Enurese nocturna: Quando o chichi aparece fora de horas
O problema é comum a várias famílias. Para muitas crianças, passa a ser um segredo bem guardado. Vergonha e inferioridade são sentimentos habituais.
Por outro lado, os pais nem sempre sabem como lidar com a situação e punem os filhos que urinam fora de horas. Para lidar com a enurese nocturna, são conhecidas formas de tratamento eficazes. A ajuda dos pais é também essencial para a resolução do problema. Apoiar em vez de discriminar, incentivar em vez de punir, parecem ser truques essenciais.
Está atento aos sintomas do seu filho?
Os pais devem estar vigilantes aos sintomas urinários diurnos dos seus filhos, pois eles podem fornecer-lhe pistas importantes.
A criança refere dor ao urinar? Tem de urinar com muita frequência e em pequenas quantidades de cada vez? Urina muito de cada vez e parece estar sempre cheio de sede e bebe exageradamente? Nota alguma anomalia no jacto urinário ou o seu filho parece ter que fazer força para iniciar a micção?
Estes são alguns dos sinais que podem indicar uma causa orgânica subjacente à enurese, explica João Luís Barreira, acrescentando: “Há uma associação frequente entre a obstipação e a enurese e nalguns casos ao tratar a obstipação resolve-se o problema da enurese.
Por fim, em relação ao sono propriamente dito, é frequente os pais considerarem que estas crianças têm o sono particularmente pesado. Em alguns casos, as crianças ressonam muito durante a noite e têm apneias obstrutivas durante o sono e isso parece estar associada à libertação de uma hormona que aumenta a produção nocturna de urina, o que leva a ter enurese.
Por vezes, estas crianças são operadas às amígdalas e adenóides e a enurese resolve, ou pelo menos, melhora significativamente”, explica o pediatra.
Todas as crianças com este problema devem, em primeiro lugar, ser levadas ao seu médico para uma avaliação e orientação individualizada.
Alerta aos pais
É fundamental que os pais não culpabilizem os seus filhos nem contribuam para este sentimento de inferioridade. “Por vezes, a atitude dos pais e familiares contribui para a manutenção da enurese.
Os comportamentos e comentários que frequentemente surgem na sequência destes episódios podem dificultar a criança a ultrapassar o problema”, chama à atenção a Dra. Miriam Gonçalves, neuropsicóloga clínica, especializada em enurese nocturna. Recomenda-se, portanto, acompanhamento médico em todo este processo. “As crianças descrevem sentimentos como irritados, rabugentos, envergonhados e confusos”.
Os próprios pais tendem a “evitar falar do assunto com outras pessoas. Falar sem vergonha e encarar a enurese nocturna como um problema que hoje em dia tem fácil solução, é o primeiro passo para a resolução do mesmo e para um tratamento eficaz”, aconselha Miriam Gonçalves.
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A punição e a ameaça são, por outro lado, “as piores estratégias que se poderão adoptar, uma vez que a criança já sofre o suficiente por não conseguir evitar a enurese. Evite ainda o recurso ao uso da fralda, por muito que lhe custe ter de lavar e estender sistematicamente os lençóis”.
As crianças costumam guardar este segredo “a sete chaves” com medo de discriminação por parte dos seus amigos e familiares porque “pensam que só eles é que ainda fazem chichi na cama. Mas a realidade é que, por exemplo, numa turma de 30 alunos da primária, cinco escondem este segredo”, explica a neuropsicóloga.
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