Utilização do Flúor em Pediatria na Prevenção da Cárie Dentária
A utilização do flúor na prevenção da cárie dentária tem vindo a ser alvo de polémica desde há alguns anos, pela possibilidade de toxicidade quando ingerido em doses altas. O flúor é um mineral natural que pode ser encontrado em várias concentrações no solo e na água de consumo. Não é considerado um mineral essencial para o crescimento e desenvolvimento humano.
Hoje em dia há uma tendência para reduzir as doses recomendadas de flúor, devido ao problema da fluorose. No entanto os casos verificados têm sido de fluorose muito ligeira ou ligeira, sem comprometimento da estética dentária.
A fluorose manifesta-se pela alteração de cor do esmalte, que pode assumir uma tonalidade esbranquiçada ou pequenas manchas ou linhas brancas. Nos casos graves adquirem uma coloração acastanhada. O período de maior risco para ocorrência de fluorose é até os 6 anos de idade, altura em que se formam as coroas dentárias.
Alguns estudos em humanos demonstraram que a população que consome água suplementada com flúor, têm uma maior associação entre fluorose dentária e aumento do risco de fractura óssea na criança.
Actualmente a comunidade científica é unânime em dar mais importância ao efeito tópico do flúor (pós-eruptivo) do que ao efeito sistémico (pré-eruptivo), no que diz respeito ao seu papel como responsável pela redução dos índices de cáries dentárias. Pelo que a estratégia da sua utilização em saúde oral foi redefinida com base em novas evidências científicas. Considera-se que a sua acção preventiva e terapêutica é tópica (aplicação local) e pós-eruptiva (só depois dos dentes terem nascido) e que, para se obter esse efeito tópico, o dentífrico fluoretado constitui a opção consensual.
Os fluoretos administrados por via sistémica, podem ter efeitos tóxicos, em particular antes dos 6 anos de idade. As novas recomendações aconselham que a lavagem dos dentes deve começar logo após a erupção do 1º dente, com uma frequência de duas vezes por dia, sendo uma obrigatoriamente antes de deitar.
O material aconselhado para escovagem após a erupção do 1º dente e os 3 anos de idade (gaze ou dedeira ou escova macia de pequeno tamanho), entre os 3 e 6 anos de idade (escova macia de tamanho adequado à boca da criança), e com mais de 6 anos de idade (escova macia ou em alternativa média).
A execução da escovagem deve ser feita exclusivamente pelos pais até os 3 anos de idade, e a partir do momento em que a criança adquire destreza manual a escovagem deve ser realizada sob supervisão dos pais até os 6 anos. O dentífrico fluoretado deve ser, sempre que possível com dosagem de flúor baixa (250-500 ppm) até aos 6 anos de idade, sendo a quantidade idêntica ao tamanho da unha do 5º dedo da criança, após os 6 anos de idade utilizar pasta dentífrica com dosagem de flúor maior (1000-1500 ppm), quantidade aproximada de 1 cm. O suplemento sistémico de fluoretos não está recomendado.
Em conclusão, é importante investir na prevenção da cárie dentária das crianças, com escovagem regular dos dentes, insistência na alteração dos hábitos alimentares e dar especial relevância aos cuidados de higiene. A higiene dentária deve iniciar logo com a erupção do 1º dente, utilizando a escova dentária adequada à idade, e supervisionando até aos 6 anos de idade, para evitar o risco de ingestão de pasta dentífrica em excesso e para confirmarem que a higiene dentária foi eficaz.
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