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Os perigos do vírus do papiloma humano

16 Outubro, 2008 0

Normalmente, é auto-destruído pelo organismo. Mas, nem todos os casos de infecção por vírus do Papiloma Humano (HPV) têm o mesmo desfecho. Conhece os riscos do HPV? Como se pode prevenir? A Dr.ª Isabel Riscado, ginecologista do IPO de Lisboa, dá-lhe a resposta a estas e a outras perguntas.

 

Como se transmite o HPV?
O Papiloma Vírus Humano é muito comum e facilmente transmissível. A via sexual é o modo de contágio mais frequente. Ao que tudo indica, pode haver infecção mesmo sem penetração, pelo que os preservativos não garantem total protecção. Há, no entanto, uma série de factores que podem favorecer o contágio. Em teoria, qualquer actividade sexual que envolva o contacto íntimo ou genital com uma pessoa infectada, pode levar à transmissão do vírus.

Quantos tipos de HPV que existem e quais as suas principais consequências?
Existem mais de 100 tipos de Papiloma Vírus Humano, dos quais cerca de 40 infectam, preferencialmente, os genitais: vulva, vagina, colo do útero, pénis e áreas perianais. Os tipos de HPV 6 e 11 provocam as verrugas e condilomas genitais. Já os tipos 16 e 18 são responsáveis pelo cancro do colo do útero.

Em que percentagem de casos pode evoluir para cancro?
A infecção por HPV é muito frequente, mas, na maioria dos casos, é transitória e auto-limitada. Ao fim de 1 a 2 anos, 80% dos casos resolve-se espontaneamente. Nos restantes 20%, a infecção torna-se persistente e, destes, cerca de 1% evolui para cancro.


Em que idade pode surgir a infecção?

A infecção por HPV é, actualmente, a mais frequente das doenças sexualmente transmissíveis. Cerca de 50% dos casos ocorrem entre os 15 e os 25 anos, pelo que prevalência estimada em mulheres jovens varia entre 27 a 46%. A probabilidade de uma mulher de 50 anos ser infectada com o HPV, ao longo da sua vida, atinge os 70 a 80%.

Como prevenir?
Para prevenir a infecção por HPV algumas alterações no comportamento são fundamentais: uso de preservativo; adiar ou atrasar o início da vida sexual; reduzir o número de parceiros sexuais; deixar de fumar. A vacina, recentemente introduzida em Portugal, também se constitui como um meio de prevenção, antes do início das relações sexuais.

 

Qual a taxa de sucesso desta vacina?
Actualmente, sabe-se que a vacina pode prevenir até 91% dos casos de cancro do colo do útero. Este carcinoma, causado por um vírus, é um dos poucos tumores malignos que pode ser prevenido com uma vacina profilática.

Portugal é o país com maior incidência da Europa. Por que razão isto acontece?
Em Portugal o carcinoma do colo do útero é o tumor maligno mais frequente na mulher, se exceptuarmos o cancro da mama. No mundo inteiro, é o segundo mais comum, sendo o primeiro nos países em vias de desenvolvimento. A falta de informação e a falta de um rastreio organizado são as principais causas de elevada incidência no nosso País.

Quantos novos casos de cancro do colo do útero surgem por ano?
Anualmente, são diagnosticados cerca de 500 mil cancros do colo do útero em todo o mundo. No mesmo período de tempo, 250 mil mulheres morrem por esta doença, o que equivale a quase 685 mulheres por dia. Na Europa são, actualmente, diagnosticados cerca de 335 mil casos de cancro do colo do útero e 15 mil mulheres morrem por ano em consequência da doença (o equivalente a 40 mulheres por dia e 2 mulheres por hora). É a segunda maior causa de morte por cancro da mulher jovem, em idades compreendidas entre os 15 e os 44 anos) na Europa.

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