vezes ou no período de seis meses mais de duas vezes significa que existe IU de repetição. De acordo com dados da APU, cerca de 20 por cento das mulheres que tiveram um primeiro episódio de infecção vão ter pelo menos mais uma infecção; destas, 30 por cento voltam a ter IU; e,  deste último grupo, 80 por cento têm recorrências, que são as ditas infecções urinárias de repetição.

A IU de repetição pode ser dividida em dois grupos: por recorrência e por recidiva. A primeira acontece em 95 por cento dos casos e caracteriza-se pela ausência de sintomas durante um período superior a duas semanas. Por norma, pode ser causada por diferentes bactérias ou por estirpes diversas da mesma bactéria, que apresentam comportamentos bastante diferentes entre si.

A IU por recidiva é menos frequente, atinge 5 por cento das pessoas, é mais comum na população masculina e caracteriza-se por ter um período assintomático não superior a duas semanas, sendo o agente causador o mesmo da infecção inicial.

O diagnóstico geralmente é feito com base nos sintomas descritos pela mulher. Mas, o médico poderá querer confirmar suspeitas e, para isso, pedir exames complementares de diagnóstico como análises à urina, incluindo uma urocultura e um antibiograma. Nos casos mais complexos, pode pedir um estudo urodinâmico ou uma ecografia.

[Continua na página seguinte]

Tratamento e prevenção

Existem diferentes soluções terapêuticas para as IU. São sempre prescritas pelo médico e adequadas a cada situação. Os antibióticos são por norma os fármacos utilizados para eliminar a infecção e os analgésicos são receitados em caso de dor. Quanto ao período de duração do tratamento, é definido pelo clínico, que em algumas situações poderá inclusive prescrever profilaxia medicamentosa. A título de exemplo, se a IU estiver relacionada com a mudança hormonal que ocorre na menopausa, poderá ser recomendada a administração de creme vaginal com estrogénio.

Existem, por seu turno, algumas medidas preventivas que podem ajudar a evitar o aparecimento ou a reduzir o número de episódios, no caso de IU de repetição.

A ingestão de água (1,5 l por dia, pelo menos) é fundamental, assim como uma higiene íntima cuidadosa, sendo de evitar soluções suscetíveis de causar irritação. No dia-a-dia, é também aconselhável urinar regularmente para não ter a bexiga cheia por longos períodos.

Antes do ato sexual deve efectuar uma limpeza da frente para trás, para impedir que as bactérias presentes na zona perianal passem para a vulva e a uretra. Após o seu termo, é aconselhável urinar para expulsar possíveis bactérias que tenham penetrado. Regular o trânsito intestinal, evitar ingerir alimentos ácidos e usar roupa interior de algodão são outras recomendações que podem ajudar a prevenir as infecções urinárias.

[Continua na página seguinte]

Sinais e sintomas

– Sensação de ardor ao urinar;

– Dor ao urinar;

– Aumento da frequência de micção sem que o volume de urina o justifique;

– Vontade permanente e muito forte em urinar;

– Urina turva;

– Cheiro fétido;

– Cor da urina alterada, desde rosada a acastanhada;

– Sensação de peso no abdómen.

 

Factores de risco

– Sexo. Ser mulher é o principal factor de risco como aliás vem explicado neste artigo;

– Sexualidade. Ter uma vida sexual ativa aumenta a probabilidade de ter uma IU;

– Contraceptivos. Alguns métodos para controlar a natalidade podem facilitar a IU, como seja o diafragma ou os espermicidas;

– Idade. Na menopausa, a falta de estrogénios pode igualmente contribuir para o aparecimento de IU;

– Anatomia. Se ser mulher aumenta o risco, devido ao tamanho reduzido da uretra e proximidade do ânus, existem também alterações anatómicas no aparelho urinário que podem facilitar o desenvolvimento de IU;

– Doenças crónicas. Sofrer de uma patologia que compromete o sistema imunitário pode aumentar o risco do aparecimento de infecção urinária, uma vez que as defesas do organismo ficam debilitadas.

Forte e persistente vontade de urinar que não resulta em alívio. A urina, de cor atípica e cheiro desagradável e intenso, sai em pequenas quantidades e causa sensação de ardor ou até mesmo dor. Eis alguns sintomas da infecção urinária (IU). É a segunda infecção mais frequente do corpo humano e retira qualidade de vida, interferindo no rendimento profissional e pessoal. Segundo a Associação Portuguesa de Urologia (APU), as infecções urinárias afectam 48% das portuguesas e uma em cada três mulheres teve a primeira IU antes dos 24 anos.

 

A IU pode ocorrer em qualquer parte do aparelho urinário (rins, ureteres, bexiga e uretra), mas desenvolve-se sobretudo no trato urinário inferior (bexiga e uretra), porque se dá uma colonização de microorganismos (bactérias, fungos, parasitas ou micobactérias), que entram no aparelho urinário pela uretra e se multiplicam na bexiga (cistite). Se o desenvolvimento destes microorganismos não for travado, há a possibilidade de estes alcançarem os ureteres e infectarem os rins dando origem a uma pielonefrite.

 

A cistite, quando causada pela bactéria Escherichia coli (colibacilo), afecta especialmente as mulheres por questões anatómicas. Ou seja, a uretra é curta e está muito próxima do ânus, uma região que costuma estar colonizada com bactérias intestinais, que podem migrar através da vulva e da terminação da uretra. Ao alcançarem a bexiga, podem multiplicar-se e dessa forma originar uma infecção.

 

A actividade sexual, a gravidez e a menopausa também facilitam o aparecimento da IU. Durante uma relação sexual é fácil dar-se a progressão das bactérias pela uretra e durante a gestação existe uma maior probabilidade de as mulheres terem infecções devido a alterações hormonais e à pressão que o útero exerce sobre a bexiga.

 

No período da menopausa também ocorrem mudanças hormonais, que causam, nomeadamente, a diminuição da lubrificação vaginal, pelo que tanto a vagina como a uretra ficam mais expostas a bactérias e, consequentemente, ao aparecimento de infecções.

 

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Infecções urinárias de repetição

 

A população feminina não só é a mais afectada como mais propensa a infecções repetidas. Se no período de um ano ocorrer infecção mais de três vezes ou no período de seis meses mais de duas vezes significa que existe IU de repetição. De acordo com dados da APU, cerca de 20 por cento das mulheres que tiveram um primeiro episódio de infecção vão ter pelo menos mais uma infecção; destas, 30 por cento voltam a ter IU; e,  deste último grupo, 80 por cento têm recorrências, que são as ditas infecções urinárias de repetição.

 

A IU de repetição pode ser dividida em dois grupos: por recorrência e por recidiva. A primeira acontece em 95 por cento dos casos e caracteriza-se pela ausência de sintomas durante um período superior a duas semanas. Por norma, pode ser causada por diferentes bactérias ou por estirpes diversas da mesma bactéria, que apresentam comportamentos bastante diferentes entre si.

 

A IU por recidiva é menos frequente, atinge 5 por cento das pessoas, é mais comum na população masculina e caracteriza-se por ter um período assintomático não superior a duas semanas, sendo o agente causador o mesmo da infecção inicial.

 

O diagnóstico geralmente é feito com base nos sintomas descritos pela mulher. Mas, o médico poderá querer confirmar suspeitas e, para isso, pedir exames complementares de diagnóstico como análises à urina, incluindo uma urocultura e um antibiograma. Nos casos mais complexos, pode pedir um estudo urodinâmico ou uma ecografia.

 

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Tratamento e prevenção

 

Existem diferentes soluções terapêuticas para as IU. São sempre prescritas pelo médico e adequadas a cada situação. Os antibióticos são por norma os fármacos utilizados para eliminar a infecção e os analgésicos são receitados em caso de dor. Quanto ao período de duração do tratamento, é definido pelo clínico, que em algumas situações poderá inclusive prescrever profilaxia medicamentosa. A título de exemplo, se a IU estiver relacionada com a mudança hormonal que ocorre na menopausa, poderá ser recomendada a administração de creme vaginal com estrogénio.

 

Existem, por seu turno, algumas medidas preventivas que podem ajudar a evitar o aparecimento ou a reduzir o número de episódios, no caso de IU de repetição.

 

A ingestão de água (1,5 l por dia, pelo menos) é fundamental, assim como uma higiene íntima cuidadosa, sendo de evitar soluções suscetíveis de causar irritação. No dia-a-dia, é também aconselhável urinar regularmente para não ter a bexiga cheia por longos períodos.

 

Antes do ato sexual deve efectuar uma limpeza da frente para trás, para impedir que as bactérias presentes na zona perianal passem para a vulva e a uretra. Após o seu termo, é aconselhável urinar para expulsar possíveis bactérias que tenham penetrado. Regular o trânsito intestinal, evitar ingerir alimentos ácidos e usar roupa interior de algodão são outras recomendações que podem ajudar a prevenir as infecções urinárias.

 

[Continua na página seguinte]

Sinais e sintomas

 

– Sensação de ardor ao urinar;

 

– Dor ao urinar;

 

– Aumento da frequência de micção sem que o volume de urina o justifique;

 

– Vontade permanente e muito forte em urinar;

 

– Urina turva;

 

– Cheiro fétido;

 

– Cor da urina alterada, desde rosada a acastanhada;

 

– Sensação de peso no abdómen.

 

 

 

Factores de risco

 

– Sexo. Ser mulher é o principal factor de risco como aliás vem explicado neste artigo;

 

– Sexualidade. Ter uma vida sexual ativa aumenta a probabilidade de ter uma IU;

 

– Contraceptivos. Alguns métodos para controlar a natalidade podem facilitar a IU, como seja o diafragma ou os espermicidas;

 

Idade. Na menopausa, a falta de estrogénios pode igualmente contribuir para o aparecimento de IU;

 

Anatomia. Se ser mulher aumenta o risco, devido ao tamanho reduzido da uretra e proximidade do ânus, existem também alterações anatómicas no aparelho urinário que podem facilitar o desenvolvimento de IU;

 

– Doenças crónicas. Sofrer de uma patologia que compromete o sistema imunitário pode aumentar o risco do aparecimento de infecção urinária, uma vez que as defesas do organismo ficam debilitadas.

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