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Sono e saúde mental: Como prevenir a insónia?

17 Março, 2017 0
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Acrescenta que, normalmente, os indivíduos apresentam um humor mais eufórico no Verão e mais depressivo no Inverno, com consequências, por exemplo, ao nível do comportamento na condução em vários países: há mais acidentes rodoviários no Verão do que no Inverno. Portugal é excepção, frisa a especialista e ainda não se entende a razão para a inversão da tendência.

Doenças da mente e insónia

Teresa Paiva alerta para o facto de a insónia e a depressão serem doenças comórbidas. “Uma insónia mantida por mais de três meses tem um risco aumentado de depressão e esta provoca um risco aumentado de insónia”. Aliás, “a maior parte das doenças psiquiátricas gera alterações de sono”. Sublinha, no entanto, que curar uma depressão não significa necessariamente vencer a insónia, sendo o inverso verdadeiro igualmente. É verdade que uma está na base do surgimento da outra, embora a sua evolução clínica possa ser distinta, reforça.

“Não estão assim co-relacionadas. Esta noção é recente, mas tem imensa relevância clínica, pois a insónia é, de facto, uma entidade clínica independente da depressão e que passa a persistir, mesmo quando é tratada a depressão”.

Acrescenta que a depressão maior, a doença bipolar e a esquizofrenia geram, frequentemente, perturbações no sono, até porque há uma relação muito estreita entre as doenças psiquiátricas e as doenças do sono. “A maior parte das depressões gera insónia, mas algumas, contudo, provocam hipersónia, ou seja, muitas horas de sono”, refere.

Tratamento da insónia

Aferir qual a origem da insónia é o ponto de partida para prescrever o melhor tratamento, até porque as causas podem variar muito. Em caso de necessidade, “faz sentido recomendar-se a administração de medicamentos, porque claro que é melhor a pessoa dormir do que não dormir”. Ressalva, no entanto, que a maioria dos fármacos usados tem riscos de habituação memória. “Daí que tenha que haver muita precaução na prescrição destes medicamentos, devendo ser escolhidos muito criteriosamente”, sublinha Teresa Paiva. E, em alguns casos de insónia, é mais indicado recomendar um tratamento cognitivo-comportamental do que farmacológico, havendo evidência científica de uma elevada taxa de sucesso a este nível, remata.

Porque razão o sono é tão importante?

O sono é regulado no tronco cerebral (os neurónios que o regulam estão localizados nesta área) que tem uma relação muito importante com o hipotálamo, onde se encontra uma série de núcleos ou estruturas cruciais que regulam o sono-vigília e nos ajudam a adaptar ao dia e à noite. Regulam a temperatura, o humor, as funções sexuais e a actividade alimentar.

 

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