Malefícios do tabaco na pele » O rosto envelhecido do fumador activo - Médicos de Portugal

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Malefícios do tabaco na pele » O rosto envelhecido do fumador activo

16 Janeiro, 2007 0

Todos já conhecemos os alertas de que fumar faz mal à saúde. Obstrui as vias respiratórias e, no limite, pode resultar num cancro do pulmão. Mas o tabaco também afecta a sua pele. «O fumo inalado de tabaco que cada indivíduo consome tem algumas carac­terísticas nocivas para a pele», afirma a Dr.ª Marília Moreira da Fonseca, dermatologista. Ao contrário dos efeitos nos pulmões, a exposição ao tabaco não deixa marcas de nicotina na pele.

Aliás, como indica Marília Moreira da Fonseca, «nada que uma boa lavagem não solucione e, sobretudo, com o intuito de remover o odor desagradável da pele e cabelo».

Parece que o assunto ficaria resolvido, mas não. O tabaco não deixa sinais imediatos na pele. É a longo prazo que se observam os resultados…

De facto, o tabaco inalado afecta o nível de oxigenação da pele.

«A nicotina é um potente vasoconstritor e dificulta o fluxo sanguíneo nos vasos. Se é prejudicial para problemas cardíacos, diabetes e outras doenças com componente vascular, também acaba por afectar a pele», alerta a dermatologista, acrescentando:

«Há um aporte reduzido de sangue a nível cutâneo, porque os vasos estão de calibre mais reduzido. A oxigenação faz-se deficientemente a nível celular, o que acaba por se traduzir num envelhecimento prematuro.»

Para além disso, segundo a especialista, «o tabaco também actua a nível das células imunitárias periféricas que, por sua vez, identificam e alertam o organismo para alergenos ou agentes agressores à pele».

Assim, quando surge um agente que vai interagir mal com a pele as células cutâneas langerhans detectam o agressor e transmitem estímulos para que a pessoa reaja contra ele.

Sinais como a vermelhidão da pele, comichão e eczemas são alertas de socorro. Mas um fumador pode deixar de ter estes sinais de reacção. Nestes casos, «a pele vai sendo agredida e vai-se deteriorando», alerta Marília Moreira da Fonseca, que adianta:

«O tabaco retira actividade a estas células. Por isso, estamos muito mais pacífica e passivamente expostos. Acabamos por estar sujeitos a agressões permanentes sem sequer nos apercebermos.»

A face do fumador

Muitos dos fumadores são descritos pelos especialistas como alvo de «um “smoking envelhecimento”, com a dege­ne­ração prematura da pele».

Para além do envelhecimento precoce da pele, devido à falta de oxigenação, «o tabaco também inibe a produção dos fibroblastos, que são importantes porque produzem o colagénio e a elastina. Ma­teriais que existem na derme, que dão textura e elasticidade à pele e impedem a flacidez», explica a dermatologista.

Ora, se as células morrem mais depressa, não há uma renovação. Existe mesmo, do ponto de vista dermatológico, a descrita «face do fumador».

Marília Moreira da Fonseca descreve o estado em que fica a pele afectada pelo tabaco:

«As pessoas têm uma tez amarelada, uma pele macilenta e sem brilho. Aproxima-se da pele das pessoas mais velhas.»

Ainda de acordo com a médica, «é típico nas mulheres que fumam surgirem precocemente imensas rugas à volta da região perioral, perpendiculares aos lábios. São pequenas rugas, que ainda não têm a profundeza das das pessoas mais velhas, mas que já começam por volta dos 30 anos».

Estas rídulas constituem uma característica resultante do próprio acto de fumar, isto é, são consequência da expressão dos fumadores quando comprimem o cigarro nos lábios.

Para evitar uma pele envelhecida pelo tabaco, o melhor seria deixar de fumar. No entanto, se o vício «fala mais alto», existem formas de minimizar os sinais da pele de um fumador.

«O rejuvenescimento cutâneo, através das novas tecnologias laser e cada vez mais sofisticada cosmetologia com preciosas formulações (peelings ou implantes), tem vindo a ajudar imenso as pessoas afectadas por agressões na pele provocadas pelo tabaco», diz Marília Moreira da Fonseca.

Fumadores passivos

Podem ficar descansados os que não fumam, mas que vivem entre fumadores, pois, para além do odor, a pele não fica afectada pelos cigarros alheios.

O tabaco saturado, ao ser inalado, poderia atacar a pele, apenas, numa situação limite, presente em ambientes fechados, com pouca ventilação.

«Mas isto teria de acontecer com exposições prolongadas e em concentrações elevadíssimas de tabaco, o que é pouco significativo nos ambientes usuais», esclarece a dermatologista.

O cabelo também sofre?

Quanto aos possíveis efeitos do tabaco no cabelo, pode-se unicamente falar em hipóteses, dado que existem poucos estudos sobre o assunto. Contudo, é possível fazer alguns paralelismos com outras si­tuações.

Por isso, Marília Moreira da Fonseca coloca a possibilidade de que «talvez se ressinta mais o cabelo com a falta de fluxo sanguíneo do que a pele»

E explica: «Porque se é importante, a nível periférico, uma adequada vascularização, a sua redução ao nível do couro cabeludo devido ao fumo do tabaco pode acompa­nhar-se de queda de cabelo.»

Poder-se-ia mesmo estabelecer um parale­lismo entre a deficiente oxigenação, que acompanha o tabagismo, e o que o que se passa durante a cirurgia. No decurso de uma cirurgia, nas zonas periféricas do organismo, como a pele, o fluxo de sangue é reduzido para que ele seja desviado para órgãos nobres, como o coração, o cérebro e o rim, de forma a que estes não sejam minimamente lesados. Devido a tal, no pós–operatório, assiste-se frequentemente, em particular em cirurgias prolongadas, à queda do cabelo como efeito secundário.

Assim, por comparação, pode-se fazer uma aproximação forçada das situações. O tabaco «à la longue» pode funcionar um pouco da mesma forma no couro cabeludo, devido à falta de oxigenação, em especial, numa pessoa já predisposta geneticamente à queda de cabelo.

Mas a dermatologista alerta que «é difícil estabelecer uma relação directa entre o tabaco e a queda de cabelo. É mesmo bastante difícil, já que neste processo de queda de cabelo muitos são os factores envolvidos e não é de todo raro vermos fumadores com óptimos cabelos e não fumadores calvos».

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