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Saúde da Mulher

13 Abril, 2008 0

Se a vertente curativa da medicina foi primordial, a preventiva torna-se cada vez mais uma responsabilidade individual e um compromisso dos Cuidados de Saúde.

Num acompanhamento das diferentes fases fisiológicas na vida da mulher, deparamos com aspectos como a contracepção, a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis (DST), o rastreio de tumores malignos e outros como a gravidez e a menopausa. Parece-me pertinente na Saúde da Mulher dar especial atenção aos seguintes assuntos: :: Rastreio do cancro da mama O tumor maligno da mama apresenta-se geralmente como uma massa dura e irregular que se distingue do resto do tecido mamário pela sua maior consistência. Os sinais de alerta são o aparecimento de nódulo e/ou dor mamária, “pele em casca de laranja”, retracção do mamilo quando não existia. É o tipo de cancro mais frequente na mulher e a principal causa de morte em mulheres com idade até aos 65 anos. Apesar de ser mais frequente acima dos 50 anos, existem factores de risco que devem ser tidos em conta como antecedentes familiares (mãe ou irmã) com cancro da mama, idade de lactação tardia ou nula, menarca precoce e menopausa. Está preconizada a importância do auto-exame da mama efectuado mensalmente, preferencialmente na semana após o fluxo menstrual e indiferentemente na menopausa. O rastreio implica ainda a observação anual pelo Médico Assistente e a realização de mamografia de 2 em 2 anos, dos 40 aos 49 anos e anualmente a partir dos 50 anos, excepto se algum tipo de risco acrescido obrigue a uma vigilância mais apertada. Graças ao rastreio precoce foi possível reduzir a mortalidade em cerca de 30% e permitir uma taxa de sobrevivência de 80% aos 10 anos após o diagnóstico. :: Rastreio do cancro do colo do útero e do cancro do endométrio O cancro do colo do útero sabe-se hoje estar associado à infecção por vírus Papiloma Humano (HPV) pressupondo uma transmissão venérea. Estão em maior risco as mulheres que iniciam a actividade sexual mais precocemente assim como as que têm múltiplos parceiros sexuais.

Felizmente este tipo de cancro pode ser detectado precocemente pelo já divulgado esfregaço de Papanicolau (Pap), a partir da observação microscópica das células colhidas no exame ginecológico. Este deve realizar-se pela 1ª vez na altura do início da actividade sexual. Após 2 ou 3 resultados anuais negativos pode passar a ser feito de 2 em 2 anos. Se detectado precocemente a probabilidade de cura é de 100%. No caso do endométrio (revestimento interno do útero), sede da neoplasia ginecológica mais frequente após a menopausa, podendo manifestar-se inicialmente por uma hemorragia vaginal. O diagnóstico definitivo apenas é feito por biópsia permitindo a cura em cerca de 90% dos casos. :: Doenças Sexualmente Transmitidas ou Venéreas Algumas doenças infecciosas são transmitidas pelo contacto sexual. Além das doenças tradicionalmente conhecidas como a Gonorreia ou a Sífilis, existe uma diversidade de doenças transmitidas pela via sexual como o Herpes genital, o Condiloma, a Tricomoníase, as Hepatites B, C e Delta ou a tão temida Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (SIDA). Muitos dos agentes infecciosos implicados nestas doenças são frágeis e facilmente inactivados num ambiente hostil, sendo especialmente aptos a serem transmitidos pelo contacto com membranas mucosas (meio geralmente húmido e com eventual porta de entrada, como por exemplo, pequena fissura ou escoriação). Caracteristicamente todas estas doenças têm uma fase latente ou sub-clínica importante na persistência a longo prazo ou na transmissão da doença, de portadores assintomáticos (geralmente só diagnosticados por exames laboratoriais) a outros contactos. Tanto a hepatite B como a infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) têm forma de transmissão semelhante, seja pela via parentérica (sanguínea), vertical (de mãe para filho) ou sexual. Abordando a via de transmissão sexual é importante reter que determinadas práticas ou condições aumentam o risco de contágio. Estima-se que o risco no sexo anal (homo ou heterossexual) é de 1:30 a 1.100 no receptor, e de 1:1000 no introdutor, ao passo que no sexo vaginal o risco é de 1:1000 na mulher (risco idêntico no sexo oral) e de 1:10.000 no homem. Estes graus de risco podem ser aumentados caso coexistam lesões traumáticas, menstruação, ou a presença de doença inflamatória ou ulcerativa de transmissão sexual. A já referida transmissão de mãe HIV positiva para filho durante o parto estima-se em cerca de 13% a 40%, sendo menor se a mãe for submetida a cesariana, não amamentar ou se tiver feito profilaxia com terapêutica antiviral durante a gravidez.

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