Cieiro aparece, sobretudo, no dorso das mãos e na face
«Pessoas com um historial de cieiro, que possam prever que vão sofrer deste problema, devem, uns meses antes do Inverno, proceder ao uso de cremes», aconselha Cirne de Castro.
Resta salientar que actos como tirar as peles secas dos lábios, molhar constantemente as mãos ou humedecer os lábios com a língua pioram e favorecem o aparecimento de cieiro.
Na época mais fria do ano, apesar de todos os agasalhos, há zonas do corpo que ficam à mercê da acção das agressões do vento, do frio e da chuva. Por entre casacos e cachecóis, zonas como os lábios, as mãos ou a cara ficam desprotegidos.
O resultado é quase sempre o cieiro.
Segundo o Dr. Cirne de Castro, dermatologista do Hospital de Santa Maria, «o cieiro não é mais do que a pele seca. Também se pode chamar de xerose, do grego xeros, que quer dizer seco ou asteatose e que significa ausência de gordura.
O cieiro aparece, sobretudo, no dorso das mãos e na face (nos lábios e regiões malares), pois são zonas onde a pele é mais fina e sensível e que estão mais desprotegidas no Inverno».
Porque aparece o cieiro?
A pele é formada por três camadas, a epiderme, a derme e a hipoderme, sendo a primeira a mais superficial e a última a mais profunda.
A epiderme não é irrigada e, como tal, alimenta-se das camadas inferiores. O epitélio que constitui a epiderme é, então, nutrido pelos vasos da derme que lhe fornecem água. Porém, o movimento natural da água é evaporar-se, pelo que o epitélio fica de novo desnutrido.
«O organismo tem dois mecanismos essenciais de retenção de líquidos, na pele, para evitar que a água se evapore, alimentando-a. Por um lado, a pele possui substâncias hidrófilas, que retêm a água; por outro lado, possui um filme lipídico de superfície que a impermeabiliza, de modo a que a água não se evapore», diz o dermatologista, continuando:
«A pele está em constante renovação, de modo que as células vão subindo no epitélio e quando chegam à superfície formam a camada córnea, a mais superficial do epitélio. Antes de se destacarem desta camada libertam substâncias que impermeabilizam a pele.»
A secreção das glândulas sebáceas, quase sempre associadas aos pêlos, é o outro constituinte do filme lipídico impermeabilizante da superfície cutânea.
Tal como o organismo humano precisa de alimento e de água para que possa sobreviver, a pele também necessita de ser alimentada para estar saudável, conseguindo-o através daqueles dois mecanismos (acção das substâncias hidrófilas e do filme lipídico).
O que acontece na última estação do ano é que há uma diminuição destes mecanismos que mantêm a pele hidratada.
Segundo Cirne de Castro, «nós transpiramos menos no Inverno e, tal como as glândulas sudoríparas produzem menos suor, também as sebáceas produzem menos sebo. Este fenómeno, associado ao frio, ao vento e a ar muito seco leva ao estado de secura do epitélio».
Por isso se afirma que o cieiro é simplesmente pele seca, ou seja, desidratada, pois, com a falta de água torna-se rígida, fica sem elasticidade e quebra com facilidade, provocando microfissuras.
Em casos mais extremos, a pele adquire um aspecto gretado, visível a olho nu. Este tipo de consequência é mais grave, uma vez que se torna uma porta aberta às infecções. O epitélio serve de protecção e de barreira à entrada de bactérias na camada mais profunda, a derme.
Mas quando se formam microfissuras e se estas adoptarem a sua expressão mais grave, a derme fica desprotegida, podendo ser afectada por infecções.
A pele fica, então, com um aspecto gretado, vermelho, que pode até ser doloroso.
É fácil combater o cieiro
«Hoje em dia, não há marca que não tenha cremes para as mãos ou batons para o cieiro, pelo que tanto o tratamento como a prevenção são muito fáceis de conseguir», frisa o dermatologista.
Existem, essencialmente, dois tipos de substâncias que previnem e tratam o cieiro. Os emolientes, que são responsáveis pela manutenção dos níveis de gordura na pele, como o caso da vaselina ou da lanolina; e os hidratantes, que mantêm o factor humidificante natural da pele.
No fundo, estes produtos colmatam as falhas que o organismo tem nos meses mais frios. Facultando, por um lado, substitutos do sebo que não é produzido e, por outro, retendo os líquidos no interior da epiderme.
Se o tratamento para o cieiro é fácil, prevenir ainda o é mais.

