A mamografia é amiga das mulheres
No mês da mulher, damos especial destaque a um exame que muitas vezes é temido, mas que é o “método mais importante para a detecção precoce do cancro da mama”.
Quem o afirma é a Dra. Lurdes Orvalho, médica radiologista do Instituto Português de Oncologia de Lisboa e do IMI (Imagens Médicas Integradas) que concedeu uma entrevista ao Jornal do Centro de Saúde.
Apesar de ser um exame incómodo, o risco pela radiação X a que está associado é desprezível quando realizado de forma adequada.
Qual a importância da mamografia?
A mamografia continua a ser o método mais importante para a detecção precoce do cancro da mama. Os rastreios de massa demonstraram uma redução da mortalidade de 30% por cancro da mama nas mulheres rastreadas.
Não se pode temer a mamografia pois é um exame fundamental e indispensável a partir dos 40 anos.
A mamografia é amiga das mulheres porque vai permitir que se detecte precocemente o cancro da mama, em fases curáveis, ou aumentar o número de anos de vida nos que não se curam.
Há contra-indicações para a realização da mamografia?
O exame não tem nenhuma contra-indicação absoluta nem complicações associadas. Não é habitual realizarem-se mamografias a mulheres antes dos 35 anos, sem antecedentes familiares de cancro da mama e sem queixas. Não se realiza nas grávidas, como qualquer outro exame que tenha radiação X, mas no caso de haver suspeição de cancro da mama, poder-se-á realizar com protecção abdominal.
Convém que seja efectuada de forma periódica e em locais que tenham controlo de qualidade.
A primeira mamografia deve ocorrer entre os 35 e os 40 anos e não antes por duas razões: o cancro da mama é pouco frequente antes dos 35 anos, por outro lado, os componentes da mama nessa idade fazem com que a visibilidade seja reduzida.
É necessária alguma preparação?
Não. No entanto, as mulheres devem efectuar o exame imediatamente a seguir ao período menstrual, porque muitas mulheres têm dores mamárias na fase pré menstrual, sendo a mama mais firme, provocando dor quando da realização do exame.
A partir dos 40 anos, deve realizar-se uma mamografia com um intervalo de um a dois anos.
O técnico que realiza o exame deve previamente explicar que a mamografia é incómoda mas não deve ser dolorosa, convidando a mulher a colaborar. A colaboração é importante para o êxito final.
Mamografia digital com menos radiação
A Dra. Lurdes Orvalho explica que a mamografia digital é o avanço mais recente e tem algumas vantagens: “passou a haver uma diminuição da radiação nos equipamentos actuais”. A realização do exame é igual (incluindo a compressão). A recepção da imagem é que é diferente. Obtemos uma imagem digital que após o manuseamento do médico radiologista (pós-processamento) permite colher informação visual não possível com a mamografia convencional.
A presença do médico radiologista é a prática adequada nos exames de diagnóstico (requisitados pelo médico assistente). A mamografia realizada num mamógrafo digital pode ser enviada directamente por tele-radiologia para o gabinete do médico, sem perda de qualidade e mesmo incluindo o relatório.
Se quiser saber a opinião de um outro especialista nacional ou estrangeiro pode efectuar o mesmo procedimento. Já é método corrente proporcionar cd’s aos doentes, com todos os seus exames armazenados.”
Páginas: 1 2

