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Cieiro aparece, sobretudo, no dorso das mãos e na face

8 Janeiro, 2007 0

O cieiro é tão frequente durante os meses frios que muitos já o tomam como certo quando o Inverno se aproxima. No entanto, alguns cuidados básicos com a pele ajudam a evitar os episódios de cieiro.

Na época mais fria do ano, apesar de todos os agasalhos, há zonas do corpo que ficam à mercê da acção das agressões do vento, do frio e da chuva. Por entre casacos e cachecóis, zonas como os lábios, as mãos ou a cara ficam desprotegidos.

O resultado é quase sempre o cieiro.

Segundo o Dr. Cirne de Castro, dermatologista do Hospital de Santa Maria, «o cieiro não é mais do que a pele seca. Também se pode chamar de xerose, do grego xeros, que quer dizer seco ou astea­tose e que signi­fica ausência de gordura.

O cieiro aparece, sobretudo, no dorso das mãos e na face (nos lábios e regiões malares), pois são zonas onde a pele é mais fina e sensível e que estão mais desprotegidas no Inverno».

Porque aparece o cieiro?

A pele é formada por três camadas, a epiderme, a derme e a hipoderme, sendo a primeira a mais superficial e a última a mais profunda.

A epiderme não é irrigada e, como tal, alimenta-se das camadas inferiores. O epi­télio que constitui a epiderme é, então, nutrido pelos vasos da derme que lhe fornecem água. Porém, o movimento natural da água é evaporar-se, pelo que o epitélio fica de novo desnutrido.

«O organismo tem dois mecanismos essenciais de retenção de líquidos, na pele, para evitar que a água se evapore, alimentando-a. Por um lado, a pele possui substâncias hidrófilas, que retêm a água; por outro lado, possui um filme lipídico de superfície que a impermeabiliza, de modo a que a água não se evapore», diz o dermatologista, continuando:

«A pele está em constante renovação, de modo que as células vão subindo no epitélio e quando chegam à superfície formam a camada córnea, a mais superficial do epitélio. Antes de se destacarem desta camada libertam substâncias que impermeabilizam a pele.»

A secreção das glândulas sebáceas, quase sempre associadas aos pêlos, é o outro constituinte do filme lipídico impermeabilizante da superfície cutânea.

Tal como o organismo humano precisa de alimento e de água para que possa sobreviver, a pele também necessita de ser alimentada para estar saudável, conse­guindo-o através daqueles dois mecanismos (acção das substâncias hidrófilas e do filme lipídico).

O que acontece na última estação do ano é que há uma diminuição destes mecanismos que mantêm a pele hidratada.

Segundo Cirne de Castro, «nós trans­piramos menos no Inverno e, tal como as glândulas sudoríparas produzem menos suor, também as sebáceas produzem menos sebo. Este fenómeno, associado ao frio, ao vento e a ar muito seco leva ao estado de secura do epitélio».

Por isso se afirma que o cieiro é simplesmente pele seca, ou seja, desidratada, pois, com a falta de água torna-se rígida, fica sem elasticidade e quebra com facilidade, provocando microfissuras.
Em casos mais extremos, a pele adquire um aspecto gretado, visível a olho nu. Este tipo de consequência é mais grave, uma vez que se torna uma porta aberta às infecções. O epitélio serve de protecção e de barreira à entrada de bacté­rias na camada mais profunda, a derme.

Mas quando se formam microfissuras e se estas adoptarem a sua expressão mais grave, a derme fica desprotegida, podendo ser afectada por infecções.

A pele fica, então, com um aspecto gretado, vermelho, que pode até ser doloroso.

É fácil combater o cieiro

«Hoje em dia, não há marca que não tenha cremes para as mãos ou batons para o cieiro, pelo que tanto o tratamento como a prevenção são muito fáceis de conse­guir», frisa o dermatologista.

Existem, essencialmente, dois tipos de substâncias que previnem e tratam o cieiro. Os emolientes, que são responsáveis pela manutenção dos níveis de gordura na pele, como o caso da vaselina ou da lanolina; e os hidratantes, que mantêm o factor humidificante natural da pele.

No fundo, estes produtos colmatam as falhas que o organismo tem nos meses mais frios. Facultando, por um lado, subs­titutos do sebo que não é produzido e, por outro, retendo os líquidos no interior da epiderme.

Se o tratamento para o cieiro é fácil, prevenir ainda o é mais.

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