A higiene íntima na mulher
O que é a higiene íntima? O conceito de higiene íntima não é claro, não é linear. Levanta dúvidas e más interpretações, como seja confundir higiene de uma região íntima para a mulher com o uso de irrigação vaginal.
Quando falamos em higiene íntima queremos abordar a questão da utilização de produtos que não agridam os genitais externos, que contribuem para o bem-estar, conforto, segurança e saúde da mulher.
Antes de mais importa conhecer melhor o corpo, em particular o genital e as alterações que sofrem ao longo do ciclo e, mesmo ao longo da vida. O exemplo mais flagrante é a menstruação e o receio infundado de usar produtos de higiene íntima nessa fase – nada mais errado. Outra circuntância que interessa considerar é a mudança do ambiente vulvo vaginal e do seu pH ao longo da vida da mulher.
Da puberdade até à menopausa, o pH vaginal é ácido. Esta acidez deve-se à presença de ácido láctico. A produção de estrogéneos leva à secreção de glicogénio na vagina, que por acção dos bacilos de Doderlein é transformado em ácido láctico. É este o elemento responsável pela manutenção do pH ácido (3.8 – 4.2) da vagina, o que impede o crescimento das bactérias existentes no meio vaginal. A maior concentração de glândulas sebáceas, contrariamente ao que se poderia supor, encontra-se na vagina.
A secreção por elas produzida, sebo, deposita-se nas pregas da mucosa vaginal, e em contacto com o ar oxida favorecendo a posterior colonização bacteriana e consequente odor desagradável. Daqui advém o interesse no uso de produtos específicos para higiene íntima e que preservem o pH fisiológico ácido.
Acontece que o pH vaginal na pré-puberdade e após a menopausa é quase neutro, a aplicação directa de produtos com pH ácido provoca desconforto e irritação. O exemplo mais gritante é a utilização do mesmo produto para a mãe e para a filha ainda criança!
Quais são os tipos de produtos adequados para uma boa higiene íntima feminina?
Um produto adequado à higiene íntima deve contemplar o objectivo de prevenir situações que desequilibrem a normal proporção das populações que habitam o tracto genital feminino. Assim, é recomendável um produto com propriedades descongestionantes e tonificantes que mantenha intactas as defesas naturais da mucosa genital.
Não é objectivo desses produtos abolir qualquer tipo de “corrimento”, já que o aparelho genital inferior da mulher, em particular vagina e vulva, tem uma humidade natural, causada por secreções naturais que variam em volume, cor, odor, consistência e viscosidade de mulher para mulher e de acordo com a fase da vida. Antes da puberdade e após a menopausa existe uma secura vaginal característica motivada pelos níveis reduzidos de estrogénios.
É de recordar que o sabão é um detergente e, como tal, facilita a dissolução e remoção dos resíduos ligados às gorduras, pelo que não tem qualquer vantagem o seu uso no aparelho genital. Como se não bastasse, apresenta um pH alcalino o que será desde logo agressivo para a vagina que apresenta um meio ácido. O sabonete é habitualmente partilhado e como tal apresenta um risco acrescido de contaminação; por outro lado, a sua exposição leva à deposição de poeiras e sujidade.
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