O sexo é para todas as idades?
Nos humanos o sexo deve inserir-se na sua sexualidade, não como um todo, mas como parte da mesma. O que provoca uma visão redutora é o facto de, vulgarmente, se considerar a sexualidade como mera expressão do desempenho sexual, por vezes acrescendo ainda maior ênfase dado que esta sexualidade / sexo engloba só o coito.
Todas as nossa vivências são também marcadas pela nossa sexualidade, quer esta englobe ou não um desempenho sexual activo.
Já no século passado, Freud ao elaborar a teoria da sexualidade, defendia que mesmo os bebés eram perversos polimorfos, ou seja, toda a nossa vida comporta estadios ou fases da sexualidade.
A sexualidade prazer é, de facto, para todas as idades: crianças, adolescentes, adultos jovens ou seniores, todos possuem zonas erógenas (das quais a pele é a maior de todas), estímulos sexuais, energia libidinal, pulsões eróticas, criatividade e um imaginário mais ou menos enriquecedor e fantasioso.
O facto do nosso cérebro ter libertado o desejo sexual do acto da procriação, permite-nos usar e gozar de bem-estar sexual, explorar e expandir as nossas capacidades psicossomáticas.
Quando o corpo envelhece
Contudo, o corpo envelhece, os órgãos diminuem ou perdem algumas da suas capacidades fisiológicas (reprodução, erecção, funções cardio-vasculares, etc.), o que por si só determina alterações de comportamentos e atitudes, nomeadamente no que concerne ao desempenho sexual. Disfunções sexuais de vários tipos (perda de erecção peniana, desejo sexual hipoactivo, vaginite atrófica, perda de lubrificação, etc.) são problemas frequentes nas idades mais avançadas. Isto não quer dizer que o idoso tenha perdido a sua sexualidade, ou o seu bem-estar sexual, na realidade o que aconteceu foi nomeadamente uma perda fisiológica.
Atrevemo-nos então a afirmar que, enquanto o sexo tem uma temporalidade própria inerentes às funções fisiológicas que desempenha, a sexualidade não tem idade!
Jornal do Centro de Saúde
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