Bolsas Terry Fox atribuem €45.000 para investigação pioneira em oncologia
A fim de incentivar o espírito de investigação a nível nacional em oncologia, a Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) e a Embaixada do Canadá, com o apoio da Roche, atribuiram três bolsas de investigação, no valor de €15.000 cada, a Maria Leonor Sarmento do Instituto Gulbenkian da Ciência, Sandra Casimiro do Instituto de Medicina Molecular, e Patrícia Silva do Centro de Investigação em Patobiologia Molecular.
De acordo com Manuela Rilvas, coordenadora nacional da Liga Portuguesa Contra o Cancro, estas bolsas têm como objectivo “incentivar os jovens cientistas a realizarem investigações na área da oncologia, para que possamos saber mais sobre uma das principais causas de morte no mundo, e em Portugal”.
O projecto de Maria Leonor Morais Sarmento, do Instituto Gulbenkian da Ciência, intitulado “The Impact of Recombination-Activating Genes 1 and 2 to the generation of genomic instability”, procura compreender como os “erros” de uma proteína podem gerar leucemias. Com este trabalho, a investigadora espera “estudar tumores específicos e ver as mudanças que provocam em todo o genoma”.
Com um projecto pioneiro no estudo de amostras clínicas de tecido metastático ósseo, Sandra Casimiro, da Unidade de Investigação Aplicada em Oncologia Clínica do Instituto de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina de Lisboa (FML), foi distinguida com o projecto intitulado “Mecanismos de invasão e progressão de neoplasias no osso: perfil molecular de moléculas envolvidas na matriz e adesão da doença metastática”.
O seu intuito é “determinar se a expressão genética das células tumorais metastáticas no osso corresponde a uma assinatura molecular que possa ser utilizada como factor prognóstico de recidiva nos doentes que apenas apresentam tumor primário”, esclarece.
Patrícia Loureiro da Silva, do Centro de Investigação em Patobiologia Molecular (CIPM), pretende “estudar o efeito de vários fármacos utilizados na terapêutica do cancro do cólon e recto e avaliar a influência de mutações em diferentes genes na modulação da morte celular e na resistência à terapêutica”, no projecto intitulado “Resistência à terapêutica no Cancro do Cólon e Recto: Contribuição da Morte Celular e da Via de Sinalização APC/ β Catenina”. A melhor compreensão destes processos, “contribuirá para a identificação de factores de prognóstico e para o redireccionamento das terapêuticas utilizadas no tratamento do cancro do cólon e recto”, explica a investigadora.
O financiamento destas bolsas de investigação resulta dos fundos angariados na mais antiga corrida de solidariedade do nosso país, a Corrida Terry Fox, que se realiza anualmente com o intuito de obter verbas para a descoberta da cura contra o cancro, uma doença que mata anualmente mais de 20 mil portugueses.
A primeira Corrida Terry Fox em Portugal realizou-se em 1994. Até à data, já foram atribuídas 35 bolsas de investigação no nosso país o que representa um financiamento de 436.411 euros, em prol da investigação científica contra o cancro. Em todo o mundo, as corridas Terry Fox já angariaram mais de 260 milhões de euros.
Terry Fox foi um jovem canadiano a quem, aos 18 anos, foi diagnosticado um carcinoma ósseo na perna direita, o que originou a sua amputação. Durante o seu internamento no Hospital, Terry ficou de tal modo impressionado com o sofrimento dos outros jovens com cancro que decidiu atravessar o Canadá a pé, com o objectivo de angariar fundos para apoiar a descoberta da cura para o cancro.
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